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Carlos Spínola, missionário, cientista, superior, mártir. Os autores, incluindo J.F. Schütte, dizem geralmente que nasceu em Génova, e há quem escreva o nome de Tassarolo e até Praga mas, segundo Sommervogel, nasceu em Madrid. Carlos, filho de Octávio, do ramo dos Condes de Tassarolo e cavalariço-mor do emperador Rodolfo, nasceu em Janeiro/Fevereiro de 1565. Em nenhuma das suas muitas cartas alude quer à mãe, quer a eventuais irmãos. Aprendeu as suas primeiras letras na casa paterna de Madrid, e, cerca de 1573, começou a estudar gramática no colégio dos nobres de Madrid. Aos 10 ou 11 anos, foi para Nola, Itália, sob a protecção do seu tio Filipe Spínola, bispo da cidade. Em Nola, e directamente no colégio dos jesuítas de Nápoles, continuou os seus estudos, incluindo as matemáticas e a astronomia. Bartolomeu Ricci, reitor do colégio de Nola, vaticinou-lhe que viria a entrar na Companhia de Jesus e que iria para o Japão como missionário, acrescentando um terceiro vaticínio que Carlos guardou secreto, mas os seus companheiros de missão entenderam que se referia ao seu martírio. Com efeito, Carlos ingressou no noviciado de Nola, a 23 de Dezembro de 1584, “de dezanove pera 20 annos de idade”. Em Janeiro de 1586, transferiram-no para Lecce, como professor de gramática latina, mas a sua saúde ressentiu-se e, em Novembro, voltou para Nápoles. No dia de Natal, fez os votos do biénio e começou o estudo da filosofia (Lógica). Na primavera de 1587, adoeceu com tuberculose e, em Outubro, terminou com esforço o primeiro curso. Chamado pelo geral Cláudio Aquaviva a Roma, “se entretuvo estudiando matemática durante algún tiempo con el padre Cristóvão Clavio”. Em 1588, retomou a filosofia no colégio universitário de Brera, Milão. Em 1590, ensinou gramática durante um ano e, de 1591 a 1594, fez quatro cursos de teologia, enquanto ensinava matemática na cátedra universitária fundada pelo cardeal-arcebispo Carlos Borromeo. Dirigiu, simultaneamente, a Congregação de Nossa Senhora. Ordenado sacerdote, em 1594, foi enviado pelo geral a Cremona para preparar a fundação de uma residência jesuítica e, nesta cidade, foi notificado de que estava destinado à missão do Japão. Em 1595, voltou ao colégio de Milão e dali foi para Génova, para se despedir dos seus íntimos e seguir por mar para Barcelona. Atravessou a Península Ibérica para chegar a Lisboa antes da partida da frota, que zarpava na primavera para a Índia. A 10 de Abril de 1596, Spínola, Jerónimo de Ángelis e outros jesuítas saíram do estuário do Tejo mas, por alturas da ilha de Tristão da Cunha, os ventos desviaram as naus para o Brasil. A 21 de Agosto de 1597, depois de uma escala em Borinquen (Porto Rico), zarparam de volta para a Europa. A 17 de Outubro, foram aprisionados por corsários ingleses, próximo da ilha de Santa Maria, arquipélago dos Açores, e levados para Inglaterra. Dali, partiram livres para Lisboa, a 10 de Janeiro de 1598. Antes da sua partida definitiva para a Índia, na primavera de 1599, deixou em Lisboa outra marca da sua devoção mariana, como o havia feito em Milão, instituindo “a Congregação de N. Sra. dos Estudantes”. Chegou a Goa em Agosto e a Macau no mesmo mês de 1600. Em Novembro de 1600, um incêndio destruíu a igreja e o colégio desta cidade, e o reitor Manuel Dias encarregou-o dos planos para a nova igreja. Spínola pôs-se a trabalhar sem esperar pela vinda do vice-provincial Francisco Pasio, que chegou em Março de 1601. Este apreciou o trabalho de Spínola e deu-lhe imediatamente o cargo de procurador da Província do Japão em Macau. A igreja foi inaugurada na noite de Natal de 1603, mas Spínola não viu terminada a sua obra, pois em Julho de 1602 havia seguido para o Japão. A sua estadia em Miyako foi proveitosa. Em 1605, Spínola ofereceu-se para ir para a Coreia para fundar uma nova missão e o vice-provincial aprovou, mas encontrou a oposição do embaixador do rei da Coreia. Nesse ano, concluíu-se a nova igreja de Miyako, em cuja construção Spínola interveio, tal como cinco anos antes na de Macau. Disto, apenas nos ficaram as notícias que ele próprio escreveu em cartas de tom pessoal. Bento Fernandes limita-se a dizer, em termos modestos, que Spínola esteve en Miyako, “donde por espaço de alguns sete annos servio de ministro daquella casa reitoral, ajudando muito ao edifício que então se fes”. Era “el Edifício” por antonomásia, construído dois anos depois da chegada de Spínola a Miyako. Os superiores, especialmente Pedro Morejón, não ignoravam o renome que a ciência de Spínola dava à Igreja na capital do Japão mas, em 1611, os superiores chamaram-no a Nagasáqui como procurador da missão. Aqui, teve oportunidade de anotar as suas observações do eclipse da lua de 8 de Novembro de 1612, as últimas notícias que nos deixou sobre o seu trabalho científico. Em Fevereiro de 1614, Tokugawa Hidetada decretou a expulsão dos missionários e proscreveu a religião católica. Spínola foi um dos 28 jesuítas que iludiram o desterro, e foi nomeado superior e substituto do vigário episcopal, Valentim Carvalho, na zona de Shimo (Kyosho). A 13 de Novembro de 1618, foi preso em Nagasáqui e, a 16, levaram-no para a prisão de Suzuta, Omura, onde foi mestre de noviços de 4 dōjukus, também encarcerados. A 15 de Fevereiro de 1620, terminou a Informação da morte no cárcere do irmão Ambrósio Fernandes e, a 8 de Setembro de 1622, escreveu as suas últimas cartas ao visitador Jerónimo Rodriguez e aos cristãos de Nagasáqui. Dois dias depois, a 10 de Setembro de 1622, Spínola morreu queimado vivo com outros vinte e dois mártires no Grande Martírio de Nagasáqui depois de, no mesmo lugar, haverem sido decapitados diante dos seus olhos outros 30, entre homens, mulheres e crianças. [J.R.M.] Bibliografia: BOERO, Giuseppe, Vita del B. Carlo Spinola, martire della Compagnia di Gesà, scritta dal P. Fabio Ambrogio Spiínola, (Roma, 1869); COOPER, Michael, Rodrigues the Interpreter, (Nova Iorque; Tóquio, 1974); RUIZ-DE-MEDINA, Juan, “Un Jesuita de Madrid Arquitecto de la Iglesia de São Paulo, Macao”, in Revista de Cultura, n.º 21, (Macau, 1994), pp.36-49; SCHÜTTE, Joseph F. (ed.), Introductio ad historiam Societatis Jesu in Japponia. 1549-1650, (Roma, 1968);VOLPE, Michele, I Gesuiti nel Napoletano, 2 vols., (Nápoles, 1914).
