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1582

Nascido em 1535 em Mondéjar, entrou em 1565 para o Colégio da Companhia de Jesus de Alcalá de Henares, onde se ordenou em 1571. Após a prestação de serviços em Navalcarnero e Caravaca, embarcou para a Nova Espanha em 1579, de onde partiu para as Filipinas em 1581, acompanhando o padre Antonio Sedeño. Em Março de 1582, o governador das Filipinas, Gonzalo Ronquillo, enviou-o a Macau para anunciar a subida ao trono de Felipe I de Portugal e II de Espanha. Após uma viagem acidentada, em que teve problemas com as autoridades de Cantão, Sánchez chegou a Macau a 31 de Maio, tendo encontrado nos padres da Companhia, entre os quais sobressaíam os bispos da China e da Etiópia (Leonardo de Sá e Belchior Carneiro) e o visitador do Japão (Alexandre Valignano), poderosos aliados para o feliz desempenho da sua missão. A 18 de Dezembro de 1582, Macau jurou fidelidade ao rei D. Felipe I. A fim de evitar as suspeitas da China, Sánchez resolveu voltar pelo Japão, embora um naufrágio em que o seu navio se viu envolvido na Formosa o tenha obrigado a regressar a Macau, de onde voltou a partir para Manila a 13 de Fevereiro de 1583, tendo chegado a este porto a 27 de Março. Com Manila e Macau unidas sob uma única coroa, alguns – entre eles o capitão-mór D. Juan de Almeida – sonharam com a conquista da China e, com esse fim em mente, pensaram em enviar o padre Sánchez à corte. Um assunto urgente – o presumível motim da nau San Martín – exigiu novamente a presença de Sánchez e do feitor real, Juan Bautista Román, em Macau, em 1584, com a ideia de que ambos – ou pelo menos o jesuíta – poderiam reunir-se com o padre Ruggieri em Zhaoqing 肇慶. A recusa do mandarim pôs fim a este belo sonho e, com ele, às pretensões da abertura do comércio com a China. Na viagem de retorno, várias tempestades arrastaram Sánchez e Román para a Cochinchina e, depois, para o Camboja, até que se viram forçados a procurar refúgio em Malaca, em 1585. As suas habilidades e inteligência foram reconhecidas publicamente: em Abril de 1586, a cidade decidiu enviá-lo como procurador a Espanha e a Roma a fim de defender as propostas dos dois estados, o eclesiástico e o secular, levando, para o efeito, petições escritas do bispo, do mestre de campo, dos capitães de guerra e da cidade de Nova Cáceres. Durante a sua permanência nas Filipinas, e depois na corte, Sánchez defendeu sempre os direitos de Filipe II à conquista da China: a sua evangelização deveria ser levada a cabo sob a protecção dos soldados que as circunstâncias exigissem; esta foi a política seguida no século XVII, não na China mas na América. Para uso do rei e do Papa, Sánchez compôs um tratado sobre a China e outro sobre a propagação do Evangelho nas Índias, pondo em relevo a importância do apoio real à missões. Do mesmo modo, deu diversos conselhos sobre a administração das Filipinas ao recém- chegado governador Gómez Pérez Dasmariñas. Tendo chegado à Santa Sé em 1588, conseguiu que os Papas Sixto V e Gregório XIV assinassem decretos apostólicos fazendo diversas concessões às Filipinas, e, ainda, que oferecessem relíquias para a igreja da Companhia, em Manila. Tendo feito a profissão de quatro votos na casa professa de Roma a 15 de Agosto de 1589, obteve do general Acquaviva a criação do Colégio da Companhia de Jesus, em Manila. Morreu em Alcalá de Henares a 27 de Maio de 1593. [J.G.] Bibliografia: PASTELLS, Pablo, Catálogo de los Documentos Relativos a las Islas Filipinas Precedido de una Historia General de Filipinas, vol. 2, (Barcelona, 1928).

