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Macau e a Rota da Seda: “Macau nos Mapas Antigos” Série de Conhecimentos (I)
Escravo Negro de Macau que Podia Viver no Fundo da Água
Que tipo de país é a China ? O que disseram os primeiros portugueses aqui chegados sobre a China, 1515

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No dia 22 de Maio de 1521, a embaixada de Tomé Pires, em virtude do falecimento do Imperador Zhengde (正德), foi convidada a sair de Pequim, para Cantão, onde as autoridades tinham recebido ordens para prenderem todos os membros da mal-aventurada embaixada, devido aos desacatos praticados por Simão Peres de Andrade, na Ilha de Tamão. Entre eles, seria de novo preso Tomé Pires.
CHIESA, D. FREI BERNARDINO DELLA (1644-1721). Nasceu em Veneza a 8 de Maio de 1644. Ingressou na ordem dos Franciscanos reformados, em Assis, tendo recebido o hábito a 6 de Agosto de 1663. Concluídos os estudos e recebida a ordenação sacerdotal, exerceu as funções de leitor e de guardião e ainda as de confessor da rainha Cristina da Suécia, que, após a sua conversão ao catolicismo, passou a residir em Roma. Em 1679, ofereceu-se para as missões da China, cuja reorganização estava em curso na Propaganda Fide. Prosseguindo no propósito de subtrair as missões chinesas à jurisdição do Padroado Português, o papa Inocêncio XI aprovou o projecto apresentado pela Propaganda e dividiu o extenso Império do Meio em dois vicariatos apostólicos com sede em Nanquim (Nanjing 南京) e Fujian 福建. Pelo breve, Eclesiae Catholicae de 15 de Abril de 1680, o primeiro vicariato foi confiado ao Dominicano Gregório Lopez que, para esse efeito, fora nomeado bispo de Basileia. Além de Nanquim (Nanjing 南京), o novo prelado ficaria com a administração das províncias de Zheli, Shanxi 山西, Shaanxi (Shanxi 陝西), Henan 河南, Shandong 山東 e ainda com a da Coreia e da Tartária. Para o segundo vicariato, era indicado o nome de Monsenhor François Pallu que, além de Fujian 福建, passava a administrar as províncias chinesas de Zhejiang 浙江, Guangdong 廣東, Guangxi 廣西, Jiangxi 江西, Hubei 湖北, Sichuan 四川, Guizhou 貴州 e Yunnan 雲南 e ainda as ilhas de Hainan 海南 e Taiwan 臺灣. Antes ainda da publicação do referido breve, Monsenhor Pallu, que estava em vias de ser nomeado administrador geral das missões da China, propôs que Frei Bernardino della Chiesa fosse nomeado seu coadjutor. Aceite a proposta, o frade Franciscano viria a ser sagrado bispo com o título de Argólis, no início de 1680, na capela da Propaganda Fide, em Roma. O novo prelado partiu para a China em Abril de 1680, mas, enquanto decorria a sua viagem, a cúria romana decidiu dispensar Monsenhor Pallu do governo do vicariato de Fujian 福建 e deixá-lo unicamente como administrador geral das missões com jurisdição sobre os restantes bispos que estivessem na China. Na sequência desta nomeação, foi desmembrado o vicariato de Fujian 福建 que, com as províncias que lhe tinham sido anexadas, deu origem aos novos vicariatos de Fujian 福建 e Guangdong 廣東. Para administrar o primeiro foi proposto o nome do Padre Duchesne, das Missões Estrangeiras de Paris, que estava no Sião, e para o de Guangdong 廣東 foi indigitado Monsenhor Bernardino della Chiesa. A recusa do missionário francês em aceitar a nomeação que lhe era proposta, motivou um novo reajustamento definido em 1685. Entretanto, D. Frei Bernardino della Chiesa e os seus confrades Gianfrancesco Nicolai di Leonissa e Basilio Brollo de Gémona chegavam ao Sião, eclodindo aqui as primeiras desinteligências com os padres das Missões Estrangeiras de Paris e com Monsenhor Pallu. Estando todos destinados à China, viajaram separadamente, tendo Monsenhor Pallu e o Padre Charles Maigrot rumado directamente para a província de Fujian 福建, onde chegaram em Janeiro de 1684, enquanto que os Franciscanos, navegando pelas Filipinas, desembarcaram, em Cantão, em Agosto desse mesmo ano. Ao chegar à missão, Monsenhor della Chiesa encontrou uma certa contestação a Monsenhor Pallu, que insistia