No dia 24 de Junho de 1622, retumbante vitória definitiva alcançada por Macau sobre os holandeses comandados por Kornelis Reyerszoon que, com 15 navios e 800 homens, pretendeu tomar a cidade. O inimigo foi completamente desbaratado ante o indómito esforço dos macaenses, capitaneados pelo denodado herói Lopo Sarmento de Carvalho. Colaboração do Pe. Rho S.J. (de passagem em Macau) a partir da Fortaleza do Monte, e protecção do Santo do Dia, S. João Baptista. Passou a ser celebrada esta data como Dia da Cidade. (Cfr. Relação a ... El Rei Filipe terceiro nosso senhor das couzas que sucederão na cidade de Macao porto da China. Feita pelos moradores e Cidadãos della no anno de 626. Macau, 1626. Biblioteca da Ajuda, Jesuítas na Ásia, cod. 49-V-6. pp. 85-88 e 163); existe também uma Relacion de la victoria…, em castelhano, que começa com “Este año de 1622 benieram los Olandeses...”, escrita com letra contemporânea, Códice CXVI/2 -11, nº 38, BP/ AD Évora. [Esta Relação tem duas observações, uma dando-lhe fé, outra designando-a de falsa...]. No ataque holandês em Macau, felizmente para a cidade, perderam a vida apenas quatro portugueses e dois espanhóis de um pequeno destacamento das Filipinas. Houve, sim, vinte feridos, mas do lado invasor o resultado foi o seguinte: 300 perdas humanas, 8 prisioneiros, perda de 10 bandeiras, um canhão, mais de 500 espingardas (que abandonaram na fuga), um navio de guerra, duas lanchas e material diverso. (Cfr. Pires, S. J. Padre Benjamim Videira. Taprobana e mais além … Presenças de Portugal na Ásia. Instituto Cultural de Macau. Macau, 1995, p. 236).
No dia 10 de Setembro de 1791, chega a Macau o navio Bom Jesus do Alem, trazendo a bordo D. Fr. Marcelino José da Silva, Bispo de Macau (1789-1803) e os padres Domingos Joaquim Ferreira e José Nunes Ribeiro, ambos lazaristas, (ambos professores no Seminário de Macau), o vigário-geral, Pe. José do Espírito Santo Ferreira Baptista e Fr. António, O.F.M.; e os seminaristas José Pereira, natural de Pedrógão, que celebrou a 1.ª missa no Seminário em 1802 e regressou à metrópole com o Bispo em 1803; e José Pinto que, depois de estudar no Seminário, partiu para Pequim a 18-1V-1792, com Fr. António e Francisco Calado; este era macaense, tendo entrado no Seminário em fins de Julho de 1784. O capelão do navio era o Pe. Apolinar. D. Marcelino José da Silva - O. M. S. Bento de Aviz - Eleito Bispo de Macau em 1789; confirmado por Pio VI (1789) e sagrado em Lisboa (1790). Chegou a Macau em 1791. Intenta, sem grande sucesso, reformar os maus costumes na sua Diocese. Retira-se, desgostoso, em 1802, resignando pouco depois.
No dia 10 de Setembro de 1885, a Horta da Mitra e a Horta de S. Paulo, consideradas em condições higiénicas insalubres, constituindo focos de infecção, são objecto de projectos das Obras Públicas, tendo por finalidade instalar os melhoramentos necessários para cercear ali tais perigos contra a saúde pública. A urbanização da Horta da Mitra - abertura de ruas, canalização e valetas - é o teor da Portaria Provincial n.º 78 de 21 de Setembro do corrente ano.
No dia 10 de Setembro de 1913, faz-se público que se procederá a arrematação em hasta público, por licitação verbal, das seguintes obras: Melhoramento no Hospital Militar de S. Januário- transformação da actual cozinha em casa de banho e retretes - canalização de esgotos e saneamento; Construção da Estação de Segurança Pública do Tanque do Mainato (Avenida República); Construção do colector no prolongamento da entrada do Repouso (da Estrada Coelho do Amaral à Rua da Barca); Drenagem e pavimentação da nova Rua de S. Domingos (da Rua do Hospital à Travessa da Sé); Construção dum caminho entre a Rampa da Guia e o Reservatório da Zona Alta
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