1838

Em 1838- 1839, o artista francês Auguste Borget passou quase um ano no litoral do sul da China, grande parte do qual em Macau, antes de continuar a sua viagem à volta do mundo. Com excepção de George Chinnery, Borget foi o único artista profissional ocidental que aqui residiu na primeira metade do século XIX. Auguste Borget nasceu numa família abastada de Issoudun, perto de Bourges, cuja escola frequentou. Aos 18 anos foi trabalhar como banqueiro; aos 21 anos deixou a banca e inscreveu-se como aluno do Barão Théodore Gudin, pintor de marinhas. Em Paris, tornou-se amigo íntimo de Honoré de Balzac, que estava a começar a sua série La Comédie Humaine. Em 1836, Borget iniciou o grande projecto da sua vida. Ele já tinha feito grandes viagens através da França e da Itália: agora, ele embarca, a 25 de Outubro no Havre, para uma viagem de cinco semanas até Nova Iorque. Dali, seguiu para o Brasil, Uruguai, Argentina e Chile. No Chile, Borget conseguiu estudar a técnica do artista-viajante bávaro Johann Moritz Rugendas (1802- 1858), que tinha também estudado em Paris e tinha agora um estúdio em Valparaíso. Os dois artistas viajaram juntos pelo interior, antes de Rugendas ter deixado a América Latina, em Dezembro de 1837. No dia 1 de Fevereiro de 1838, Borget partiu para a China, via Lima e Hawai, a bordo do navio americano Henry Clay. O navio sobreviveu a uma tempestade tropical nas imediações do Japão e chegou às costas da China em Agosto de 1838. Borget passou para a fragata francesa Psyche e viajou ao longo da costa das províncias de Cantão e Fujian 福建, chegando à cidade de Amoy (Xiamen 廈門). Na viagem de regresso, o navio ancorou ao largo de Hong Kong. Borget passou vários dias a fazer esboços na ilha de Hong Kong (que viria a ser colonizada pelos ingleses três anos mais tarde) e foi recebido com grande hospitalidade pelos aldeões. Um dos seus temas na ilha, que ele veio a incluir no livro La Chine et les Chinois, era um aqueduto de bambu que transportava a água através do vale. Entre o princípio de Setembro e o fim de Outubro, Borget visitou Cantão: andou pelas ruas da cidade, visitou os templos e, em certa ocasião, fez uma viagem ao campo pelo rio e pelo canal. Mas durante a maior parte do resto da sua estadia na costa da China, Borget viveu em Macau. Borget achava Macau especialmente simpático. Assentou aqui arraiais durante seis meses, contratou um criado e, a certa altura, teve esperanças de aqui ficar por um período mais longo. Quem já era residente de Macau era George Chinnery, o artista inglês que chegara às costas da China treze anos antes; Chinnery esboçou um retrato de Borget e os dois artistas trocaram desenhos. É provável que Borget tenha desfrutado bastante da companhia de Chinnery durante a estada de seis meses do francês em Macau, pois os seus desenhos daqui (e da Índia) foram evidentemente influenciados pelo estilo fluente de desenhista de Chinnery. Apesar disso, ele manteve o seu próprio estilo de desenho, em muitos aspectos. Ao contrário de Chinnery, ele usava muitas vezes papel escurecido e uma base branca para realçar os pontos luminosos. Usava frequentemente um sombreado meticuloso, feito com um lápis mole, e fez numerosos desenhos a lápis que são pequenos, mas acabados com o maior