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Trata-se de um significativo conjunto de cerca de seis mil folhas manuscritas, cronologicamente situadas, na sua grande maioria, entre meados do século XVIII e a primeira metade da centúria seguinte. A temática desta documentação diz respeito às relações entre as autoridades portuguesas e chinesas a propósito do território de Macau, versando múltiplos e variados temas, no âmbito dos contactos ofic

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1587

No dia 10 de Janeiro de 1587, antes mesmo de criado o Regimento, Alexandre Rebelo foi nomeado Ouvidor de Macau, por carta régia. (Cfr. Beatriz Basto da Silva, Cronologia da História de Macau. Macau, Livros do Oriente, vol. I, 3.ª ed., 2015. 1587. Fevereiro, 16).

1587

No início do século XIII, Domingos de Gusmão fundou uma ordem religiosa e minentemente apostólica: a Ordem dos Pregadores, uma dádivado Espírito Santo à Igreja, ao serviço da evangelização dos povos. Imitando os apóstolos na pobreza e na pregação itinerante, São Domingos de Gusmão e os seus frades consagraram-se ao ministério da Palavra, anúncio da salvação. O frade pregador deve ir pregar o evangelho por toda a parte. Não deve esperar que venham até ele. Esta projecção apostólico-missionária marca de tal modo o estilo e a especificidade da vida dominicana que a expansão da ordem dos Pregadores correspondeu, desde o seu início, ao fervor missionário dos seus religiosos. O ideal que Domingos não logrou desenvolver pessoalmente no serviço missionário a todas as igrejas e a todos os povos, conseguiu, porém,incutir maravilhosamente nos seus filhos, discípulos e sucessores. Cinco anos após a confirmação da sua ordem por Honório III, os frades pregadores, movidos pela sua vocação apostólica, haviam-se espalhado por toda a Europa e, em finais do século XIII, já havia sido erigida a Congregação dos Irmãos Peregrinos, exclusivamente dedicada à evangelização das gentes, cujo campo de acção iria ser o Oriente (Próximo e Extremo) e a África. Antes do final da Idade Média, em meados do século XIV, surge um novo movimento missionário de grande importância, em direcção aos países do Extremo Oriente, entre os dominicanos portugueses, que, seguindo a rota dos exploradores de Portugal, expandiram o seu campo missionário pelos mapas de África, da Índia, de Ceilão, de Malaca, …, tendo estabelecido a sua sede central em Goa.Trata-se da Congregação da Santa Cruz das Índias Orientais, que nos traz à memória a Congregação dos Irmãos Peregrinos de finais do século XIII, e prenuncia o que virá a ser a Província Missionáriade Nossa Senhora do Rosário. Esta Província nasceu em 1587 e tinha como vocação específica a evangelização da China e dos povos vizinhos. Por destino histórico, Manila veio a tornar-se o centro das suas operações apostólicas, e as Ilhas Filipinas, a China, o Japão, o Vietname e a Formosa os campos da sua itinerância evangélica durante quatrocentos anos. – I.Dominica nos: de Acapulco a Macau. Estava-se na segunda quinzena de Agosto de 1587. O patacho San Martín, após cinco meses de travessia pelo Pacífico, aproximava-se de Macau, seu porto de destino, quando foi surpreendido for um forte temporal e arremessado para a costa da China, tendo ficado completamente destruído. Salvaram-se tripulantes e passageiros, entre os quais se encontravam três dominicanos espanhóis: os padres Antonio Arcediano, Alonso Delgado e Bartolomé López,que íam acaminho de Macau na esperança de ali encontrarem porta aberta para iniciarem o seu apostolado na evangelização da China. Os frágeis náufragos foram acolhidos por um chinês gentil, rico em bens de fortuna e em virtudes naturais, que os recebeu generosamente e lhes ofereceu inclusivamente os seus bons préstimos para interceder perante o vice-rei chinês no sentido de este lhes permitir que se estabelecessem na China e pregassem