em executar o decreto da Propaganda Fide que obrigava os religiosos a fazer um juramento de submissão à autoridade dos vigários apostólicos. Os mendicantes espanhóis – Dominicanos, Franciscanos e Agostinhos, estes últimos acabavam de criar a sua missão na China – resistiram a esta pretensão, invocando as regalias que lhes haviam sido concedidas pela Santa Sé. Monsenhor della Chiesa apoiou os regulares, propondo a Monsenhor Pallu a adopção de uma atitude mais conciliadora. Esta intervenção foi reprovada pelo bispo francês que, por este e outros desentendimentos, sugeriu à Propaganda Fide que afastasse o bispo Franciscano de lugares de direcção por carecer de qualidades para a liderança. Com o falecimento do administrador geral das missões, em Outubro de 1684, eclodia um novo foco de tensão entre Monsenhor della Chiesa e Charles Maigrot por este ter sido nomeado sucessor de Monsenhor Pallu em detrimento do seu ex-coadjutor que, nessa altura, era o único bispo na China. Esta disputa jurisdicional foi, momentaneamente, ultrapassada pela mediação de Monsenhor Gregório Lopez, sagrado bispo em Cantão por Monsenhor della Chiesa, em Abril de 1685. Entretanto, chegou a notícia de que o bispo de Argólis tinha sido nomeado vigário apostólico de Zhejiang 浙江, Hukwang (Huguang 湖廣) (Hubei 湖北 + Hunan 湖南), Sichuan 四川 e Guizhou 貴州, mas a animosidade entre o novo vigário apostólico e os missionários franceses só se atenuaria com uma nova reorganização das missões chinesas levada a efeito pela Propaganda Fide, em 1687. Aos dois vicariatos existentes, confiados a Monsenhor della Chiesa e a Monsenhor Gregório Lopez, vieram juntar-se mais três, sendo nomeados Charles Maigrot para Fujian 福建, Jean Pin para Jiangxi 江西 que não foram elevados ao episcopado, e o Dominicano Fran¬cisco Varo, sagrado com o título de bispo de Lídia, para o vicariato apostólico de Guangdong 廣東, Guangxi 廣西 e Yunnan 雲南. Apesar das sucessivas reformulações, D. Frei Bernardino della Chiesa permaneceu em Cantão até partir para Nanquim (Nanjing 南京), onde se fixou, nos finais de Novembro de 1692. Ao longo destes anos, Monsenhor della Chiesa teceu severas críticas aos missionários franceses e, de modo especial, ao Padre Charles Maigrot, denunciando diversas prepotências e entre estas a de lhe reter o subsídio enviado pela Propaganda Fide para a sua manutenção. Com a criação, em Abril de 1690, das dioceses de Pequim (Beijing 北京), Nanquim (Nanjing 南京) e Macau, D. Frei Bernardino della Chiesa foi nomeado bispo de Pequim (Beijing 北京), todavia por qualquer razão jamais explicitada, a carta régia remetida de Lisboa informava-o que tinha sido indigitado para a diocese nanquinense. Este equívoco manteve-se e, sem qualquer explicação, o prelado tomou conhecimento da nomeação de D. Alexandre Ciceri para a diocese nanquinense e recebeu de Portugal o convite para se transferir do bispado de Pequim (Beijing 北京) para o de Malaca. Este inadmissível procedimento da corte portuguesa foi, pelo menos parcialmente, motivado pela pretensão de confiar a mitra de Pequim (Beijing 北京) aos Jesuítas, tendo sido proposto o Padre Filipe Grimaldi para titular da diocese e o Padre Tomás Pereira para seu coadjutor. Estas tergiversações atrasaram o envio das bulas de nomeação de D. Frei Bernardino della Chiesa, reconhecidas com o placet régio. Nomeado em 1690, só passados dez anos recebeu as bulas remetidas de Lisboa e um ano depois de ter recebido a cópia autenticada das mesmas bulas expedida pela Propaganda Fide. Foi com esta cópia que, a 3 de Dezembro de 1699, o nomeado bispo de Pequim tomou posse da sua diocese por procuração passada ao frade agostiniano Frei Nicolau Agostinho de Cima. Ultrapassada a questão das bulas, manteve-se a das côngruas, cujo pagamento só começou a ser feito a partir de 1703 e, segundo o prelado, muito abaixo daquilo que se declarava na bula de erecção da sua diocese. Por proposta dos Jesuítas, o bispo não fixou a sua residência em Pequim (Beijing 北京), tendo, por