cuidado. Muitos dos seus desenhos e pinturas estão assinados ou “A.B”, ou com o seu nome completo. Os seus temas vão desde as pessoas que ele encontrava na rua e nas praias (pescadores, mercadores, vendedores, jogadores) a procissões e funerais, figueiras da Índia e bananeiras, o teatro de fantoches e as moradias dos boat-people, os quais eram muitas vezes feitas de barcos reconstruídos e adaptados para serem ocupados em terra. Borget impressionou-se sobretudo com o templo de A-Ma (Mage Miao 媽閣廟), perto do extremo da península. O templo é descrito como “a maior maravilha que já vi […]. Tenho a certeza que não há estrutura mais notável em qualquer outra parte da China”. Segundo escreveu, visitava o templo quase todos os dias, e admirava a sua arquitectura e também a sua situação numa encosta arborizada. Aspectos exteriores e interiores deste templo foram reproduzidos no volume La Chine et les Chinois, publicado após o seu regresso a França. Fez várias pinturas a óleo da área entre o templo e o mar, apinhadas de gente que se entregava a toda a espécie de actividades. Um destes quadros “Vista de um grande templo chinês em Macau”, esteve exposto no Salão de Pintura de Paris, de 1841, e foi comprado pelo rei Louis Philippepara o palácio de Neuilly, sendo vendido em 1853 e, finalmente, adquirido pelo Museu da cidade de Bourges, em 1970. É possível que o artista traficasse ópio (ou, pelo menos, quisesse fazê-lo), uma vez que fez a seguinte observação críptica numa carta a Balzac: “Se não fosse o con¬trabando de ópio não teria havido guerra, e se não tivesse havido guerra eu não teria saído de Macau com 30, 40 ou 50.000 francos”. Um cronista do final do século XIX, afirmou mesmo que Borget estava envolvido numa missão secreta à China, com o fim de enviar ao rei Louis Philippe informações sobre a Guerra do Ópio. Isto, sugeriu-se, explicava o facto de o rei ter comprado muitas pinturas de Borget quando este regressou a França e também a dedicatória do volume de cenas da costa da China de Borget a Louis PhilipPadre Seja ou não verdade, o facto é que a visita de Borget à costa da China aconteceu numa época de tensão internacional galopante. Foi durante a estadia de Borget, em Macau, que o Comissário Imperial Lin Zexu (林則徐) obrigou os mercadores ocidentais a entregarem grandes quantidades de ópio, e, no dia 27 de Maio de 1839, a maior parte dos navios ocidentais já tinham partido do Rio das Pérolas. Em meados de Junho, Borget ousou visitar o acampamento das tropas chinesas do outro lado das Portas do Cerco, no istmo de Macau. Um esboço da cena, e a litografia que daí resultou, mostra soldados chineses a praticarem artilharia, enquanto outros preparam comida ao lado das tendas. Confrontado com a probabilidade de um combate armado, Borget acabou por embarcar para as Filipinas. Ficou em Manila de 28 de Julho a 5 de Agosto, e seguiu depois viagem para Calcutá, via Singapura. Ali executou um número de obras, pintando velhos edifícios e a vegetação luxuriante em torno da cidade. Em Calcutá conheceu William Prinsep, comerciante, artista amador e anterior patrono de Chinnery; Borget já tinha sido apresentado a Prinsep no Outono anterior, em Macau, onde Prinsep admirara os desenhos do artista francês da China e da América do