o evangelho. Tendo aceitado a oferta, e enquanto eram feitas as diligências necessárias para obter a autorização do vice-rei, os frades e os seus companheiros de naufrágio dirigiram-se para Macau, tendo chegado à colónia lusitana a 1 de Setembro de 1587. Os 15 dominicanos, que formavam o núcleo central de uma nova fundação missionária consagrada à evangelização da China e reinos vizinhos, foram mais afortunados na travessia do Pacífico. Saíram de Acapulco, no México, no dia 6 de Abril de 1587 e chegaram a Cavite, nas Filipinas, a 22 de Julho e, três dias depois, a Manila, onde foram fraternalmente recebidos pelo seu irmão na religião, o excelentíssimo Padre D. Domingo Salazar, O.P., pri- meiro bispo das Filipinas. Os três dominicanos que haviam saído de Acapulco com destino a Macau a 3 de Abril constituíam a guarda-avançada desta nova fundação missionária que procurava, na colónia lusitana da China, um porto seguro deligação entre Manila e a China e uma base estável com vista à expansão do seu apostolado na China continental. –II.Dominica nos em Macau. Os frades de São Domingos foram recebidos em Macau pelos padres agostinhos que, praticamente só um ano antes (1 de Nov. de 1586), haviam logrado fundar um convento que lhes franqueasse a entrada na China. Na ausência do bispo, D. Leonardo de Sá, que se encontrava por aquela altura em Goa, o Provisor da diocese favoreceu os dominicanos com adoação de umas casas onde puderam alojar-se imediatamente. As cláusulas desta doação determinavam que a nova igreja levasse a advocação de Nossa Senhora do Rosário e que os frades se comprometessem a rezar anualmente as três missas do Natal em intenção do ofertante. Os frades aceitaram ao ferta a 16 de Outubro e, oito dias mais tarde, ambas as partes assinavam o contrato. Esta fundação de Macau foi oficialmente reconhecida Província no Primeiro Capítulo celebrado em Manila a 10 de Junho de 1588, tendo o padre Antonio Arcediano sido instituído vigário da casa de Macau, para a qual foram designados os padres Alonso Delgado e Bartolomé López. Esta recepção por parte do governo lusitano provocou principalmente oposição e resistência. Mal foi conhecida a chegada dos náufragos castelhanos, brotaram em força na colónia os já tradicionais receios que os portugueses alimentavam em relação aos espanhóis e começaram de imediato a organizar-se reuniões do Conselho da cidade para decidir a sorte dos três dominicanos e dos seus companheiros de viagem. Os mais exaltados pediam a expulsão destes sem demora, enquanto que a maioria propunha que o caso fosse enviado para o Vice-Rei da Índia, cuja decisão seria acatada. As medidas que foram tomadas em relação a este assunto tão espinhoso foram de tal modo rápidas que, em Março do ano seguinte (1588), chegavam a Macau as cartas do Vice-Rei português da Índia, nas quais se dispunha que os frades de São Domingos e os seus companheiros de naufrágio, por serem castelhanos, fossem desterrados para Goa, sem que lhes fosse permitido viajarem até Manila. Era também estabelecido que as propriedades dos religiosos fossem entregues aos dominicanos portugueses da Congregação da Santa Cruz das Índias. Assim terminavam as primeiras tentativas dos dominicanos espanhóis para fundarem uma missão em Macau. Todavia, nem tudo foi fracasso. Deixaram em Macau a sua pequena igreja de madeira dedicada à Virgem do Rosário, o seu singelo convento e os rudimentos de uma escola de Gramática. E, zelando por este pequeno tesouro até à chegada dos dominicanos portugueses, ali ficava o Padre António de Santa Maria, mestiço sino-português, sacerdote secular que, atraído pela austeridade da vida monástica e pelo zelo apostólico dos dominicanos, se havia incorporado na comunidade, tendo recebido, graçasàhabi- lidade do padre Arcediano, o hábito dos frades pregadores. – III. Dominicanos e a Procuração das Missões em Macau. A fundação