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Em Julho de 1568, a pirataria ataca directamente as águas de Cantão. Tristão Vaz da Veiga, vindo da viagem ao Japão e Capitão-Mor de Macau, domina-os; pouco depois socorre os mandarins cantonenses a seu pedido e acabam por ser construídas, para defesa de todos, as primeiras “tranqueiras”, o primeiro sistema defensivo, com o equivalente provimento de pólvora e munições. (Cfr. Gaspar Frutuoso, Livro Segundo das Saudades da Terra, ed. João Bernardo de Oliveira Rodrigues, Ponta Delgada, 1979, cap. XXIII, pp. 167-172). Esta cerca muralhada era em taipa (chunambo) e foi consentida pelos mandarins face à evidente necessidade.
Em 1639, partiram 4 galeotas de Macau para o Japão; mas uma naufragou e outra arribou de volta a Macau; as restantes foram mandadas sair de Nagasaqui sem terem sido autorizadas a comerciar. No dia 4 de Agosto de 1639, foi publicado pelo Conselho de Estado ou Roju, em Iedo (Tóquio), o decreto do Shogum do Japão, proibindo os portugueses de comerciarem no Japão, pondo assim termo ao grande período de prosperidade de que gozava a colónia de Macau.
No dia 5 de Julho de 1685, tomou posse da Capitania e Governo de Macau o macaense António de Mesquita Pimentel, que foi Capitão-Mor da Viagem de Manila em 1663, Vereador do Senado em 1678, e que era dono de uma estância na ilha da Lapa. Em 1646 o cargo coubera a um morador de Macau. Agora cabe a um natural de Macau, o que acontece pela primeira vez. Trata-se de um mercador influente no Estado da Índia. No seu governo ocorreu a 2.ª embaixada holandesa a Pequim que, como a 1.ª, não surtiu o efeito desejado. No, entanto, a VOC causava preocupação ao comércio de Macau. Um acontecimento inesperado deu novo fôlego ao entreposto português: a abertura de uma feitoria em Bornéu, autorizada pelo sultão. De novo a pimenta como produto-rei. Macau teria, no entanto, que se subordinar aos poderes de Bornéu, Goa e Portugal e seria muito melhor se conseguisse ultrapassá-los e comerciar sozinho. Questões entre o Senado e o Vice- Rei da Índia, por causa das condições fiscais que este impunha. O Capitão-Mor Mesquita Pimentel governa até 1688. Em 1695 é nomeado Governador de Timor e Solor. Foi arguido de excessos e delitos cometidos nos governos de Macau e Timor. V. Governadores de Macau, Coordenação de Jorge Santos Alves e António Vasconcelos de Saldanha. Investigação e textos de Paulo Sousa Pinto, António Martins do Vale, Teresa Lopes da Silva e Alfredo Gomes Dias. Editora Livros do Oriente, Portugal, 2013, pp. 63-64.
No dia 5 de Julho de 1789, é eleito Bispo de Macau, D. Fr. Marcelino José da Silva, franciscano da Ordem Terceira, e frade conventual de S. Bento de Aviz, doutor em teologia pela Universidade de Coimbra. No mesmo dia, foi eleito Bispo de Nanquim um seu irmão, D. Eusébio Gomes da Silva, que não chegou a ser sagrado, porque faleceu em Goa, com 26 anos apenas. D. Marcelino foi confirmado por Pio VI em 14 de Dezembro de 1789 e sagrado em 17 de Janeiro de 1790 na Igreja do Real Mosteiro do Coração de Jesus de Lisboa. Faleceu em 11 de Junho de 1830 e foi sepultado com outro seu irmão no Seminário do Sernache do Bonjardim: “Na capella do Senhor dos Passos estão sepultados o Sr. Arcebispo de Adrianopolis D. Manoel Joaquim da Silva e seu irmão o Bispo de Macau D. Marcelino José da Silva”. D. Marcelino era um grande arabista, tendo escrito nessa língua: “Versos compostos na lingua arábica, e com tradução em louvor de grande rei D. José I”. Escreveu ainda: “Diário da viagem de Lisboa para Macau Anno de 1791”.
(A 5 de Julho de 1808) “Chegou o Comboio Inglês de Bombaim de onze navios, ao menos, e as suas extraordinárias notícias de ter partido toda a nossa família real para o Brasil”. (In: Leite, Pe. Joaquim José - “Diário Noticioso”. Macau, Seminário de S. José. Publicado por Pe Manuel Teixeira em Macau e a Sua Diocese, Vol. I, e pertencente aos Arquivos do Seminário de Macau.).