Sul. Contudo, Borget adoeceu em Calcutá e foi tratado pela mulher de Prinsep. Parece que Borget foi directamente da Índia para França, tendo chegado à pátria em Julho de 1840. Em Paris foi-se instalando em sucessivos ateliês, que decorava num estilo exótico e mobilava com peças chinesas que tinha comprado em Macau. Em 1841 Borget recebeu do director da fábrica real de porcelana de Sèvres o encargo de executar um conjunto de seis pequenos quadros ilustrando a vida chinesa. Estes quadros foram usados na decoração de um “gabinete chinês”, que foi completado em 1884 e exposto no Louvre. Mais tarde, este gabinete foi oferecido por Napoleão III a Carlos XV da Suécia. O seu volume La Chine et les chinois, publicado em 1842, incluía 32 litografias a duas tintas por Eugène Cicéri, com paisagens de Macau, de Cantão e arredores. Os quadros são acompanhados por excertos das cartas de Borget escritas em Macau, as quais mostram uma atitude de apreço em relação à cultura e costumes chineses (uma qualidade pouco habitual num estudo europeu da China, naquela época). O livro foi extensamente recenseado por Balzac: “Um francês na China. Um artista! Um observador! Quem é?”, assim começava a recensão. Embora o próprio Balzac fosse ambivalente acerca da arte do amigo, as pinturas de Borget foram largamente referenciadas, entre outros, por George Sand, Théophile Gautier e Charles Baudelaire. Para além das suas próprias publicações, os desenhos de Borget foram reproduzidos em muitas outras obras. Seis das paisagens de Macau, Hong Kong e Cantão foram copiadas e adaptadas, sem referência, pelo artista inglês Thomas Allom, como gravuras da popular obra China, in a series of views, com texto de George N. Wright, publicada em Londres em 1843. E 215 das cenas da vida chinesa de Borget – incluindo algumas que Borget não pode ter testemunhado – apareceram em 1845, como vinhetas, em La Chine Ouverte (1845). Serviram para ilustrar as aventuras de um irlandês imaginário, criado por Paul-Emile Forgues, sob o pseudónimo de “Old Nick”. À falta de outros artistas viajantes na China, a reputação de Borget como perito em assuntos chineses continuou muito para além do seu regresso do Oriente. Em 1848 ele recebeu um pedido para pintar a chegada a Macau do enviado francês, Théodose de Lagrené, para negociar um tratado com a China – algo que ocorrera em 14 de Agosto de 1844. Entre 1841 e 1849, Borget expôs os seus quadros anualmente nos Salons de Paris, todos (35 obras) com temas do Oriente ou da América do Sul. Outras três obras suas foram expostas nos Salons de 1857 e 1859, e muitas outras foram expostas em outros lugares de França. Em 1850-1851 saiu de Paris e foi viver para Bourges. Nos últimos anos da sua vida abraçou a religião, queimou a sua correspondência com Balzac e dedicou-se a ajudar os pobres. Bibliografia: BORGET, Auguste, La Chine et les Chinois, (Paris, 1842); BORGET, Auguste, Fragments d’un Voyage autour du Monde, (Paris, 1845); CAZÉ, Sophie; STAVRIDES, Loïc; DEBRAY, Cécile (eds.), Auguste Borget, Peintre-voyageur autour du Monde. Dessins et Peintures, (Issoudun, 1999); HUTCHEON, Robin, Souvenirs of Auguste Borget, (Hong Kong, 1979); JAMES, David, “The Traveller Auguste Borget”, in Gazette de Beaux Arts, n.° 46, (Paris, 1955).