da Procuração das Missões Dominicanas em Macau coincide com a restauração das missões na China. Com o martírio do bispo Pedro M. Sanz, a 26 de Maio de 1747, e o dos padres Serrado, Alcober Díaz y Royo, a 28 de Outubro do ano seguinte, a perseguição havia terminado com o apostolado dos dominicanos espanhóis na China. Restava apenas na missão o infatigável e heróico padre Juan Fung de Santa María, dominicano chinês, o qual pedia com insistência, na sua correspondência com os superiores de Manila, o envio de novos operários evangélicos. Devido à perseguição, a restauração da missão teve de esperar até 1753, ano em que foram destinados à China os padres espanhóis DiegoTerradillos e Domingo Castanedo e os padres chineses Pedro Nien de Santo Domingo e Simon Lo del Rosario. Saíram de Manila a 10 de Janeiro de 1753, chegando a Macau a 28 dos mesmos mês e ano. Os quatro novos missionários conseguiram entrar na missão de Fujian a partir da colónia lusitana, por diversas vias e em diferentes datas no ano seguinte, apesar da apertada vigilância das autoridades chinesas para impedir a todo o custo a entrada de estrangeiros na China. O segundo reforço, também de quatro missionários, chegou a Macau a 14 de Novembro de 1754. Tratava-se dos padres Manuel Díaz, Antonio Lotranco, Pedro Feliu e Vicente Ausina, este último com o Procurador das Missões. A restauração da missão pedia também uma casa-procuração onde pudesse receber os novos missionários, atender os doentes e acolher os desterrados em caso de perseguição. Esta fundação era tão necessária e urgente que o próprio Mestre Geraldos Dominicanos, padre Boxadors, em documento oficial de 13 de Dezembro de 1757, orde nava a fundação da Procuração dos Dominicanos em Macau, onde deveria de imediato residiro Procurador das Missões da Provínciade Nossa Senhorado Rosário, sem que qualquer autoridade,incluindo a do Provincial, pudesse retirar-lhe as funções sem prévia nomeação de um substituto. Esta ordenação do Mestre Geral foi cumprimentada pelo Capítulo Provincialde Manilade 1759, que instituíu o padre Vicente Ausina Procuradordas Missões Dominicanasda Chinaede Tonquim (Vietname), com residência no convento dos dominicanos portugueses de Macau. As primeiras medidas toma das pelo Procuradordas Missões Dominicanas tiveram por objectivo a compra de locais apropriados para o desempenho das suas funções. Comprou primeiro – desconhece-se a data – a casa do falecido cónego Manuel José Caldeira, situada junto da Igreja-Catedral e, em 1760, algumas vivendas situadas em frente da porta traseira do convento de São Domingos. Os cinco procuradores que lhe sucederam nas funções até ao final do século, aproveitando as possibilidades de entrada de missionários na China que Macau lhes oferecia, apesar do rigor da perseguição, conseguiram manter, em média, oito missionários na missão de Fujian 福建e um número ainda maior na deTonquim. Durante a sua permanência em Macau, foram bem acolhidos pelos seus irmãos dominicanos portugueses e não lhes foram impostas quaisquer restrições por parte das autoridades, quer civis quer eclesiásticas, até 1778, ano em que D. Alexandre da Silva Guimarães, Bispo-Governador de Macau, expulsouo procurador dos dominicanos, padre Antonio Robles. Já antes de ser governador, e em virtude dos poderes do Padroado de Portugal, o bispo Alexandre havia proibido a entrada de missionários estrangeiros que não houvessem previamente jurado fidelidade ao rei de Portugal e ao arcebispo de Goa. Esta disposição afectava principalmente os procuradores da Propaganda, das Missões Estrangeiras de Parise das Missões Dominicanas. O padre Robles negou-se a prestar tal juramento e, por esse motivo, foi expulso da colónia lusitana. A 8 de Março de 1778, antes de partir para Manila,o padre Robles entregou a administração dos negócios da Procuração ao irmão franciscano Martín Paláu. A 1 de Janeiro