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Data de atualização: 2023/02/14
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Data de atualização: 2023/02/14
Oriundo do Alentejo, possivelmente nascido em Sines (1469 é a data mais vulgarmente aceite), Vasco da Gama descende de uma família com ligações à monarquia. É filho de Estêvão da Gama, alcaide de Sines e comendador do Cercal, da Ordem de Santiago. O filho, cavaleiro da mesma Ordem Militar, em 1495 recebe as comendas de Mouguelas e de Chouparia. Pouco se sabe dos anos anteriores ao momento em que é nomeado por D. Manuel capitão da armada que parte para a Índia. Segundo Damião de Góis, é 'homem solteiro e de idade para sofrer os trabalhos de uma tal viagem'. Parte de Lisboa a 8 de Julho de 1497. A expedição é constituída por duas naus (São Gabriel e São Rafael) ea Bérrio, provavelmente uma caravela. Vai também uma quarta embarcação, de transporte de mantimentos, destinada a ser queimada a meio da viagem. O comando das naus é entregue aos dois irmãos, Vasco e Paulo, sendo a caravela comandada por Nicolau Coelho. Seriam entre 150 e 170 homens. Entre aqueles cujos nomes se conhecem, parte significativa estaria ligada à Ordem de Santiago. Um pouco mais de metade não regressa a Lisboa. Com vento favorável, Vasco da Gama dirige-se ao arquipélago de Cabo Verde, onde se detém uma semana. Ruma então em direcção sul, na larga travessia oceânica que terminará, três meses mais tarde, na baía de Santa Helena, já perto do cabo da Boa Esperança. Oito dias depois (não sem alguma dificuldade) passa o Cabo, entra no Oceano Índico e ruma para norte ao longo do canal:ilha de Moçambique, Mombaça e Melinde. Nesta cidade, encontra, pela primeira vez desde que entra no Índico, boa receptividade. Obtém o concurso de um piloto experimentado na navegação daquelas paragens, e, com a monção, dirige-se à Índia, onde chega a meados de Maio de 1498. No dia 20 fundeia no porto de Calecute. 'Neste tempo que Vasco da Gama chegou a ela - escreve João de Barros -, posto que geralmente toda esta terra Malabar fosse habitada de gentios, nosportos do mar viviam alguns mouros, mais por razão da mercadoria e trato que por ter algum estado na terra, porque todolos reis e principes dela eram do género gentio e da linhagem dos brâmanes, gente a mais douta e religiosa em seu modo de crença de todas aquelas partes. E o mais poderoso principe daquele Malabar era el-Rei de Calecute, o qual por excelência se chamava Samori, que acerca deles é como entre nós o título de imperador. Cuja metrópole de seu estado, da qual o reino tomou o nome, é a cidade de Calecute, situada em uma costa brava, não com grandes e altos edifícios, somente tinha algumas casas nobres de mercadores mouros da terra e doutros do Cairo e Meca ali residentes, por causa do trato da especiaria, onde recolhiam sua fazenda com temor do fogo. Toda a mais povoação era de madeira coberta de um género de folha de palma, a que eles chamam ôla. ' Na cidade, grande entreposto do comércio oriental, os portugueses vão estar mais de três meses. Inicialmente são bem recebidos, mas as dificuldades de comunicação entre culturas tão diferentes e, sobretudo, a oposição e intrigados mercadores muçulmanos, vão envenenar as relações de Vasco da Gama com o Samorim local. Regressam então a Portugal em finais de Agosto. Não se pode dizer que a estadia em Calecute tenha sido nem proveitosa nem frutuosa. Vasco da Gama talvez não o tenha percebido em toda a sua dimensão, mas manifestaram-se já todas as dificuldades e desajustamentos que vão acompanhar a chegada dos portugueses ao Índico. A travessia deste oceano será longa e penosa. Quando, três meses depois, aportam novamente à costa oriental de África, a tripulação está dizimada pela doença, pelo grande número de mortos, pelas dificuldades da viagem. Partindo daqui em Janeiro de 1499, rumam em direcção ao Cabo, que dobram em Fevereiro. O retorno atlântico é relativamente rápido e já sem problemas de maior. Em finais de Abril estão na Guiné e, entre Julho e Agosto, os sobreviventes chegam a Lisboa. De volta a Lisboa, Vasco da Gama é recebido em clima de enorme satisfação. Conta o cronista Barros que, excepto 'aqueles que perderam pai, irmão, filho ou parente nesta viagem, cuja dor não deixava julgar a verdade do caso, toda a outra gente a uma voz era no louvor deste descubrimento'. Esta mesma satisfação transparece também na carta (mistura de missiva noticiosa e operação de propaganda) que D. Manuel envia imediatamente aos Reis Católicos, em 12 de Julho de 1499. O capitão-mor recebe então vários benefícios de