1849

BORJA, CONSELHEIRO CUSTÓDIO MIGUEL DE (1849-?). Nasceu em Amora, Almada, em 25 de Dezembro de 1849. Oficial da armada, comandante da polícia de S. Tomé (1875), secretário geral do governo (1877/1881) e governador da ilha do Príncipe, cargo de que não chegou a tomar posse. Eleito deputado por aquela ex-colónia portuguesa, a ela regressou como governador em 1884, mantendo-se no cargo até 1886. Governador de Macau e Timor (1890/1894). Governador de Angola (1904). Exerceu ainda os cargos de ajudante de ordens dos reis D. Luís, D. Carlos e D. Manuel. Ministro plenipotenciário de Portugal junto das cortes do Japão, China e Sião, e adido militar em Paris e Londres (1897). Director do jornal Correio da Manhã. Iniciado em Lisboa em 1867, viria a liderar uma cisão na maçonaria portuguesa que conduziria a formação do Grande Oriente de Portugal (GOP), em 1897. Foi o segundo e último grão-mestre do GOP (1903/1904) que entretanto se dissolveria, reintegrando-se no Grande Oriente Lusitano Unido de onde tinha saído. Reformado em 5 de Novembro de 1910 no posto de vice-almirante, faleceria em 25 de Novembro de 1911. Nomeado governador de Macau, chegou ao Território e tomou posse do cargo no dia 16 de Outubro de 1890. Preocupado com o assoreamento do Porto Interior, principal porto comercial da colónia, tomou medidas imediatas para solucionar o problema. Para o efeito, mandou construir um istmo ligando a península de Macau à pequena Ilha Verde. Segundo o plano do governador, o istmo intensificaria a corrente do Rio das Pérolas, desassoreando assim o porto. O projecto foi iniciado onze dias apenas depois da chegada a Macau de Custódio Miguel de Borja e concluído em dois anos, orçando a obra em 23.800 patacas. A construção do istmo, para além da melhoria das condições do porto, permitiu também a construção posterior de aterros em torno, adicionando uma vasta área onde se erguem actualmente alguns dos mais populosos bairros de Macau. Concluída a obra, o governador concluiu também um polémico processo que se arrastava há varias décadas sobre a posse da Ilha Verde. O governador desapossou a Diocese e tornou a Ilha Verde propriedade do Estado. Durante o seu mandato, Custódio Miguel de Borja confrontou-se também com o problema dos monopólios atribuídos pelo estado. Para além de serviços públicos como a recolha de lixo e iluminação das ruas, diversas áreas industriais e comerciais eram concedidas a entidades privadas em regime exclusivo. A atribuição do monopólio da fabricação do vinho chinês liu-pun (liaoban 料半) a um comerciante de Hong Kong provocou em Abril de 1892 uma greve do sector, seguida de uma paralisação geral do comércio. A agitação social acalmaria no entanto ainda antes do Verão. Foi também durante o mandato de Custódio Miguel de Borja que Macau viu pela primeira vez uma ascensão em balão de ar quente. O autor da proeza foi o filipino Leo Hernandez, que, no dia 5 de Novembro, descolou do campo de ténis atravessando a cidade e percorrendo uma certa distância sobre o mar, após o que desceu de pára-quedas. O aeronauta repetiu a proeza na véspera de Natal desse mesmo ano. Porém, desta vez, o pára-quedas não abriu, pelo que teve de descer com o balão. Bibliografia: MARQUES, A. H. de Oliveira, Dicionário de Maçonaria, vol. I, (Lisboa, 1986); TEIXEIRA, Padre Manuel, Toponímia de Macau, vol. I, (Macau, 1979).

1877

O diplomata Alfredo Casanova nasceu no dia 27 de Maio de 1877. Alfredo Casanova iniciou a sua carreira em Madrid, como Vice-Cônsul, em 24 de Maio de 1901. Dois anos depois ocupou o lugar de Adido da Legação em Madrid, e em 1911 assumiu a gestão do consulado em Badajoz. Em 1912 chegou ao Oriente, Bombaim, onde foi Cônsul Geral. Mais tarde partiu para Banguecoque, onde, além de desempenhar as funções de Cônsul, foi acreditado como Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário junto do Rei do Sião, de 1 de Novembro de 1917 a 30 de Agosto de 1918. Depois de uma breve passagem pelo consulado de Vigo, Alfredo Casanova regressou ao Oriente para desempenhar as funções de Cônsul-Geral de 2.ª Classe no Consulado de Singapura (1919) e no de Xangai (1920). Em Xangai, desenvolveu uma intensa actividade junto da comunidade portuguesa residente naquela cidade chinesa, tentando construir um conjunto de infraestruturas de apoio ao quotidiano das famílias portuguesas. Por despacho ministerial de 26 de Março de 1922, foi nomeado delegado de Portugal na Conferência internacional da revisão das pautas alfandegárias da China. Deixou esta missão para se deslocar a Pequim, em comissão de serviço público, reassumindo as suas funções no dia 11 de Julho do mesmo ano. Alfredo Casanova foi promovido a Cônsul de 1.ª Classe por decreto de 11 de Fevereiro de 1925. Dos títulos honoríficos que acumulou ao longo da sua carreira política e diplomática destacam-se: Comendador da Ordem Militar de Cristo, da Ordem de Isabel a Católica de Espanha e da Ordem da Espiga de Ouro da China; Cruz de 1.ª Classe da Ordem do Mérito Naval de Espanha e Cruz de 2.ª Classe da Ordem do Mérito Militar de Espanha. Foi louvado, em 5 de Outubro de 1912, pelos relevantes serviços prestados durante o movimento monárquico na fronteira e, em 26 de Julho de 1915, recebeu um segundo louvor pelos serviços prestados na Índia Portuguesa. Bibliografia: Anuário Diplomático e Consular Português de 1925, (Lisboa, 1926); Anuário Diplomático e Consular Português de 1928-1929, (Lisboa, s.d.); TEIXEIRA, Padre Manuel, Portugal na Tailândia, (Macau, 1983).