de 1781 chegou a Macau o padre José Lavilla, que exerceu as funções de procurador durante três anos. As disposições relativas ao juramento de fidelidade ao rei de Portugal continuavam em vigor, apesar da partida do bispo Alexandre para Lisboa em 1780, e o padre Lavilla, homem de carácter forte, não tendo nunca conseguido entender-se com os portugueses, voltou para Manila em Maio de 1784. Entretanto, o rei de Espanha havia encarregado um embaixador em Lisboa de negociar com o Governo português a autorização de residência em Macau para os procuradores dos religiosos espanhóis e de passagem para a China para os missionários. Esta intervenção do embaixador de Espanha teve como resultado a promulgação em Lisboa de novas disposições favoráveis à petição da Corte de Madrid, mediante as quais era concedido aos missionários espanhóis, semque, para tal, fossem obrigados a prestar juramento de fidelidade à Coroa de Portugal, o direito de residência em Macau e de passagem para a China. Em Outubro de 1786, o padre Manuel Corripío partiu de Manila para Macau com ano meação de Procurador das Missões. Levava consigo a autorização dogovernador de Manila e a promessa de residência por parte do de Macau, transmitida a Manila pelo irmão franciscano Martín Paláu. Com a chegada do padre Corripío à colónia lusitana,começouasegundaetapadahistóriadaPro- curaçãodos Dominicanos em Macau que se prolongou até 1861. A casa-procuração, independente do conventodos dominicanosp ortugueses, estava agora situada por trás do Seminário de São José, na praceta que fica defronte da igreja de Santo Agostinho. Os treze procuradores que serviram as missões da China e de Tonquim durante este meio século viram-se obrigados a limitar o seu trabalho de procura dores ao envio de ajuda material às missões do interior, uma vez que, devido às perseguições e à muita vigilância de portos e fronteiras, foram muito poucos os missionários vindos de Manila que chegaram a Macau a caminho das missões. Dedicaram um esforço especial à recolha de fundos, através de obras pias e dedonativos, para custear os gastos da formação de catequistas e para a fundação dos seminários de Kesen, de Amoy (Xiamen廈門) e de Fuzhou 福州. Os frutos de tantos trabalhos não tardaram em chegar, pois, em 1832, havia já sete sacerdotes que tinham feito os seus estudos no seminário de Santa Cruz de Kesen e, em 1860, o número de sacerdotes chineses na igreja de Fujian福建ultrapassava os 20. Concluímos esta informação sobre a Procuração das Missões Dominicanas em Macau com a lembrança nos tálgica de dois acontecimentos: a consagração de um bispo dominicano e a sepultura de outro. Na primavera de 1792 chegou a Macau, a caminho da missão da China, o padre Roque Carpena. Onze anos depois, altura em que era bispo de Macau o franciscano D. Manuel de S. Galdino, aquele vol- tava à mesma cidade para ser consagrado bispo de Fujian福建, a 23 de Janeirode 1803. Nopresbitério, diantedoaltar-mórda Igrejade São Domingos, des- cansam os restos mortais do excelentíssimo Padre Tomas Badia. Missionário na China durante dez anos, foi, em 1834, consagrado em Singapura bispo-auxiliar do Arcebispo de Manila, o agostinho Seguí. De saúde delicada, faleceu a 1 de Setembro de 1844, aos 33 a nos deidade, em Macau, onde esperava notificação oficial, por parte da Corte de Madrid, da sua nomeação para Manila. No enterro foram-lhe concedidas honras de realeza, tendo assistido aos funerais o Governador e o Senado, o enviado da China e a sua comitiva, os senhores bispos Borja e Mata, ocleroda cidade e uma grande multidão de fiéis. [A.S.] Bibliografia: FERRANDO, Juan, O.P., Historia de los PP. Do- minicosenlasIslasFilipinas,Japón,Chinas,Tung-KínyFormosa, (Madrid, 1871); GONZALEZ, José Maria, O.P., Historia de las Misiones Dominicanas en China, (Madrid, 1962); TEIXEIRA, Padre Manuel, Macau e a sua Diocese, vol. III, (Macau, 1957- 1961).

