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Que tipo de país é a China ? O que disseram os primeiros portugueses aqui chegados sobre a China, 1515

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Trata-se de um significativo conjunto de cerca de seis mil folhas manuscritas, cronologicamente situadas, na sua grande maioria, entre meados do século XVIII e a primeira metade da centúria seguinte. A temática desta documentação diz respeito às relações entre as autoridades portuguesas e chinesas a propósito do território de Macau, versando múltiplos e variados temas, no âmbito dos contactos ofic
Na carta de 9 de Janeiro (de 1750) que o Senado entregou a D. Fr. Hilário, seu procurador extraordinário à Corte de Lisboa, recomendava-se ainda a solução dos seguintes pontos: os pedidos de Trinh-Doanh, Rei de Tonquim (1740-1767), feitos por intermédio dos jesuítas, para manter o comércio com Macau; as dívidas da cidade; os abusos dos holandeses, elevando para o dobro em Malaca a taxa de ancoragem e exigindo direitos em Batávia até das Fazendas não desembarcadas; finalmente, pediase à corte de Lisboa autorização para ir, de Macau ao Brasil, um ou dois barcos por ano. D. Fr. Hilário não regressou; resignou, sendo-lhe aceite a sua renúncia ao bispado em 1752 e vindo a falecer no Convento de Mafra, a 30 de Março de 1764.
Foram os Portugueses que, logo após o seu estabelecimento em Macau, por volta de 1557, trouxeram para o Oriente tipos de imprensa com caracteres latinos. Por intermédio de missionários, foram esses tipos levados para o Japão em 1591, assim como prelos de tipos móveis. Devido a essas impressoras, começaram a aparecer no Império do Sol Nascente algumas obras da literaturae uropeia, traduzidas por esses mesmos padres missionários, que ali montaram as primeiras tipografias. Este facto está relacionado com a introdução de muitos termos portugueses na língua japonesa, embora modificados pela evolução do tempo e pela adaptação à pronúncia nipónica. Quase nada se sabe dos primeiros passos da actividade da imprensa em Macau. Foi aqui, no entanto, que em 1822 foi publicado o primeiro órgão da Imprensa no Extremo Oriente, Abelha da China. Entre 1824 e 1838 surgiram várias publicações, semanais, quinzenais e mensais, quase todas de pouca duração, mas apenas em 5 de Setembro de 1838 apareceu a primeira publicação oficial designada Boletim do Governo de Macau, Timor e Solor. Foram publicados somente cinco números, com uma periodicidade irregular, vindo o último número a ser publicado em 9 de Janeiro de 1839. Em 9 de Abril de 1840, foi publicado um novo Boletim do Governo de Macau, desconhecendo-se o número de edições assim como a data em que se deu o seu desaparecimento. Em 11 de Janeiro de 1846, surgiu uma nova publicação oficial, o Boletim Oficial do Governo de Macau e Timor, publicação semanal que teve vida relativamente longa, dado que o seu último número data de 31 de Dezembro de1896. Só depois passou a ser publicado regularmente o Boletim Oficial do Governo da Província de Macau, que teve como sucessor o actual Boletim Oficial. Até 1901 todas as publicações oficiais eram impressas em tipografias particulares. Foi então que o governador José Maria de Sousa Horta e Costa resolveu criar a Imprensa Oficial, que começou a funcionar no dia 1 de Janeiro de 1901, em um edifício da Calçada do Bom Jesus. O seu primeiro director foi o capitão tenentee engenheiro maquinista-naval José Maria Lopes. Anos depois, e porque o capitão-tenente tinha de regressar a Portugal, foi nomeado director o cidadão Rodrigo Marin Chaves. Durante o período que se seguiu, a Imprensa Oficial sofreu profundas remodelações, sobretudo os serviços de secretarias e arquivo, que foram objecto de uma reorganização que permitiu uma maior eficiência, apesar dos trabalhos oficinais continuarem a laborar com o velho e escasso material que possuíam. Com o alargamento da sua actividade, houve necessidade de procurar outras instalações mais amplas e funcionais, o que levou à sua transferência, por volta de 1912, para um prédio da Rua do Hospital, hoje Rua Pedro Nolasco, passando mais tarde para a Rua do Gamboa, onde igualmente se demorou pouco tempo, pois veio a ser instalada na Rua Central. Mas as mudanças continuaram, sempre com oobjectivo de procurar instalações que permitissem o seu desenvolvimento. Primeiro foi na Praia Grande, numa das casas de Pedro José Lobo, e mais tarde na Rua de Inácio Baptista. Finalmente, em 1930, passaram todos os serviços a funcionar em instalações amplas, onde foi possível montar novos equipamentos e ter boas salas para os serviços administrativos. Foi na antiga residência dos directores da conhecida empresa britânica Companhia das Índias Orientais, hoje Casa Garden, onde é a sede da Fundação Oriente, junto do Jardim de Camões. Verificou-se, porém, ser indispensável a construção de um edifício próprio sem necessidade de serem feitas adaptações. De facto, para a época de 1930 o edifício da Companhia das Índias servira plenamente, mas nos anos cinquenta já não possuía condições para satisfazer as necessidades editoriais de Macau. Assim se construiu o actual edifício sito na rua a que se deu o nome de Rua da Imprensa Oficial, e que foi inaugurado no dia 28 de Janeiro de 1954. Edifício moderno, amplo, com magníficas instalações, mais tarde ampliadas e melhor equipadas, que satisfazem plenamente as necessidades do Território em termos de publicações e dos mais variados impressos que fornece aos outros Serviços da Administração. [J.S.M.]Bibliografia: BRAGA, J.M., “The Beginnings of Printing at Macao”, in Studia, n.° 12, (Lisboa, 1963), pp.29-137.