D. Manuel, o mais importante dos quais é, em inícios de 1500, a concessão do título de Almirante do Mar da Índia, com todas as honras, proeminências, liberdades, poder, jurisdição, rendas, foros e direitos que estipula o Regimento do Almirantado do reino.Como se tem chamado a atenção, a generosidade régia não é inocente: sendo visível a semelhança com a doação que anos ames fora concedida pelos Reis Cat6licos a Colombo; numa conjuntura em que, no reino vizinho, a herança do tratado de Tordesilhas é posta em causa, o rei de Portugal pretende sublinhar que, no Oriente, exerce uma autoridade em todo paralela à da monarquia castelhana, no Ocidente. Entretanto, Pedro Álvares Cabral, comanda a segunda armada que é enviada à Índia (1500-1501). Quando regressa, e confirma as piores notícias de que, sendo impossível superar a oposição da rede comercial muçulmana no Oriente, não é pequena a discussão em Lisboa, divididas as opiniões sobre a estratégia a seguir. Acaba por se impôr a opção guerreira mais radical. É neste contexto que Vasco da Gama é nomeado para chefiar a frota que, em Fevereiro de 1502, sai do Tejo. Nesta sua segunda viagem à Índia, aporta a Sofala, Moçambique e Quíloa, onde impõe localmente a vassalagem e o pagamento de um tributo ao rei de Portugal. É bem recebido em Cananor e em Cochim, onde carrega as naus. Mas, em Calecute, repetem-se as mesmas dificuldades e idênticos problemas já encontrados nas viagens anteriores (quer na sua, quer na de Cabral ). Mais do que em 1498, Vasco da Gama afirma o seu poder militar de forma brutal. Torna-se inevitável o enfrenrament omilitar. Ao regressar, deixa uma esquadra permanente no Índico. Entra na barra do Tejo, no final do verão de 1503. Seguem-se anos sombrios na vida do Almirante, durante os quais se vai progressivamente afastando de D. Manuel. Só voltará a aparecer no primeiro plano da vida portuguesa a partir de 1518, sobretud oquando, em finais do ano seguinte, lhe é concedido o condado da Vidigueira. Com D. João III, surgirá de novo a influenciar a política portuguesa no Oriente, advogando uma prática bastante diferente da que ele no início defendera. Assim, em Fevereiro de 1524, é nomeado governador da Índia. Parte em Abril, e chega ao Oriente em Setembro, manifestando imediatamente o propósito de tudo mudar repentinamente. Dura pouco tempo, pois morre a 24 de Dezembro do mesmo ano, em Cochim, Índia. Protagonista de uma época de transição, formado no clima social e cultural das Ordens Militares, a sua biografia revela um homem complexo. Voluntarioso, áspero, determinado, apaixonado, na sua pessoa confluem os rasgos controversos do serviço régio e do afã pelo engradecimento pessoal. Mas a gesta que protagoniza não é menos contraditória. De qualquer modo, na sua biografia sobressai a importância da sua viagem de 1497-1499, primeira ligação marítima de Lisboa a Calecute, através da comunicabilidade dos dois oceanos, o encontro do Ocidente com o Oriente. É, para todos os efeitos, um encontro multifacetado. Como já tive oportunidade de escrever, com 'tudo o que, à nascença, implica de alargamento insuspeitado de distâncias físicas e de horizontes espirituais, de mutações profundas na comunicabilidade das economias, das civilizações e das culturas, tal ciclo encerra, de facto, uma grande diversidade: projecto de gerações, vontade de poder, debate estratégico, aventura náutica, heroicidade na viagem, afirmação militar, interesses mercantis, negociação diplomática, intransigências da autoridade, alegria no momento do êxito, frequente sofrimento'. [L.A.F.] Bibliografia: CURTO, Diogo Ramada (dir.), O Tempo de Vascoda Cama, (Lisboa, I 998); FONSECA, Luís Adão da, Vásco da Cama. O Homem, a Viagam, a Época, (Lisboa, I 997); GARClA, José Manuel (dir.), A Viagem de Vásco da Cama à Índia. 1497-1499, (Lisboa, 1999); SUBRAHMANYAM, Sanjay, A Carreira e a Lenda de Vasco da Cama, (Lisboa, 1998).
GAMA, VASCO DA (1469?-1524)
| Personagem: | Álvares, Jorge, -1521 |
| Tempo: | Após o estabelecimento da RPC em 1949 até 1999 |
| Desde o retorno à pátria em 1999 | |
| 2022 | |
| Local: | Península de Macau-Freguesia da Sé |
| Avenida da Praia Grande |
| Direito de propriedade: | Pinheiro, Gonçalo Lobo |
| Fornecedor de trabalho digital: | Pinheiro, Gonçalo Lobo |
| Autorização: | Autorização do uso à Fundação Macau concedida por Pinheiro, Gonçalo Lobo. Em caso de precisar usar este material, deve pedir a autorização do titular do direito de autor. |
| Tipo: | Fotografia |
| Preto e branco | |
| A cores | |
| Identificador: | p0024982 |
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