1598

Carlos Spínola, missionário, cientista, superior, mártir. Os autores, incluindo J.F. Schütte, dizem geralmente que nasceu em Génova, e há quem escreva o nome de Tassarolo e até Praga mas, segundo Sommervogel, nasceu em Madrid. Carlos, filho de Octávio, do ramo dos Condes de Tassarolo e cavalariço-mor do emperador Rodolfo, nasceu em Janeiro/Fevereiro de 1565. Em nenhuma das suas muitas cartas alude quer à mãe, quer a eventuais irmãos. Aprendeu as suas primeiras letras na casa paterna de Madrid, e, cerca de 1573, começou a estudar gramática no colégio dos nobres de Madrid. Aos 10 ou 11 anos, foi para Nola, Itália, sob a protecção do seu tio Filipe Spínola, bispo da cidade. Em Nola, e directamente no colégio dos jesuítas de Nápoles, continuou os seus estudos, incluindo as matemáticas e a astronomia. Bartolomeu Ricci, reitor do colégio de Nola, vaticinou-lhe que viria a entrar na Companhia de Jesus e que iria para o Japão como missionário, acrescentando um terceiro vaticínio que Carlos guardou secreto, mas os seus companheiros de missão entenderam que se referia ao seu martírio. Com efeito, Carlos ingressou no noviciado de Nola, a 23 de Dezembro de 1584, “de dezanove pera 20 annos de idade”. Em Janeiro de 1586, transferiram-no para Lecce, como professor de gramática latina, mas a sua saúde ressentiu-se e, em Novembro, voltou para Nápoles. No dia de Natal, fez os votos do biénio e começou o estudo da filosofia (Lógica). Na primavera de 1587, adoeceu com tuberculose e, em Outubro, terminou com esforço o primeiro curso. Chamado pelo geral Cláudio Aquaviva a Roma, “se entretuvo estudiando matemática durante algún tiempo con el padre Cristóvão Clavio”. Em 1588, retomou a filosofia no colégio universitário de Brera, Milão. Em 1590, ensinou gramática durante um ano e, de 1591 a 1594, fez quatro cursos de teologia, enquanto ensinava matemática na cátedra universitária fundada pelo cardeal-arcebispo Carlos Borromeo. Dirigiu, simultaneamente, a Congregação de Nossa Senhora. Ordenado sacerdote, em 1594, foi enviado pelo geral a Cremona para preparar a fundação de uma residência jesuítica e, nesta cidade, foi notificado de que estava destinado à missão do Japão. Em 1595, voltou ao colégio de Milão e dali foi para Génova, para se despedir dos seus íntimos e seguir por mar para Barcelona. Atravessou a Península Ibérica para chegar a Lisboa antes da partida da frota, que zarpava na primavera para a Índia. A 10 de Abril de 1596, Spínola, Jerónimo de Ángelis e outros jesuítas saíram do estuário do Tejo mas, por alturas da ilha de Tristão da Cunha, os ventos desviaram as naus para o Brasil. A 21 de Agosto de 1597, depois de uma escala em Borinquen (Porto Rico), zarparam de volta para a Europa. A 17 de Outubro, foram aprisionados por corsários ingleses, próximo da ilha de Santa Maria, arquipélago dos Açores, e levados para Inglaterra. Dali, partiram livres para Lisboa, a 10 de Janeiro de 1598. Antes da sua partida definitiva para a Índia, na primavera de 1599, deixou em Lisboa outra marca da sua devoção mariana, como o havia feito em Milão, instituindo “a Congregação de N. Sra. dos Estudantes”. Chegou a Goa em Agosto e a Macau no mesmo mês de 1600. Em Novembro de 1600, um incêndio destruíu a igreja e o colégio desta cidade, e o reitor Manuel Dias encarregou-o dos planos para a nova igreja. Spínola pôs-se a trabalhar sem esperar pela vinda do vice-provincial Francisco Pasio, que chegou em Março de 1601. Este apreciou o trabalho de Spínola e deu-lhe imediatamente o cargo de procurador da Província do Japão em Macau. A igreja foi inaugurada na noite de Natal de 1603, mas Spínola não viu terminada a sua obra, pois em Julho de 1602 havia seguido para o Japão. A sua estadia em Miyako foi proveitosa. Em 1605, Spínola ofereceu-se para ir para a Coreia para fundar uma nova missão e o vice-provincial aprovou, mas encontrou a oposição do embaixador do rei da Coreia. Nesse ano, concluíu-se a nova igreja de Miyako, em cuja construção Spínola interveio, tal como cinco anos antes na de Macau. Disto, apenas nos ficaram as notícias que ele próprio escreveu em cartas de tom pessoal. Bento Fernandes limita-se a dizer, em termos modestos, que Spínola esteve en Miyako, “donde por espaço de alguns sete annos servio de ministro daquella casa reitoral, ajudando muito ao edifício que então se fes”. Era “el Edifício” por antonomásia, construído dois anos depois da chegada de Spínola a Miyako. Os superiores, especialmente Pedro Morejón, não ignoravam o renome que a ciência de Spínola dava à Igreja na capital do Japão mas, em 1611, os superiores chamaram-no a Nagasáqui como procurador da missão. Aqui, teve oportunidade de anotar as suas observações do eclipse da lua de 8 de Novembro de 1612, as últimas notícias que nos deixou sobre o seu trabalho científico. Em Fevereiro de 1614, Tokugawa Hidetada decretou a expulsão dos missionários e proscreveu a religião católica. Spínola foi um dos 28 jesuítas que iludiram o desterro, e foi nomeado superior e substituto do vigário episcopal, Valentim Carvalho, na zona de Shimo (Kyosho). A 13 de Novembro de 1618, foi preso em Nagasáqui e, a 16, levaram-no para a prisão de Suzuta, Omura, onde foi mestre de noviços de 4 dōjukus, também encarcerados. A 15 de Fevereiro de 1620, terminou a Informação da morte no cárcere do irmão Ambrósio Fernandes e, a 8 de Setembro de 1622, escreveu as suas últimas cartas ao visitador Jerónimo Rodriguez e aos cristãos de Nagasáqui. Dois dias depois, a 10 de Setembro de 1622, Spínola morreu queimado vivo com outros vinte e dois mártires no Grande Martírio de Nagasáqui depois de, no mesmo lugar, haverem sido decapitados diante dos seus olhos outros 30, entre homens, mulheres e crianças. [J.R.M.] Bibliografia: BOERO, Giuseppe, Vita del B. Carlo Spinola, martire della Compagnia di Gesà, scritta dal P. Fabio Ambrogio Spiínola, (Roma, 1869); COOPER, Michael, Rodrigues the Interpreter, (Nova Iorque; Tóquio, 1974); RUIZ-DE-MEDINA, Juan, “Un Jesuita de Madrid Arquitecto de la Iglesia de São Paulo, Macao”, in Revista de Cultura, n.º 21, (Macau, 1994), pp.36-49; SCHÜTTE, Joseph F. (ed.), Introductio ad historiam Societatis Jesu in Japponia. 1549-1650, (Roma, 1968);VOLPE, Michele, I Gesuiti nel Napoletano, 2 vols., (Nápoles, 1914).