Depois de estadias efémeras por localidades como Liampó (Ningbo 寧波), Chinchéu (Zhangzhou 漳州), Sanchoão (Shangchuan 上川) e Lampacau (Langbai’ao 浪白澳), os portugueses fixam-se em Macau por volta de 1557. Aqui aprendem a comunicar com um povo essencialmente prático eimaginativo, pertencente a uma civilização milenária, com uma vida social organizada e influenciada por diferentes correntes religiosas: o Confucionismo, o Taoísmo e o Budismo. Estas correntes advogam os exercícios do corpo respectivamente ao serviço do altruísmo (Yen [Ren] 仁) e rectidão (Yi 義), na procura da saúde em harmonia com a Natureza (Wu wei 無為) e na prevenção e manutenção da saúde corporal com vista a fins terapêuticos e higiénicos, procurando o perfeito estado de equilíbrio físico e moral. Não se poderá dizer que o diálogo lúdico encetado então entre portugueses e chineses tenha sido profícuo, porquanto a sociedade chinesa não aceitou, até ao século XIX, os modelos europeus importados. É apenas a partir dos fi nais deste século, que a mensagem universalista do desporto (eapenasem algumas modalidades) consegue romper com a barreira fortemente impregnada de mentalida de e identidade diferentes, vencendo a rusticidade, variabilidade e até espontaneidade de algumas práticas chinesas de tradição. Nesta perspectiva, e em nosso entender, é possível estabelecer uma fronteira temporal e conceptual que define a ‘História desportiva’ de Macau em duas fases primordiais: uma, essencialmente ‘desportiva’, a partir dos meados do século XIX, e a primeira, a que chamaremos de ‘tradicional’, visto que foi o período áureo de práticas hoje assim entendidas. Nesta primeira fase, longa e com três séculos de coabitação, os portugueses, na procura de definição de uma ordem social, dão grande importância às práticas corporais, à ostentação e à solenidade, oferecendo-se em espectáculos ao povo chinês, convidadoa vir admirar e respeitar esta minoria privilegiada, senhores da razão e do progresso. São os ‘simulacros de acção bélica’, práticas essas que integram uma componente determinante: a de fornecer a necessária preparação militar a estes ‘novos fronteiros’, enquanto úteis exercícios indispensáveis à manutenção da aptidão física e mental para os combates que pudessem ocorrer. Desdobravam-se em corridas e torneios equestres, touradas, caça, marchas e paradas. Estas práticas físicas, relata das por Fernão Mendes Pintoe Pete rMundy, ilustram o lugar dos novos Senhores no meio local: é aúnica categoria social a fazer uso da sua destreza e da sua força. Ainda nesta fase, mas num segundo período, quando já transformados em abastados comerciantes e sabedores da desnecessária preparação bélica perante um desmesurado e forte ‘Império do Meio’, as práticas físicas dos portugueses perdem a sua virilidade, mantendo contudo a ostentação e solenidade, aliadas agora à sedução e cortesia. Dedicam-se mais a práticas como a dança, os jogos de salão, o teatro, o piquenique, intercalados por muitas festas e folias. Em ambos os períodos, as práticas físicas, próprias da cultura barroca animada de um intenso espírito de propaganda, recorrem à utilização simbólica, declaradamente política, do espectáculo e da festa. Os chineses, remetidos a uma parte da cidade, entretêm-se pelas casas de pasto em jogos de tabuleiro como o p’ai kau (Paijiu 牌九) (dominó chinês) ou uâi-k’ei (weiqi 圍棋), enquanto outros esquecem as suas penas em locais recônditos, dedicando-se a jogos não permitidos pelos mandarins, como os de cartas, de moedas ou dados, e que degeneram por vezes em renhidos combates de kung fu (gongfu 功夫). Em família, divertem-se nos espectáculos de tái hêi (daxi 大戲) (ópera de Cantão), ou procuram as frescas vertentes das colinas onde, com grande concentração, se aplicam nos lentos e sincronizados exercícios do t’ai chi chuan (taijiquan 太極拳). A segunda fase inicia-se no século XIX, caracterizado pela influência