isso, escolhido Linqing 臨清, capital de Shandong 山東, que distava da capital chinesa entre 8 a 10 jornadas. Aqui chegou a 25 de Junho de 1700, mas teve de comprar a casa para se acomodar, porque o rei de Portugal não lhe providenciou a moradia. Acresce ainda que a igreja designada para catedral pertencia aos Jesuítas do Padroado que, por ordem régia, mantiveram a posse da mesma. D. Frei Bernardino della Chiesa era bispo do Padroado, mas não tinha catedral própria, nem residência episcopal e para a sua manutenção apenas podia contar com uma modesta côngrua que só ao fim de treze anos começou a auferir. Todas estas atribulações reforçaram a mudança de atitude do bispo de Pequim (Beijing 北京) que, a partir de 1692, deixou de criticar os padres das Missões Estrangeiras e passou a dirigir as suas críticas para o Padroado e os seus missionários. Na sua correspondência para o Papa e para a Propaganda Fide, D. Frei Bernardino della Chiesa afirmava que as recém criadas dioceses chinesas não dispunham das condições necessárias para sobreviver, propondo a sua transformação em vicariatos apostólicos com bispos nomeados pelo Sumo Pontífice. Saliente-se ainda que, enquanto criticava os missionários do Padroado, elogiava os Jesuítas franceses, destacando as suas disponibilidades financeiras, a abundância de missionários e as boas relações que mantinha com estes, devido, sobretudo, às muitas qualidades do Padre Francisco Gerbillon, que considerava digno de ser elevado à categoria episcopal. Esta aspiração do superior dos Jesuítas franceses de Pequim manifestar-se-ia em 1706, durante a permanência do Patriarca de Antioquia, D. Carlos Tomás Maillard de Tournon, na capital chinesa. De acordo com o testemunho do Legado Apostólico, o Padre Gerbillon disponibilizou-se para ser nomeado bispo coadjutor de Pequim desde que lhe fosse assegurado o direito de sucessão. D. Frei Bernardino della Chiesa só passado algum tempo tomou conhecimento desta negociação e nunca terá sabido das diligências feitas pelos portugueses para que o Padre Filipe Grimaldi fosse nomeado seu coadjutor. O envio de um Legado a latere à China foi jubilosamente recebido por D. Frei Bernardino della Chiesa. As suas ideias poderão ter influenciado a actuação do Patriarca de Antioquia em Pequim em relação aos Jesuítas da vice-província da China e ao Padroado. Ambos conversaram demoradamente em Linqing 臨清, quando Monsenhor de Tournon se dirigia para a capital chinesa e, mais tarde, o bispo de Pequim (Beijing 北京) decidiu juntar-se à legacia, tendo acompanhado o Patriarca desde Janeiro a Outubro de 1706. Apesar do forte apoio dispensado a Monsenhor de Tournon, não atribuiu o fracasso da legacia à nefasta influência dos Jesuítas. As razões enunciadas em carta à Propaganda Fide apontavam para a inabilidade do dignitário pontifício, todavia, nos últimos anos da sua vida, quando se preparava a legacia de Monsenhor Carlo Ambrogio Mezzabarba (1719-1721), sem renegar as anteriores afirmações, declarava que a raiz dos problemas da missão da China estava nos Jesuítas e lamentava que a Santa Sé não tivesse tomado medidas mais drásticas contra a sua renitência. Anos antes, porém, destas censuras, D. Frei Bernardino della Chiesa não tinha hesitado em obedecer à ordem imperial que sujeitou os missionários a um interrogatório sobre a doutrina dos ritos chineses. O exame destinava-se a obrigar os missionários a definirem a sua posição em relação aos ritos: aqueles que declarassem seguir a posição definida por Monsenhor de Tournon seriam expulsos e os que se manifestassem como seguidores de Matteo Ricci receberiam uma credencial (o piao 票) para continuarem na China como missionários. Identificado, durante o interrogatório, como colaborador de Monsenhor de Tournon, o bispo de Pequim só conseguiu o piao 票 porque os Jesuítas, e de modo especial o Padre Tomás Pereira, intercederam por ele ao Imperador. Agradecido aos inacianos, regressou a Linqing 臨清 e aí recebeu o decreto promulgado pelo Legado