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Escravo Negro de Macau que Podia Viver no Fundo da Água
Que tipo de país é a China ? O que disseram os primeiros portugueses aqui chegados sobre a China, 1515

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Trata-se de um significativo conjunto de cerca de seis mil folhas manuscritas, cronologicamente situadas, na sua grande maioria, entre meados do século XVIII e a primeira metade da centúria seguinte. A temática desta documentação diz respeito às relações entre as autoridades portuguesas e chinesas a propósito do território de Macau, versando múltiplos e variados temas, no âmbito dos contactos ofic
A designação de chanquo ou chank provém do sânscrito sankh, e refere-se à concha, ou melhor, ao búzio do qual se extrai a madrepérola, cujo habitat natural são os mares tropicais, como na costa do Malabar, em particular, no golfo de Manar e nas ilhas Malaias. A constituição da madrepérola reside essencialmente em carbonato de cálcio, coberto de uma matéria orgânica designada de conchiolin, cuja estrutura lamelar peculiar provoca a irisação (sua famosa característica de reflectir raios coloridos). O Conde de Ficalho identifica a concha da qual se retirava a madrepérola, no século XVI-XVII, como sendo a do molusco Turbinella pyrum (Linn), e para a indústria do século XIX, “procede principalmente de espécies de Strombus e de Haliotis, e já então deviam ser aproveitadas estas conchas”. Entretanto, a obra A herança de Rauluchantim propõe como identificação da concha utilizada nos trabalhos de madrepérola a do molusco Turbo marmoratus. A ser correcta a informação de algumas fontes (mencionadas, igualmente, por Ficalho), referindo que parte da madrepérola trabalhada na Índia e na China provinha de umas “ostras”, estaria comprovada a utilização de outro tipo de concha, neste caso, de um bivalve, para extracção da madrepérola. Uma das primeiras referências à sua exploração mercantil pelos portugueses é feita por Miguel Vaz, na sua carta a D. João III, no ano de 1545: “Quamdo estes christãos de Tutycory nam pescam aljofre, pescam huns buzeos, a que chamam chamquo, os quaes sam boa fazemda pera Bemgala Acustumaram sempre os capitães [portugueses] daquela Costa, tomarem todo este chamco a estes homens, quamto pescam, sem lho deixarem vemder a outrem; e ysto por hum certo preço taxado à sua vomtade, de que se agravam, porque o querem vemder às partes à sua avemça e damdo-lhe muito maes”. Miguel Vaz protesta e denuncia ao rei, a exploração injusta da obrigação de venda, a preço certo, da madrepérola: “Deve Vossa Alteza mandar que nenhum capitam destes lhe tome este chamquo por nenhum preço certo taxado por eles, nem por nymguem outrem, somente os deixem vemder livremente sua fazenda a quem lha quiser comprar, e se o quiserem tambem fazer, que a comprem como qualquer outra parte por sua avemça, segundo pela terra conforme aos tempos valer”. A situação dos pescadores de madrepérola e de pérolas não melhorara nos dois anos seguintes, motivando uma outra denúncia, agora pela pena de Aires de Figueiredo, através da sua carta de 4 de Janeiro de 1547, dirigida a D. João de Castro, governador do Estado Português da Índia: “aimda que ho que pescam estes pobres, quer seja aljofre quer seja chamco, tudo lhe tomão polo o que querem e os pobres peresem”. Apesar da directriz régia e do próprio vice-rei proteger a liberdade de venda por parte dos pescadores de madrepérola, o padre Nicolau Lancilotto relembra em carta de Fevereiro de 1547, dirigida a D. João de Castro, que a situação se mantêm inalterada “Pedem a Vossa Senhoria que ho chamco que pescam ho possam vemder a quem elles quiserem asy como El-Rei nosso senhor manda, e tambem V. S. Ho mandou, ainda que se guardou pouco”. Garcia da Orta, nos seus Colóquios dos simples e drogas da Índia, de 1563, adianta-nos algumas informações: sobre o aspecto e forma do “chanquo, […] ainda que por fora seja tosco, pela parte de dentro he muito liso e fermoso”; sobre a sua utilização decorativa, “de que