e diversidade de estilos, de grandes mudanças, que passam pela crítica às práticas do corpo de uma minoria privilegiada, aos artificialismos e modos de vida. Caberá à grande comunidade inglesa em Macau o papel de suscitar a renovação das actividades corporais e iniciar o processo de aparecimento do desporto moderno. Aqui, com práticas como o cricket, as corridas de cavalos, as regatas, o croquet e mais tarde o lawn-tennis, deixarão os ingleses alguns dos principais traços característicos daquilo que seria o desporto moderno: a respectiva organização e regulamentação, o despertar do espectáculo e efectiva penetração em todas as camadas sociais. Na década de 1870-1880, o sport cativa já as elites locais, com muitas organizando-se em instituições vocacionadas a “proporcionar aos seus associados e familiares passatempos úteis, recreativos e artísticos”. São desta época o Grémio Militar (1870), a Associação Club Y-On (1881), o Club China Sang-Li (1881), o Club China Tum Vo (1882) e Club União (1887). À época, militares e estudantes divertem-se organizando ‘concursos e festas desportivas’, qual conjunto de práticas associadas a um mesmo evento e onde falava mais alto o papel social e prazer que a própria competição: às exibições de ginástica sueca, juntam-se provas de saltos e corridas, aliadas a manobras de força ou ciclismo em ‘corrida negativa’, terminando com a luta de tracção à corda. Outras vezes, este sport desloca-se para as praias de Areia Preta ou de Cacilhas, onde a água barrenta se torna palco para uma natação de ‘peito’ oude velocidade, associada ao ‘mergulho de submersão longa’ ou às hilariantes ‘caça ao pato’ e ‘corrida de chatas’. Estas práticas que despontavam, e onde o futebol e o ténis se destacavam, embora com batidas pelos mais cépticos, porque segundo eles “[…] prejudica os cardíacos e os ahórticos; que é um género de exercício que expõem aos resfriamentos e bronquites; e que os participantes apanham tombos e quedas a toda a hora […]”(A Verdade, 9 de Janeiro de 1910), vão-se apresentando pouco a pouco na sua forma mais moderna: com limites espaciais e temporais, regulamentos hesitantes e pouco eficientes, deixando lentamente de ser privilégio de apenas um pequeno estrato favorecido da população. Na década de 20, os chineses, organizados em equipas, já competiam com equipas portuguesas e demonstravam uma franca abertura para os desportos ocidentais, chegando “[…] uma equipa de rapazes chines e aderrotar o team dos marinheiros por 2 a 0” (O Liberal, 16 de Março de 1922). O avolumar da guarnição militar no Território, fruto de um período sócio-político agitado de duas décadas, será determinante na entrada de novas modalidades desportivas como o tiro, a vela, o basquetebol, o ping-pong, o hóquei em campo, o voleibol e a bolinha, bem como outras de carácter castrense epraticamente cingidasà exibição: o florete, o boxe, a equitação e o jogo do pau. Germinando por todo o lado, num tão exíguo espaço geográfico, embora de uma forma gradual e lenta, o desporto assumia, desta forma, e agora com a participação da mulher, a faceta mais promissora da exercitação do corpo, ficando aquém das aspirações e ensejos dos mais entusiastas, mesmo quando em satisfatórias prestações internacionais, aqui designados por interports. Na década de 30 destacam-se o futebol e o hóquei em campo. O primeiro terá a sua Associação de Futebolem1939, procurando um organismo que trouxesse alguma “orientação e ordem onde havia desordem”. O segundo assume-se como a modalidade mais representativa do Território, alcançando algum prestígio na Ásia. Em 1939 surge também a Organização da Mocidade Portuguesa. De carácter nacionalista e patriótica, chama a si o fomento e coordenação de toda a actividade gimno-desportiva das camadas jovens, implementando outras modalidades como o badmington, a ginástica e o xadrez. O desporto, entretanto mais evoluído e