Apostólico em (Nanjing 南京), em Fevereiro de 1707, fornecendo instruções aos missionários que fossem chama dos ao exame imperial. D. Frei Bernardino della Chiesa justificou-se perante o Patriarca de Antioquia e a cúria romana, mas não abdicou do seu propósito de permanecer na missão nem se mostrou arrependido por ter incitado outros missionários, incluindo o bispo D. Álvaro Benavente, a que seguissem o seu exemplo. Aliás, o que estava na origem desta controversa atitude era a querela dos ritos e relativamente a essa matéria, D. Frei Bernardino della Chiesa nunca definiu, claramente, o seu pensamento. Jamais se manifestou a favor da interpretação defendida pela maio¬ria dos Jesuítas, mas também nunca apoiou, abertamente, a teoria dos que se opunham aos inacianos. Pouco antes de ter pedido o piao 票, tinha aprovado a intervenção de dois missionários, Frei António de Frossolone e o Padre Appiani, adeptos do Patriarca, junto dos cristãos de Pequim (Beijing 北京) condenando a posição dos Jesuítas acerca dos ritos, mas, posteriormente, considerou inaplicável o decreto promulgado por Monsenhor de Tournon, em Nanquim (Nanjing 南京), que, na prática, condenava os mesmos ritos. Recebido o decreto pontifício de 20 de Novembro de 1704 que, inequivocamente, declarava os ritos incompatíveis com a doutrina católica, adiou enquanto lhe foi possível a sua publicação. Entretanto, solicitava ao Papa que introduzisse algumas alterações na inflexível definição da Igreja Católica, invocando a impossibilidade de manter as missões se não fossem satisfeitas algumas das exigências de Kangxi 康熙 sobre a referida matéria. Apesar disso, acabou por acatar as imposições da Santa Sé e exigir aos Jesuítas que se submetessem às mesmas determinações. Estas contradições encontram a sua explicação, ou pelo menos uma parte dela, no facto de D. Frei Bernardino della Chiesa ter prosseguido com tenacidade o objectivo de evitar a decadência da missão na China. A essa primordial finalidade se subordinava tudo o que não colidisse com a doutrina católica e com a autoridade pontifícia. Só assim se compreende que tivesse relevado tantas impertinências e desconsiderações, tolerado significativas marginalizações e suportado tamanhas privações. Por essa razão, passou os últimos anos da sua vida profundamente amargurado. O futuro da missão apresentava-se extremamente sombrio com as polémicas que se mantiveram em torno da controvérsia dos ritos, as dissensões que se reacenderam entre os Jesuítas franceses e os do Padroado, as permanentes desinteligências entre os inacianos e os dois sacerdotes, Theodoric Pedrini e Matteo Ripa, que, enviados pela Propaganda Fide, serviam na corte de Pequim (Beijing 北京), e, ainda com os desentendimentos que eclodiram entre os Franciscanos. O insucesso da legacia de Monsenhor Mezzabarba não o surpreendeu. Conhecia a posição intransigente da cúria romana e a determinação igualmente inflexível do imperador da China, mas este desfecho avolumou os seus receios de que a missão se encaminhasse para a sua total ruína. Além disso, esta missão diplomática deu azo a mais uma inadmissível marginalização, porque por razões imprevistas, como o gelo que impediu a viagem de Mezzabarba pelo grande canal que passava em Linqing 臨清, mas também por alguma má vontade dos que acompanhavam, o Legado, só tardiamente tomou conhecimento da presença deste em Pequim (Beijing 北京) e do seu regresso à Europa. Ostracizado pelo Padroado por não ter obedecido às ordens emanadas de Goa e de Lisboa relativamente a Monsenhor de Tournon, ficou sem receber a côngrua a partir de 1709. Em 1715, a Propaganda providenciou-lhe um subsídio que devia receber através do Padre Ceru, procurador dos propagandistas em Cantão, mas a partir de 1718, por falta de fundos, o procurador foi obrigado a suspender o pagamento da subvenção. Sempre viveu pobre, mas o inventário dos seus haveres, feito em 1722, mais do que pobreza atesta a indigência em que morreu o primeiro bispo de Pequim (Beijing 