Fundado após uma reunião de residentes anglófonos, em 22 de Fevereiro de 1829, e chamado “British Museum in China”, é publicitado, como um museu de história natural e ciência na edição do Canton Register de 2 de Março de 1830. O missionário Dr. Robert Morrison refere-se aos membros e às cotas anuais (30 dólares), que estes pagavam [John Russell Reeves, Henry Mathew Clark e George Harvey Vachell], sendo os fundadores do museu na sua totalidade sobrecargas da Companhia das Índias inglesa. Quanto a estes últimos, o jovem John Russell Reeves (1804-1877) é filho do naturalista John Reeves (1774-1856), inspector de chá da Companhia das Índias entre 1812 e 1831 e um dos mais famosos coleccionadores de plantas e ervas chinesas, enviando para Inglaterra as primeiras rosas e cri-sântemos chineses. O jovem Reeves chega a Macau em 1827 como inspector assistente de chá para a Companhia, sucede ao pai em 1831 e continua, à semelhança deste último, a recolher e enviar plantas para Inglaterra, sendo portanto natural o seu interesse e envolvimento num museu desta natureza, a que se poderia dedicar entre as estações comerciais em Macau. Henry Mathew Clarke chega à China em 1825 como superintendente das exportações da Companhia e estuda chinês, permanecendo em Cantão/Macau até 1839. O outro membro fundador do museu, o reverendo George Harvey Vachell (1798-1839), capelão da Companhia, chega a China em 15 de Agosto de 1828, desempenhando funções sobretudo em Macau. Parte para Inglaterra em 1832, voltando já casado após o final do monopólio da Companhia, como “Chaplain to HBM’s Commission in China”. Desde o início da sua estada no sul da China, Vachell recolhe, à semelhança de Reeves e a pedido do naturalista Leonard Jenyns (1800- 1893), espécimes para o Cambridge Philosophical Society Museum, sendo o seu famoso herbário preservado posteriormente em Cambridge. Em 10 de Junho de 1830, durante um passeio, a jovem Harriett Low visita o Museu na companhia do capelão, acabando por se resguardar aí da chuva, na companhia do mesmo, em Maio do ano seguinte. Em 5 de Julho de 1831, a jovem norte-americana refere o empenho de Vachell na organização do museu, bem como alguns dos animais aí exibidos, entrando em detalhes durante uma outra visita, em Fevereiro de 1832: “visitámos o Museu, onde existe uma grande variedade de curiosidades. Foi fundado há poucos anos, mas as doações têm sido muitas. Vi lá o esqueleto de um homem”. O museu é ainda referido por Harriett Low ao descrever o momento em que oferece ao Dr. Thomas Richardson College (1796-1879) um tecido feito a partir da fibra de ananás, respondendo o médico que este deveria ser colocado no Museu com a legenda “doado por Miss Low”. Também o naturalista inglês George Bennet (1804-1893), nascido na Inglaterra (Plymouth), e membro do Royal College of Surgeons, descreve o Museu em Wanderings in New South Wales, Batavia, Pedir Coast, Singapore, and China; Being the Journal of a Naturalist in those Countries, During 1832, 1833, and 1834, 2 vols., 1834. Bennet instala-se em New South Wales em 1836, tornando-se o primeiro curador do Museu Australiano (Sidney). No terceiro capítulo da narrativa da sua viagem, o naturalista descreve o aviário de Thomas Beale e o museu da seguinte forma: “Foi fundado um Museu em Macau pelos residentes ingleses, e ainda contém uma enorme e excelente colecção de aves, animais, armas, fosseis, etc, de todas as partes do mundo. Algumas divisões são ocupadas apenas por esta colecção, havendo uma pessoa a tomar conta das mesmas e a receber visitantes. Mas é dada tão pouca atenção às ciências naturais, e os mercadores europeus estão tão absorvidos pelos negócios, que, se a Companhia das Índias for dissolvida, este excelente núcleo […] da útil colecção será dividido”. O Museu, tal como a Biblioteca da Companhia das Índias inglesa (1806-1834), os jornais em língua inglesa, as peças de teatro, os hábitos culturais, a imprensa da Companhia, as óperas e os espectáculos, demonstram o impacto e a importância que as comunidades britânica e norte-americana tiveram na história de Macau. [R.M.P.] Bibliografia: BENNET, George, Wanderings in New South Wales, Batavia, Pedir Coast, Singapore, and China; Being the Journal of a Naturalist in those Countries, During 1832, 1833, and 1834, 2 vols., (Londres, 1834); MORRISON, Eliza (ed.), Memoirs of the Life and Labours of Robert Morrison; Compiled by his Widow, (Londres, 1839); BRETSCHNEIDER, Emil Vasilievich, History of European Botanical Discoveries in China, vol. 1, (Londres, 1898); LOW, Hariett, Lights and Shadows of a Macao Life: The Journal of Harriett Low, Travelling Spinster, 1829-1834, 2 vols., (Woodinville, 2002).
Em 1862, na sequência e adaptação da antiga “Escola Real de Pilotos”, criada em Macau por Carta Régia de 1814, é agora criada a Escola de Pilotagem (com evolução estatutária em 1906 e 1980). No dia 5 de Julho de 1862, por Carta de Lei desta data, publicada no Boletim n.º 43, é criada uma Escola de Pilotagem em Macau, a reger por um oficial da armada ou piloto da marinha mercante. A Portaria Provincial n.º 59 de 18 de Novembro de 1862 iria nomear uma comissão para propor o respectivo projecto de regulamento.
No dia 20 de Novembro de 1871, o Boletim da Província n.º 47 desta data publica a nomeação feita pelo Governador António Sérgio de Sousa na pessoa do Capitão Francisco de Mello Baracho para servir interinamente como Administrador do Concelho de Macau. Baseia-se o Governador no Código Administrativo de 1842. Até aí as funções administrativas (conforme Decreto de 5 de Julho de 1865), estavam cometidas, com respeito à população não chinesa de Macau, ao Procurador dos Negócios Sínicos, o que de facto não tinha sentido.
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