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Data de atualização: 2020/07/21
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Graciete Agostinho Nogueira Batalha nasceu em Leiria, em 30 de Janeiro de 1925. Concluiu, em 1949, o curso de Filologia Clássica, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. O facto de, em 1949, ter casado com José Marcos Batalha, natural de Macau, determinou que a sua actividade profissional se desenvolvesse em Macau, inicialmente, na Escola Primária Oficial. De 1958 a 1959, foi leitora Honorária de Português, no Department of Modern Languages, da Universidade de Hong Kong, onde leccionou Língua e Literatura Portuguesas. A partir de 1962, trabalhou como professora no Liceu Nacional Infante D. Henrique, em Macau. Exerceu ainda a função de Directora da Escola do Magistério Primário. Para além da actividade docente, colaborou em diversos periódicos de Macau, jornais e revistas, sobre temas de literatura portuguesa, educação e ensino do Português. Toda a sua actividade, principalmente a actividade docente, aparece reflectida no seu livro de memórias Bom Dia S’tôra (1991), pelo qual lhe foi concedido o prémio IPOR (Instituto Português do Oriente). Foi sobretudo ao dialecto macaense que dedicou a maior parte da sua investigação, exposta em conferências, comunicações e em diversos artigos publicados: “Aspectos da sintaxe macaense: apontamentos para um estudo do falar actual de Macau” (Mosaico, 1953); “Aspectos do vocabulário macaense: apontamentos para um estudo do falar actual de Macau” (Mosaico, 1953); “A contribuição malaia para o dialecto macaense” (Boletim do Instituto Luís de Camões, 1965); “Língua de Macau: o que foi e o que é” (Revista de Cultura, 1994); “Situação e perspectivas do português e dos crioulos de origem portuguesa na Ásia Oriental (Macau, Hong Kong, Malaca, Singapura, Indonésia)”, (Actas – Congresso sobre a Situação Actual da Língua Portuguesa no Mundo [Lisboa, 1985-1987]); “Estudo actual do dialecto macaense” (Revista Portuguesa de Filologia, 1958). No Glossário do Dialecto Macaense: notas linguísticas, etnográficas e folclóricas (Macau, 1988) e no Suplemento ao Glossário do Dialecto Macaense: novas notas linguísticas, etnográficas e folclóricas (Macau, 1988) reuniu a herança linguística dos portugueses de Macau. No Glossário, Batalha inclui os termos macaenses “de criação ou importação recente, as palavras antigas, mas ainda usuais, as que se ouvem apenas a determinada geração, a mais idosa, e finalmente as que nem mesmo os mais velhos já empregam, que por vezes inteiramente desconhecem, ou de que só se recordam, nem sempre com exactidão, por as terem ouvido aos seus avós”. Para a recolha de termos antigos, Batalha valeu-se dos textos em crioulo, nomeadamente de Marques Pereira, publicados na revista Ta Ssi-yan Kuo (Daxiyangguo 大西洋國) e de Danilo Barreiros, publicados na revista Renascimento, e ainda de conversas ocasionais com pessoas idosas, e através de inquéritos. O Glossário evidencia os termos usados no crioulo macaense, os termos arcaicos da língua portuguesa, a influência malaia, indiana, japonesa, a influência chinesa e inglesa mais recentes, e que estão presentes no falar macaense.
BATALHA, GRACIETE AGOSTINHO NOGUEIRA (1925-1992)
Filho de uma família oriunda de Alcobaça e Nazaré e radicada em Leiria, Telo de Azevedo Gomes nasceu na Aldeia Galega, hoje Montijo, em 2 de Julho de 1892, onde o pai foi escrivão de direito durante algum tempo. Feito parte do liceu em Leiria, foi terminá-lo a Coimbra, onde cursou Filosofia e Ciências Naturais, sendo em 2 de Novembro de 1911 nomeado professor, novamente para o liceu de Leiria, tendo aí exercido até 1918. Contudo, de permeio, embarcara como voluntário no Corpo Expedicionário Português (C.E.P.), em 1917 para a Guerra na Flandres, tendo aí combatido como alferes de artilharia, chegando a comandar uma Divisão na zona de Champagne, quando as tropas portuguesas já estavam enquadradas pelo IV Exército francês. As dificuldades de readaptação no regresso à vida de Leiria, levaram a que aproveitasse o bom posicionamento político de amigos e familiares e fosse nomeado para Macau. No entretanto, encontrara na Baixa lisboeta um conterrâneo e velho amigo, Fernando de Lara Reis, sem família e também chegado da Guerra, desafiando-o a embarcar com ele. Em 23 de Outubro de 1919, desembarcaram ambos em Macau com