北京) da era moderna. Pobre e abandonado, porque tendo falecido a 21 de Dezembro de 1721 pelas 22 horas, só foi sepultado a 7 de Abril de 1722, e, apesar do espaço de tempo que mediou entre as duas datas, dos missionários da sua diocese, apenas dois Franciscanos, o italiano Padre Carlos de Castorano que residia na casa do bispo e o espanhol Padre Francisco de la Concepción, o acompanharam à última morada, onde tem estado esquecido pela História. Bibliografia: Arquivo Histórico de Goa, Monções do Reino, livros 62 a 95; Arquivo Histórico de Goa, Correspondência de Macau, livro 1262; Arquivo Histórico Ultramarino, Macau, cxs. 1 e 2; GUENNOU, Jean, Missions Étrangères de Paris, (Paris, 1986); LEE, Ignatio Ting Pong, “La Actitud de la Sagrada Congregación Frente al Regio Patronato”, in METZELER, J. (dir.), Sacra Congregationis Propaganda Fide Memoriae Rerum 1622-1972, vol. 1/1, (Rom-Freibur-Wien, 1972); MARGIOTTI, Fortunato, “La Cina, Ginepraio di Questioni Secolari” e “Le Missioni Cinesi nella Tormenta” in, in METZELER, J. (dir.), Sacrae Congregationis de Propaganda Fide Memoria Rerum, 1622-1972, vol. 1/2, (1700-1815), (Rom-Freibur- Wien, 1973); MENSAERT, Georges, “L’Établissement de la Hierarchie Catholique en Chine de 1684 a 1721”, in sep. Archivum Franciscanum Historicum, (Quaracchi-Firenze, 1953); MENSAERT, Georges, “Les Franciscans au Service de la Propagande dans la Province de Pékin, 1705-1785”, in Archivum Franciscanum Historicum, ano 51, (Quaracchi-Firenze, 1958); TEIXEIRA, Padre Manuel, Macau e a sua Diocese. A Missão da China, vol. 13, (Macau, 1977); TEIXEIRA, Padre Manuel, Macau no Séc. XVIII, (Macau, 1984); WINGAERT, Anastase van der, O.F.M., “Mgr B. della Chiesa, Evêque de Pékin et Mgr C. Th.Maillard de Tournon, Patriarche d’Antioche”, in Antonianum, ano 22, (Romae, 1947); WINGAERT, Anastase van der, O.F.M., “Mgr. Pallu et Mgr Bernardin della Chiesa. Le Serment de Fidelité aux Vicaires Apostoliques 1680-1686”, in Archivum Franciscanum Historicum, ano 31, (Quaracchi-Firenze, 1938); WINGAERT, Anastase van der, O.F.M., “Le Patronat Portugais et Mgr. Bernardin della Chiesa”, in Archivum Franciscanum Historicum, tomo 35, (Quaracchi-Firenze, 1942).
No dia 15 de Abril de 1740, provisão do Conselho Ultramarino pedindo informação acerca do deplorável estado das Fortalezas desta Cidade. O Vice-Rei da Índia deu a seguinte informação: “As Fortalezas da Cidade de Macau, suas defesas, petrechos e guarnições se acham na ultima miséria, porque a Cidade é aberta e consiste a defesa dela de 4 Fortalezas, 2 Fortes e 3 casinhas que chamam casas fortes. Nenhuma tem agua dentro; e a Fortaleza de S. Paulo, que e a principal, teve ha muitos anos uma cisterna, a qual ha bastante tempo que se arruinou e hoje o esta de todo, porque nunca se cuidou do conserto dela. Todos estes presídios se guarnecem com 7 capitães, 4 alferes, 7 sargentos (do numero que os supras entram na lotação dos soldados). Deste numero é necessário tirar um pequeno corpo que, assistindo em casa do governador, se fazem precisos, assim para fazer de noite as rondas como para acudir a qualquer incidente repentino. Restam 16 soldados em cada fortaleza os quais fazem obrigação também de artilheiros, porque não tem as Fortalezas mais do que um condestavel cada uma e artilheiros nenhuns. Finalmente, não tem mais guarnição cada Fortaleza que 16 soldados, um capitão, seu alferes e sargento. No que toca a petrechos, inclusa verá V. Magestade a grande falta em que tudo está. Só balas ha bastantes e muito boa artilharia”.
No dia 15 de Abril de 1809, o Vice-Rei da Índia, Conde de Sarzedas, recomenda aos senhorios dos navios mercantes Indiano e Sto. António Brilhante, de Macau, que os reclamem, na sequência da apreensão feita no ano anterior por um corsário de Manila. Ao Senado foi recomendado que pusesse toda a sua diligência na recuperação dos ditos navios. As relações de comércio de Macau com Manila, já decadentes no final do século anterior, entraram na fase final.
