Nascido ainda em Portugal, na lisboeta freguesia da Sé, em Lisboa, corria o ano de 1759, Januário Agostinho de Almeida viria a falecer em Calcutá, na Índia, em 1825. Chega cedo aos enclaves portugueses da Ásia com apenas dezassete anos, logo iniciando agitada actividade comercial em Macau. Proprietário de três embarcações mercantis macaenses – S. Miguel, Nossa Senhora do Carmo e Lucónia – Almeida conseguia mobilizar mais de 15000 picos de arqueação indispensáveis para transportar os lucrativos tratos de produtos sumptuários chineses e dos têxteis industriais indianos, em abundante circulação entre as economias do Sul da China e da Índia, alcançando também os mercados europeus. Rapidamente, Januário Agostinho de Almeida se viria a tornar num dos mais ricos comerciantes privados de Macau, fundando firma mercantil ao gosto oitocentista com o seu nome. Como vários outros abastados comerciantes da primeira metade do século XIX macaense, haveria de preferir construir a sua habitação apalaçada no Porto Interior, nela mantendo uma forte guarda pessoal que chegava à centena de cipaios. Partilha com outros membros macaenses deste poderoso grupo mercantil a obtenção do título de cavaleiro da Ordem de Cristo, depois chegando mesmo a ser premiado como fidalgo da Casa Real com esse outro título, simbolicamente mais elevado, de primeiro barão de S. José de Porto Alegre, mercê régia recebida em 1815 quando contava os cinquenta e seis anos de idade. O enorme poder comercial de Januário Agostinho de Almeida no enclave macaense convidou-o a participar de forma empenhada na criação da importante Casa de Seguros de Macau de que seria mesmo o primeiro presidente. Apesar destes esforços associativos e financeiros, a firma com o seu nome não resistiria à sua morte, como, aliás, aconteceria quase normativamente com muitas outras companhias mercantis de Macau, incapazes em meados do século XIX de enfrentar a forte concorrência aberta com a fundação de Hong Kong e a viragem definitiva das conjunturas comerciais mundiais progressivamente mais dominadas também pelas estratégias do colonialismo económico britânico nos espaços asiáticos. Perdura, porém, em volta da considerável fortuna de Januário Agostinho de Almeida uma sorte de legenda popular que, não deixando de ter expressão tanto nas divisões sociais do enclave quanto na profunda elitização do capital, esclarece os contornos quase “formidáveis” da sua imensa riqueza: constava que, quando um tufão mais violento ameaçava esses burgueses palácios do Porto Interior, o nosso poderoso Almeida decidia proteger as grandes portas e janelas da sua casa com sacos cheios de moedas de mil patacas. A sua descendência não teve estes favores de uma fortuna que se dissipava com a transformação das relações económicas internacionais, assim desaparecendo a sua firma, perdendo-se os seus barcos, dissolvendo-se os seus capitais muitos até que, por fim, em 1919, o palácio do grande comerciante “reinol” acabaria por ser comprado pelo governo da cidade. Bibliografia: FORJAZ, Jorge, Famílias Macaenses, (Macau, 1996), pp. 75-76; TEIXEIRA, Padre Manuel, Toponímia de Macau, vol. II, (Macau, 1979), p. 364; TEIXEIRA, Padre Manuel, Os Militares em Macau, p. 195.

Informações relevantes

Data de atualização: 2023/04/03