1813

No dia 10 de Janeiro de 1813, nasceu em Macau o Doutor Vicente de Paulo Salawitchy Pitter, Cavaleiro da Legião d’ Honra, de Cristo e da Conceição. Deixou o seu nome ligado a um preparado medicinal, por ele descoberto e confeccionado, chamado “Sincap” do Dr. Pitter, remédio composto de plantas medicinais, muito usado em Macau, noutros tempos, para perturbações gástricas, constipações, etc..

1883

É feito no dia 10 de Janeiro de 1883, um balanço das receitas obtidas por tributos municipais, e das despesas, nas Ilhas da Taipa e Coloane, ao longo dos dois anos anteriores. De notar a preocupação em dotar as povoações de ruas calcetadas e de árvores que criam zonas verdes.

1922

Por Anúncio de 8 de Novembro de 1922, faz-se público que no dia 10 de Janeiro de 1923, pelas 15 horas, se procederá a arrematação, por meio de propostas em carta fechada, do exclusivo da Revenda de bilhetes da Loteria da Santa Casa da Misericórdia pelo prazo de 8 anos, a contar da data do contrato definitivo. As cartas serão entregues à Comissão no acto da abertura da praça, acompanhadas do documento comprovativo de ter sido efectuado na Agência do Banco Nacional Ultramarino, como Caixa do Tesouro, o depósito de $8.000,00 como garantia de cada proposta.

1923

Pelo anúncio de 8 de Novembro de 1922, faz-se público que no dia 10 de Janeiro de 1923, se procederá a arrematação, por meio de propostas em carta fechada, do exclusivo da Revenda de bilhetes da Loteria da Santa Casa da Misericórdia, pelo prazo de 8 anos, a contar da data do contrato definitivo. As cartas serão entregues à Comissão no acto da abertura da praça, acompanhadas do documento comprovativo de ter sido efectuado na Agência do Banco Nacional Ultramarino, como Caixa do Tesouro, o depósito de $8.000,00 como garantia de cada proposta.

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