1885

No dia 27 de Maio de 1885 António Alexandrino de Melo faleceu na sua casa da Calçada da Paz (reg. S. Lourenço). Sendo da 4ª geração da família macaense 'Melo', nasceu em S. Lourenço a 7 de Junho de 1837. Estudou no Colégio Jesuíta de Stonyhurst em Sussex e depois em França e em Roma, onde se aperfeiçoou em pintura e desenho. Regressou a Macau formado em engenharia e falando correctamente francês, inglês, italiano e espanho, além do chinês que dominava perfeitamente. Era único sócio da firma «A. A. de Mello&Cª», proprietário de 5 navios que faziam ligações regulares com Portugal, Brasil e Austrália. Foi um dos mais ricos comerciantes de Macau, mas sofreu um duro revés com a instalação dos ingleses em Hong Kong, Levado por dificuldades financeiras, acabou por vender em hasta pública a casa da Praia Grande que foi comprada pelo Governo. Consta também, por tradição familiar que me foi transmitida pessoalmente por um dos descendentes e confirmada por outros, que a sua ruína se ficou a dever à conjugação de três factores ocorridos quasi em simultâneo: a derrota dos carlistas em Espanha, em cuja causa ele investira fartos capitais, o afundamento de dois barcos seus carregados de mercadorias e uma enorme dívida ao jogo nos casinos de Mónaco. 2º baraão de Cercal, por decreto de 10.9.2863. Fidalgo cavaleiro da Casa Real, por alvará de 13.2. 1867. Foi cônsul de Itália (1869), vice-cônsul de França (1872), cônsul do Brasil (1875) e cônsul da Bélgica (1876). Vogal efectivo do Conselho do Governo (1869-1871), juiz substituto da comarca (1870), vogal do Conselho Técnico de Obras Públicas (1873), director das Obras Públicas, presidente da comissão administrativa da Santa Casa da Misericórdia (1875) e tenente-coronel comandante do Batalhão Nacional de Macau, desde 1869 até morrer. Como engenheiro, projectou os seguintes edifícios em Macau: Palácio do Governo, Santa Sancha, Hospital de S. Januário (posteriormente demolido), Cemitério de S. Miguel, Capitania dos Portos (Quartel dos Mouros), Grémio Militar e a renovação do Teatro D. Pedro V.

1910

No dia 27 de Maio de 1910, adquiriram, em Timor, 3 quilos de semente de palavão branco e preto, a fim de serem plantados nos montes das ilhas da Taipa e Coloane.

1922

Pela Portaria N.º 219 de 27 de Maio de 1922, são aprovados os regulamentos do Grémio de Operários Sapateiros, Gémio de Operários Fabicantes de Vinho, Grémio de Empreiteiros e Operários de Construções, Grémio de Operários Pedreiros, Grémio de Operários Pintores, Grémio de Operários Fabricantes de Panchões, Grémio de Operários Fabricantes de Conservas, Grémio de Operários Fabricantes de Pivetes, Grémio de Empregados das Lojas de Carnes Verdes, Grémio de Operários das Firmas Fabricantes e Negociadores de Achares.

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