Um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, António Manuel Couto Viana nasceu em 1923 e viveu em Macau cerca de dois anos, de 1986 a 1988. Aqui ganhou inspiração para os seus poemas do Oriente, reunidos nos volumes No Oriente do Oriente (1987) e Até ao Longínquo China Navegou... (1991), que se juntaram à sua vasta e rica obra poética, iniciada com O Avestruz Lírico, em 1948, e No Sossego da Hora, em 1949, com que ganhou o Prémio Antero de Quental. Já octogenário, continua a escrever, tendo livros no prelo, e recorda sempre com saudade a sua passagem por Macau. Aqui fez amizades e ganhou a admiração e a solidariedade de professores, escritores, funcionários públicos, jornalistas e tantos outros que o acompanharam e souberam apreciar a sua personalidade e a sua obra. No seu estudo “Macau em Couto Viana em Macau”, que serve de introdução a No Oriente do Oriente, Beatriz Basto da Silva, ex-directora do Arquivo Histórico de Macau, professora e historiadora, autora da Cronologia da História de Macau, fez-lhe justiça, lembrando que “como quem nos leva pela mão para mostrar o seu tesouro, o autor vai-nos lançando, ao longo da obra, na paixão de que foi tomado por Macau”. Como ela, cada um dos que compreenderam a dimensão humana e a grandeza de sentimentos do poeta, pode dizer: “voto a António Manuel Couto Viana a mais profunda gratidão por ter encontrado, de forma tão exacta e tão feliz, a representação animada de sentimentos que, mais do que meus, são afinal os de todos quantos sentem o coração preso a este tão especial bocadinho de terra”. Assim é, de facto. Apesar de ter estado pouco tempo entre nós, o poeta ficou mesmo com o coração preso a Macau. O livro No Oriente do Oriente, que tem ilustrações de Fernando Lima, Mio Pang Fei (Miao Pengfei 繆 鵬飛), Yuan Zhi Qing (Yuan Zhiqin 袁之欽), Guilherme Ung Vai Meng (Wu Weiming 吳衛鳴), Victor Marreiros e Carlos Marreiros, também autor da capa e do retrato do poeta, ganhou o Prémio de Literatura da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, em 1988. António Manuel Couto Viana, além deste prémio e do Prémio Antero de Quental, que lhe foi atribuído duas vezes, foi justamente contemplado com outros importantes galardões, como o Prémio Nacional de Poesia, o Prémio da Academia das Ciências e o Prémio Luso-Galaico Valle-Inclan. Também obteve o Prémio Nacional António Pinheiro (por duas vezes) e o Prémio da Crítica, pela sua actividade artística, distinguindo-se como actor, encenador e empresário teatral. A sua poesia figura nas principais antologias de língua portuguesa, organizadas por João Gaspar Simões, Luiz Forjaz Trigueiros, Jorge de Sena, Natália Correia, João Alves das Neves, Cabral do Nascimento, Maria Alberta Menéres e E.M. de Melo e Castro, Azinhal Abelho, Tomaz Ribas e outros. O outro livro de poemas de António Manuel Couto Viana, inspirados e escritos em Macau e noutras partes do Oriente, é Até ao Longínquo China Navegou.... Edição do Instituto Cultural de Macau (1991), integrou-se na sua colecção “Poetas de Macau”, iniciada com os livros Doci Papiáçam di Macau, de José dos Santos Ferreira, O Rosto, de Alberto Estima de Oliveira, e Lin Tchi Fá – Flor de Lótus, de Maria Ana Acciaioli Tamagnini. O arranjo gráfico e a capa são de Vítor Marreiros e o poeta dedicou versos a Henrique de Senna Fernandes, João Sales, Padre Benjamim Videira Pires, Maria da Graça de Carvalho Dias, Fernando Lima, Luísa Rangel, Gina Rangel, Manuela Martins, Conceição Freire, Padre Manuel Pintado, Helena Jardim e Amílcar Martins. Dele podem salientar-se dois poemas, um escrito imediatamente após uma visita ao velho observatório de Pequim e o outro no seu segundo e último ano novo chinês em Macau. Além dos dois livros referidos, António Manuel Couto Viana viu ainda outros dos seus poemas de Macau reunidos, em 1991, num opúsculo intitulado Não Há Outra mais Leal, o 15°. da colecção “O Lugar da Pirâmide”, das Edições Átrio, Lisboa. Estes poemas são “O Naufrágio de Macau e “Aquela Morte Naquele Dia”, escritos, respectivamente, em Maio de 1985 e Abril de 1987 e dedicados a Teresa Bernardino e Beckert d’Assumpção, “descendente do Barão d’Assumpção, que mandou edificar o Farol da Guia, o primeiro das costas da China”. Couto Viana publicou também, em 1999, os Orientais. Como bem realçou Joaquim Manuel Magalhães, professor da Faculdade de Letras de Lisboa (As Escadas não têm Degraus, n.° 4, 1991), “Couto Viana pode ser designado como um representativo poeta português. E depois como alguém que vale a pena estudar e sentir no seu diálogo com uma outra cultura e no seu peculiar empenhamento para com a História”. [J.A.H.R.]
Bibliografia: RANGEL, Jorge A.H., Falar de Nós, (Macau, 2004); SILVA, Beatriz Basto da, “Macau em Couto Viana em Macau”, in VIANA, António Manuel Couto, No Oriente do Oriente, (Macau, 1987).

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Data de atualização: 2022/11/03