fazem cofres e mesas e contas […], porque o mais se gasta em manilhas e em outras peças. […] e vedes aqui hum tabuleiro de tabolas do emxadrez, de que vos faço serviço, pera verdes o chanquo à vossa vontade”. Bem como nos informa ser Bengala o seu principal mercado, e inclusivé de alguma flutuação nos seus preços: “He este chanco mercadoria pera Bengala, e ganhavão noutro tempo mais do que se ganha agora; e estes chanquos grandes, a que nós chamamos buzios, que vam a Bengala, lavrando-se lá muyto fermosamente; e ficam muito lisos e brancos”. Para além da muito curiosa informação segundo a qual as pulseiras de madrepérolas serviam para afirmar o estatuto (sua capacidade económica) e o estado (ser virgem ou não) social do seu possuidor – “E foy em Bengala até agora hum costume, que nenhuma pessoa onrada e de preço, que fosse virgem, pudesse ser corrompida, senam tendo manilhas de chanquo postas nos braços”. O grau de prestigio atribuído à madrepérola pode ser avaliado pelo facto de integrar um presente do regente português Cardeal D. Henrique, entregue em 1579, ao triunfante chefe muçulmano Mulei Hamet, para obter a libertação de reféns portugueses derrotados na batalha de Alcácer Quibir: “hum buzio da China de madrepérola guarnecido de prata dourada, tem por pé, huma unha de águia com duas bocas por olhos e na volta da aza hum cavalo marinho; e mais hum buzio da China lavrado e guarnecido de prata dourada, tem por pé huma unha de águia, em cima huma cabeça de serpente com azas”. Em 1596, o viajante holandês Jan Huygen van Linschoten publicou um relato das suas viagens, Itinerário, viagem ou navegação, no qual analisa a rede mercantil controlada pelos portugueses no Oriente. Neste contexto, ao referir-se à madrepérola, confirma as informações anteriormente publicadas por Garcia da Orta e acrescenta um destaque da China como pais produtor importante de artigos preciosos fabricados nesse material: “Por isso, são muito procuradas e levadas para Portugal, tanto para delas se beber [usadas como recipiente] como para servirem de ornamento, principalmente aquelas que vêm da China e de Bengala, como vemos diariamente naquelas que são trazidas para cá”. Linschoten continua referindo a multiplicidade de objectos decorados com madrepérola: “Na Índia também servem para fazer muitas coisas, tais como escrivaninhas, mesas, guarda-louças, tabuleiros de jogo, caixinhas, bastões para as mulheres levarem na mão e mil outras coisas e curiosidades semelhantes, todas embutidas e cobertas deste “chanquo” ou madrepérola, o que é muito bonito de ver e é feito de forma muito engenhosa e cuidadosa”. A madrepérola foi abundantemente utilizada nos séculos XVI-XIX, também sob encomenda europeia, para decorar peças de mobiliário (como cadeiras, mesas, contadores, em estilo sino-português ou indo-português) e muitos outros objectos de utilização variada, de emprego utilitário (como cofres) ou simplesmente decorativa (contas e pulseiras entre outras). Vários trabalhos minuciosos em madrepérola, muitos sob encomenda e com a inscrição de elementos decorativos europeus, como as conchas com motivos cristãos, como o nascimento de Jesus, possivelmente utilizadas em baptismo, ou motivos mercantis e simultaneamente com alusões à história de países (nomeadamente, de Portugal ou da Escócia), ou ainda de peças utilizadas nos jogos de apostas, em substituição de dinheiro. No fundamental, a utilização de objectos decorados com madrepérola representava, para além de um gosto sofisticado, que o seu proprietário pertencia a uma elite restrita, cuja posição sócio-económica de destaque lhe permitia o acesso a bens asiáticos ou chineses. [R. D’Á.L.] Bibliografia: LINSCHOTEN, Jan Huygen van, Itinerário, Viagem ou Navegação de Jan Huygen van Linschoten para as Índias Orientais ou Portuguesas, (Lisboa, 1997); ORTA, Garcia da, Colóquios dos Simples e Drogas da Índia, 2 vols., (Lisboa, 1987); SILVA, Nuno Vassalo e (ed.), A Herança de Rauluchantim, (Lisboa, 1996); WICKI, Joseph (ed.), Documenta Indica, 18 vols., (Roma, 1948-1988).