maturo, sente nos anos cinquenta a necessidade desegmentar-se e especializar-se, adquirindo instalações e organismos desportivos próprios, o que leva o Governo a criar uma estrutura estatal – o Conselho de Desportos, logo substituído pelo Conselho Provincial de Educação Física e Desportos – com a finalidade de “supervisionar, orientar e disciplinar” tal desporto, impondo regulamentos e calendários, premiando os “fortes e capazes”, no encontro com a política do regime. Alguns anos após a Revolução de Abril (1974) surge a preocupação por uma ‘democratização desportiva’, alicerçada num desenvolvimento desportivo de base e dirigido ‘a todos’, que, aliada à necessidade de gestão do parque desportivo entretanto surgido(ao sempre solicitado Campo da Caixa Escolar, já dos anos vinte, juntara- se em 1940 o Campo Desportivo 28 de Maio), leva à criação de um novo Conselho dos Desportos, agora estrutura autónoma e operativa que se dedica exclusivamente ao desporto, substituindo a anterior e efémera Repartição da Juventude e Desportos. A assunçãododesporto comoumavertente daactividade humana, a preocupação pela sua melhor estruturação, a necessidade de apoiar nas suas diferentes exigênciaso recém-nascido associativismo desportivo, estimulando a sua filiação em organismos internacionais, levará à criação do Institutodos Desportos de Macau. Será esta Instituição que modificará por completo o panorama desportivo local nas duas vertentes fundamentais de prática desportiva: no desporto-rendimento e no desporto-recreio. Em colaboração com as Associações Desportivas, entretanto surgidas, suportadas por um parque desportivo invejável para a dimensão do Território, este Instituto potenciará de uma forma marcante o desporto macaense. [C.C.A.] Bibliografia: BOXER, Charles, Fidalgos no Extremo- Oriente, (Macau, 1990); BRAGA, Isabel Maria Peixoto, Macau durante a II Guerra Mundial: Sociedade, Educação Física e Desporto, (Macau, 2003); FERREIRA, J. Santos, Textos sobre Desporto. Desporto Macaense, (Macau, 1997); GOMES, Luís Gonzaga, “Jogos Chineses”, in Renascimento, [ed. facsimilada dos números 1-6 (Jan./Jun.), de 1944], (Macau, 1998), pp. 251-261.
O projecto Nam Van (Nanwan 南灣), que transformou completamente a romântica Baía da Praia Grande – com um investimento de cerca de 475 milhões de contos –veio criar um novo espaço onde se inserem dois lagos artificiais, 46 lotes de construção destinados a habitação e serviços, zonas de lazer, novos edifícios públicos nobres como o dos Tribunais Superiores e da Assembleia Legislativa (inaugurados em 1999), zonas verdes, e uma nova via de cintura externa de Macau que permite evitar o tráfego do interior da cidade, ligando o Porto Exterior ao Interior, por acessos modernos, através de uma marginal que, para além de devolver a cidade ao mar, integra no seu circuito o Centro Cultural de Macau, o Centro Ecuménico da Deusa Kun Iam (Xiwan 西灣). A 19 de Dezembro de 2004, foi oficialmente inaugurada a Ponte Sai Van (Xiwan 西灣), a terceira a ligar a ilha da Taipa a Peninsula de Macau. Contudo, a abertura ao público só foi efectuada a 9 de Janeiro de 2005. A ponte mede 2.200 metros de comprimento e possui dois tabuleiros:o superior, com seis vias; e o inferior, dotado de vias e que é aberto aos automobilistas quando a região é atingida por tufões. O custo desta infraestrutura orçou os 560 milhões de patacas e esta permite também o acesso à zona do Cotai, local de varios casinos, hoteis e resorts em construção. Apesar de ser uma ponte suspensa por cabos, o seu design e exclusivo. Assim, além de pode ser usada com segurança durante a ocorrência de tufões, poderá igualmente, no futuro, acomodar um sistema leve de caminhos-de-ferro. A Ponte Sai Van (Xiwan 西灣) foi também posicionada estrategicamente para proporcionar um interface com os transportes ferroviários de Guangzhou (廣州).
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