Entretanto, concluída a entrega, em 15 de Abril de 1810, e assinada a capitulação, dias depois, isto é, em 20 do mesmo mês, Kam-Pau-Sai manifestou ao ouvidor Arriaga o desejo de vir a Macau conhecer todos os seus vencedores. No seu regresso a Macau, o autor do triunfo macaense foi recebido com efusivas demonstrações de regozijo, por parte de toda a população; que exultava de alegria, sendo entoado um solene Te Deum em acção de graças, pela retumbante vitória alcançada pela esquadra portuguesa, rompendo as peças das fortalezas em estrondosas salvas e repicando os sinos de todas as igrejas, com vistosa iluminação durante a noite.
BREDERODE, MARTINHO TEIXEIRA HOMEM DE (1866-?). O diplomata e poeta Martinho Teixeira Homem de Brederode nasceu em Lisboa no dia 15 de Abril de 1866. Depois de concluir o Curso Superior de Letras, iniciou a carreira diplomática em 1889, ocupando o lugar de adido na Legação de Portugal em Bruxelas. Após a sua passagem pela Direcção Geral dos Negócios Políticos e Diplomáticos, foi colocado na Legação portuguesa de Tânger, como 2.º Secretário, onde chegou em Janeiro de 1906. Acabou por exercer interinamente as funções de Encarregado de Negócios. A sua promoção a 1.º Secretário conduziu-o a Pequim, nomeado por decreto de 14 de Março de 1907. As suas obrigações em Tânger adiaram a sua ida para a capital chinesa, onde chegou no dia 2 de Dezembro desse ano, assumindo a gerência da Legação na qualidade de Encarregado de Negócios. Em Pequim, onde permaneceu até 1912, Homem de Brederode foi uma testemunha atenta ao desenrolar da vida política chinesa, num período marcado pelos acontecimentos que acompanharam o fim da dinastia Qing 清 e a proclamação da república em 1911- 1912. A complexidade da situação política chinesa e as suas implicações em Macau, colocaram-no em contacto permanente com o Governador do Território. A sua capacidade de análise e de interpretação sobre o período de crise política, económica e social que atravessou a China, pode ser testemunhada nos inúmeros ofícios e telegramas que remeteu para o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Os lugares que ocupou e as missões que lhe foram confiadas foram sempre desempenhados com brio e empenho, tendo sido louvado, por portaria de 15 de Outubro de 1912, pela coadjuvação que prestou ao chefe da missão portuguesa no centenário da constituição de Cádiz. Homem de Brederode encontrava-se em Bucareste quando se aposentou em 1939. Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, da Ordem da Coroa da Roménia, da Ordem de S. Sava da Jugoslávia e da Ordem do Duplo Dragão Imperial Chinês. Homem de Brederode foi Comendador das Ordens de Santiago da Espada e de S. Maurício e S. Lázaro de Itália. Para além de oficial da Legião de Honra (em França), Homem de Brederode foi ainda nomeado Cavaleiro da Ordem de Carlos III. Martinho Homem de Brederode, para além da sua actividade diplomática foi ainda um homem de letras tendo deixado escritas três obras poéticas Charneca (1981), Pó da Estrada (1898) e Sul (1905) e, ainda, um romance, A Noite de Amor (1894), este último sob o pseudónimo de “Marco Sponti”. Bibliografia: Annuario Diplomático e Consular Português Relativo aos Annos de 1910 a 1913, (Lisboa, 1913); Anuário Diplomático e Consular Português de 1925, (Lisboa, 1926); Anuário Diplomático e Consular Português de 1928-1929, (Lisboa, s.d.).