(4 de Janeiro de 1769) Carta do Governador Saldanha ao Senado, requerendo uma vistoria ao palácio que se fez para residência dos governadores; foi incumbido dela o juiz ordinário João Carlos Dias, que foi fazê-la com dois carpinteiros e pedreiros; ficou tudo registado, remetendo-se uma cópia ao Vice-Rei. A 25 de Fevereiro, aparece no Senado o construtor do palácio, Luís Coelho, que disse que fora encarregado da obra em 1767, a qual se achava concluída e que vinha trazer as chaves; pedia que lhe pagassem as despesas. Acrescentou que ele possuía duas casinhas junto ao palácio do governo e perguntava se o Senado as queria comprar. O Senado tomou conta do palácio e pôs lá um guarda. A 4 de Março (de 1769), o Senado manda tomar conta do palácio e pagar o resto da factura. No entanto morre Luís Coelho neste ano de 1769, sendo as duas casinhas herdades pelo seu genro Manuel Ferreira da Fonseca. A 31 de Dezembro (de 1769), o vereador João Carlos Dias disse “que junto ao Palácio que se fez, para assistência dos governadores se achão humas casinhas, que Manoel Pereira da Fonseca offereceo a este Senado pelo mesmo preço que lhe custarão, as quais ficarão do deffunto seo sogro Luís Coelho, e que parecia conveniente comprallas este Senado para serventia e honra do dito Palácio; forão todos de uniforme parecer que se tomassem (excepto Manoel Fernandes Salgado)”.
No dia 4 de Janeiro de 1780, morre o Governador João Vicente da Silva Meneses, sendo depositado no Convento de S. Francisco. É chamado para o substituir, a 5 de Janeiro, o negociante António José da Costa, natural de Moura (Alentejo), que já estava em Macau desde 1730, na companhia de um seu irmão, jesuíta. O novo Governador era casado com Anónia Correia, viúva do rico comerciante Nicolau Fiúmes. Ele era filho de Amaro Gomes Esbarra e de Maria da Incarnação; Antónia Correia era filha de Pedro Corrêa da Veiga e de Marcelina Pinto. V. Governadores de Macau, Coordenação de Jorge Santos Alves e António Vasconcelos de Saldanha. Investigação e textos de Paulo Sousa Pinto, António Martins do Vale, Teresa Lopes da Silva e Alfredo Gomes Dias. Editora Livros do Oriente, Portugal, 2013, p. 129.
No dia 13 de Dezembro de 1849, faleceu o ilustre macaense Francisco José de Paiva, Comandante do Batalhão Provisório de Macau e Cônsul em Hong Kong. Da terceira geração da família macaense 'Paiva' de Macau, tem o mesmo nome com o pai. Nasceu em S. Lourenço a 4 de Janeiro de 1801, foi rico comerciante, juiz ordinário do Senado (1831), encarregado dos Negócios Sínicos (1836) e major-comandante do Batalhão Nacional de Macau (1847). Foi o 1º cônsul geral de Portugal em Hong Kong, nomeado por carta patente de 21 de Janeiro de 1847. É patrono da 'Travessa do Paiva', ao lado nascente do Palácio do Governo.
No dia 4 de Janeiro de 1851, estando já próximo a findar o prazo d'arrematação dos contractos da Carne de Porco, são por este edital avisados todos aqueles que pretenderem arrematá-lo novamente, que 15 dias da data deste (19 do corrente), às 11 horas am, no Cartorio da Procuratura se porá em hasta pública o dito arrendamento, que será dado com as seguintes condições a quem mais alto preço oferecer. No dia 5 de Janeiro de 1851, estando já próximo a findar o prazo d'arrematação do contractos da Carne de Vaca, são por este edital avisados todos aqueles que pretenderem arrematá-lo novamente, que 15 dias da data deste (20 do corrente), às 11 horas am, no Cartorio da Procuratura se porá em hasta pública o dito arrendamento, que será dado com as seguintes condições a quem mais alto preço oferecer. Estes editais de arrementação de contratos lançadas pelo governo aparecem pela primeira vez em chinês no Boletim do Governo.
No dia 4 de Janeiro de 1856, um horrível incêndio, como nunca se viu em Macau, teve princípio às 01.45 horas, numa das boticas chinas do Bazar. Ajudado pelo vento norte, o fogo espalhou-se com grande rapidez. O vento, mudando, às 05.00 horas, para leste, fez avançar o incêndio sobre as boticas do Matapau. Às 06.30 horas, voltando outra vez para o norte, fez com que a terrível deflagração seguisse pela Travessa de S. Domingos, Rua do Quintal e Travessa do Tronco, escapando por pouco o antigo convento de S. Domingos. O incêndio durou toda a noite, destruindo 420 boticas (lojas) e 400 residências de famílias chinesas, subindo a mais de meio milhão de patacas o valor de propriedades destruídas. Os cidadãos de Macau auxiliaram, por toda a forma possível, a combater o incêndio, tendo prestado valiosos socorros as guarnições das fragatas francesas Virginie e Constantine.
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