Sacerdote da Diocese de Macau e historiador contemporâneo. Nascido a 15 de Abril de 1912, na Vila de Freixo-de-Espada-à-Cinta (Portugal), embarcou aos 12 anos para Macau, com destino ao Seminário de S. José, no qual ingressou em Outubro de 1924. Ordenado padre 10 anos depois, pelo prelado da diocese D. José da Costa Nunes, desempenhou funções de pároco (S. Lourenço, 1934-1947), de professor do Seminário (1932-1946) e do Liceu (1942-1945), de promotor da Justiça e defensor do Vínculo do Tribunal Eclesiástico (1936-1947), e de procurador dos Bens das Missões Portuguesas na China. Em paralelo com a actividade pastoral (fundou/organizou/dinamizou diversos movimentos de leigos), foi director do Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau (1934-1947), publicação que tornou conhecida internacionalmente, com a colaboração de figuras como José M. Braga e Charles R. Boxer. Em 1942 fundou a revista mensal O Clarim e integrou o núcleo fundador do semanário União, órgão da União Nacional. Em 1948, já com cerca de duas dezenas de livros publicados, partiu para Singapura e iniciou uma nova fase da sua vida como Superior e Vigário-geral das Missões Portuguesas de Singapura e Malaca. Por lá se manteve durante 14 anos, período de vasto labor literário em que publicou mais de uma dezena de títulos novos, além de haver fundado publicações, como a revista Rally e o boletim Stop, Look, Go. Em reconhecimento pelos brilhantes serviços que vinha prestando, o Governo Português agraciou-o com o oficialato da Ordem do Império Colonial (1952). Ao regressar a Macau, em 1962, retomou funções docentes no Colégio de S. José (1962-1965), na Escola Comercial Pedro Nolasco (1962-1964) e no Liceu Nacional Infante D. Henrique (1964-1970), tendo também assumido as funções de director dos Arquivos de Macau (1976-1980) e do Boletim do Instituto Luís de Camões (1976-1980). Paralelamente, manteve actividade pastoral, agora como capelão do Convento de Santa Clara. Na sequência dos acontecimentos do 1, 2, 3 (Revolução Cultural, 1966), constituiu equipa com o Padre Videira Pires, S.J. e com Luís Gonzaga Gomes, para a recuperação e reorganização do Arquivo do Leal Senado, então deitado fora por manifestantes sublevados. Como eclesiástico ou como historiador, consciente da íntima associação da História da Igreja de Macau com a História Civil do Território, representou Macau e Portugal em numerosos congressos internacionais: em Manila (1937 e 1974), Singapura (1960), Taipé (1962), Sidney (1968 e 1970), Paris (1972) e Banguecoque (1974 e 1986). Manteve relações com diversas organizações no âmbito da ciência e da cultura, sendo membro da Associação Internacional de Historiadores da Ásia, da Academia Portuguesa de História e da Academia Portuguesa de Marinha. Foi ainda sócio correspondente da Sociedade de Geografia de Lisboa, sócio de número da Sociedade Científica Católica Portuguesa, vogal do Centro de Estudos Históricos Ultramarinos e do Conselho da Universidade da Ásia Oriental, e Doutor Honoris Causa, em Letras, pela mesma Universidade. Algumas das suas obras estão traduzidas (a versão tailandesa de Portugal na Tailândia, por exemplo, foi promovida pelo Ministério da Cultura em Banguecoque). Articulista, editor, director e fundador de periódicos eclesiásticos ao longo de muitas décadas, colaborou activamente também em diversos jornais e revistas de Portugal e do estrangeiro, tendo também prestado colaboração à Enciclopédia Verbo, ao Dicionário da História da Igreja em Portugal e à Enciclopédia Católica Japonesa. Igualmente conhecido como Monsenhor Macau e por muitos considerado como expres são da memória colectiva da cidade, estudou todos os monumentos e ruas (A Voz das Pedras de Macau, 1980; Toponímia de Macau, 1979-1981) e efectuou o levantamento de todos os cartórios paroquiais, bem como dos respectivos registos de baptismo, casamento e óbito. Os seus estudos genealógicos e outros revelam um conhecimento profundo da sociedade macaense (Galeria de Macaenses Ilustres do Séc. XIX, 1942; Galeria de Mulheres Ilustres em Macau, 1974; Os Macaenses, 1965; Origem dos Macaenses, 1975; O Trajo Feminino em Macau do Séc. XVII ao Séc. XVIII, 1969). Tão profícua actividade foi coroada de honras e distinções: Comenda da Ordem do Infante D. Henrique (1974); Medalha de Valor, pelo Presidente da República Portuguesa (1985); prémios de História, da Fundação Calouste Gulbenkian (1981, pelo trabalho Militares em Macau; 1983, pela Toponímia de Macau); Figura do Ano em Macau (1982); Comenda da Ordem Militar de Santiago e Espada, pelo Presidente da República Portuguesa (1989); Cidadão Benemérito de Macau, pelo Leal Senado de Macau (1998). Em 1984, ao celebrar o jubileu de ouro sacerdotal, foi agraciado pela Santa Sé com o título de Monsenhor. Na sequência da exposição retrospectiva da sua obra, promovida em Lisboa pelo Governo de Macau, em 1999, foi criada a Sala Monsenhor Teixeira, no Centro Científico e Cultural de Macau. Assumido homem de Igreja, criou diversos fundos de beneficência, sobretudo para apoio a jovens estudantes e a velhos carenciados, os quais aplicou em Singapura, Macau, Moçambique e Portugal. A atestar a enorme popularidade desta figura emblemática de Macau, uma cadeia de televisão norte-americana rodou no território, em 1983, cenas de um filme, financiado pela ONU, que considerava o Padre Teixeira um dos quatro anciãos mais activos do mundo. Tratando-se de uma figura consagrada internacionalmente, foi procurado por estudantes, diplomatas e historiadores de todo o mundo, funcionando assim, ao longo de décadas, como um precioso apoio ao turismo de qualidade. Na fase final da sua vida, a então administração portuguesa de Macau acolheu-o na Pousada de Mong Há (Wangxia 望廈), do Instituto de Formação Turística, onde fixou residência. A obra deste grande vulto da cultura macaense é composta por mais de cem livros e para cima de duas centenas de artigos, além de incontáveis apontamentos e crónicas do quotidiano publicados na imprensa de Macau. Monsenhor Teixeira considerava Macau e a sua Diocese, 16 vols., Macau, 1940-1979, como a sua obra principal. Jorge Arrimar, que efectuou o levantamento de todas as suas publicações, faz referência a 307 títulos. Além de duas dezenas de títulos sobre os Jesuítas no Oriente e de oito títulos sobre Camões (dos quais Camões em Macau: Contribuições para o Estudo do Problema, 1940), são ali referenciados todos os demais, como: Bispos e Governadores do Bispado de Macau, 1940; Bocage em Macau, 1977; Camilo de Almeida Pessanha, 1969; O Comércio de Escravos em Macau – The so Called Portuguese Slave Trade in Macao, 1976; Companhias Estrangeiras em Macau, 1978; O Cristianismo na China antes do Séc. XVI, 1941; A Diocese de Timor, 1965; A Diocese Portuguesa de Malaca, 1957; Documentos para a História do Movimento Liberal de 1822-1823, 1974; A Educação em Macau, 1982; Fortalezas de Macau: Fortaleza de Nossa Senhora da Guia, 1969; Fundação de Macau, O Fundador do Leal Senado, 1968; A Igreja em Cantão, 1996; A imprensa Periódica Portuguesa no Extremo Oriente, 1965; Influência do Português na Língua Malaia, 1961; Japoneses em Macau, 1993; Joaquim Paço D’Arcos, 1979; Macau no Séc. XVI, 1981; Macau no Séc. XVII, 1982; Macau no Séc. XVIII, 1984; Antigos Navegadores e Marinheiros Ilustres nos Monumentos e Toponímia de Macau, 1984; A Medicina em Macau, 4 vols., 1975-1976; Pagodes de Macau, 1982; A Polícia de Macau, 1970; Os Cafres em Macau, 1972. O Padre Manuel Teixeira faleceu em Portugal, em Setembro de 2003. [A G. de A.] Bibliografia: ARAÚJO, Amadeu, “O Último Abencerragem do Padroado”, in Diálogos em Bronze – Memórias de Macau, (Macau, 2001); ARESTA, António, “Monsenhor Manuel Teixeira e a História da Educação em Macau”, in Brigantia (Bragança, 1998); ARRIMAR, Jorge de Abreu, Mons. Manuel Teixeira: O homem e a Obra – Father Teixeira: The Man and his Work, (Macau, 1992); COUTINHO, Paulo, “Monsenhor Macau”, in MacaU, (Macau, Nov. 1994).
No dia 15 de Abril de 1933, o Decreto n.° 2.259 do Ministério das Colónias, face ao reduzido movimento da Comarca de Macau, determina que ela passe a constituir um único Juízo, juntando o Juízo Civil, Comercial e Criminal. O Tribunal Administrativo, Fiscal e de Contas será presidido pelo Juiz de Direito da Comarca. (Cfr. B.O. n.° 15).
Procede-se, pelas 15 horas do dia 15 de Abril de 1937, na sala das arrematações da Repartição Central dos Serviços de Fazenda, a arrematação do exclusivo das lotarias Pacapio, Sanpio e Chimpupio em Macau, Taipa e Coloane, pelo tempo de 3 anos, a contar de 16 de Maio de 1937, sendo a base de arrematação de $600.000,00 e a garantia de $60.000,00. São estipuladas 6 condições para o Regulamento e 31 condições para o contrato definido.
Ao longo de todo o período da Segunda Guerra Mundial, ou Guerra do Pacífico como aqui é conhecida, Macau manteve-se neutral, uma precária neutralidade. Em Dezembro, mais concretamente no natal de 1941, os japoneses ocuparam Hong Kong. Esse facto provocou um inusitado afluxo de refugiados ao outro lado do Rio das Pérolas. Macau que tinha na altura cerca de 160 mil habitantes aumentou subitamente para mais de meio milhão.
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