destino ao liceu local, tinha Telo de Azevedo Gomes 27 anos de idade. Neste Território, a ascensão foi meteórica até 1931. Professor de Física e Ciências Naturais, de imediato granjeou admiração pelo saber e métodos pedagógicos, não descurando o envolvimento na vida cultural da cidade e no fascínio oriental. No ano seguinte ao da chegada, já Telo com Humberto Severino de Avelar, criavam o Instituto de Macau, que mais tarde integraria a Biblioteca Pública, trabalhando ainda para, em 1927, surgir o Museu Comercial e Etnográfico 'Luis de Camões' e, em 1929, a publicação periódica Arquivos de Macau, onde se compilavam exaustivamente dezenas de documentos antigos em risco de perda, tendo ele sido o primeiro director tanto desta edição como do Museu. Em 1922, já tinha integrado uma comissão que foi recebida por Albert Einstein, de passagem em Hong Kong, e em 1927 foi um dos principais impulsionadores da I Exposição Internacional, Científica, Tecnológica e Industrial de Macau, que tantos ecos teve no Sudeste Asiático. Em 17 de Dezembro de 1927, e sendo já pai de Rui Wong, casaria com Luísa Soares de Albergaria, açoreana, que fora a Macau de visita ao tio Humberto de Avelar. Do casamento teria os filhos Gonçalo e Isabel. Em 1931 tudo mudaria. Uma personalidade tão dinâmica e arrebatada, pouco dado aos ideais do Estado Novo emergente, havia de gerar ora atracção, ora despeito. A queixa que foi movida contra si por uma aluna, filha do chefe da polícia local, gerou um processo que rapidamente ganhou contornos políticos, apesar da desesperada defesa que apresentou. Apesar de nada se ter provado, apesar dos apelos do Encarregado do Governo, Pereira Magalhães, ao reitor Ferreira de Castro, apesar do Ministro do Ultramar também se lhe dirigir 'visto não haver provas jurídicas [ ... ] queira V. Ex.a dizer se pode evitar grande despesa na transferência do professor Gomes', nada demoveu o lobby formado e que teimava na expulsão de Telo. Foi este o anátema que sobre ele desceu e o fez embarcar em 19 de Agosto de 1931, acompanhado da família, com destino ao liceu do Mindelo, em Cabo Verde, vendo assim cortadas uma carreira e uma série de iniciativas notáveis no Extremo Oriente. Tendo um irmão, Vasco, a residir em Luanda, Telo conseguiu a transferência, no ano seguinte, para o Liceu Salvador Correia daquela cidade, refazendo rapidamente as condições de vida e de trabalho, completando a célula familiar com a chamada para junto de si do amigo e tio da esposa Humberto de Avelar. Em 1933, à semelhança do que fizera em Macau, fundava os Arquivos de Angola. Em 1935, promovia a recuperação da Ermida de N.a Sr. a da Nazaré de Luanda. Em 1937, integrava a organização da 1. a Exposição Histórica da Ocupação e Congresso da Expansão Portuguesa. Nesse ano, entraria para a Comissão Instaladora do Museu de Luanda e em 1940 tomava posse como vereador da Câmara Municipal, aposentando-se em 2 de Julho de 1957, com um louvor do Governado rGeral Sá Viana Rebelo, pela 'dedicação sem limites e inegável competência profissional' e rasgados elogios na imprensa local, sentindo assim que, de alguma forma, era reposta a justiça. De regresso a Portugal em 1959, passaria largos períodos com a familia, ora em Lisboa, ora em Leiria, falecendo em 11 de Novembro de 1974, no dia em que ele, antigo combatente, costumava celebrar o Armistício. [A.F.S.]Bibliografia: SOUSA, Acácio Fernando de, 'Telo de Azevedo Gomes: um caso no liceu de Macau', in Macau, (Macau, Junho 1998).
GOMES, TELO DE AZEVEDO (1892-1974)
No dia 4 de Setembro de 1775, o primeiro professor secular em Macau, José dos Santos Baptista e Lima, professor Régio de Gramática Latina (chegou a 23 de Abril de 1775), fez, por intermédio da Real Mesa, uma representação à Corte, pedindo aumento de vencimentos, (cfr. Cronologia…, 1786, 8 de Maio). O mesmo professor e poeta informa a corte de que estava ensinando a língua portuguesa, “ignorada totalmente pelos nacionais de Macau, que so falavam um idioma misto de português e chino corrupto e tal que necessita muitas vezes de interprete para saber o que dizem os discípulos”.
Primeiro professor secular em Macau
CONCEIÇÃO, ANTÓNIO MARIA (1910- 1985). Licenciado em Filologia Românica (Universidade de Coimbra), foi professor no Liceu Camões, em Lisboa (1934), entre outras escolas. António Conceição regressa a Macau em 1939, tornando-se director da Escola Comercial Pedro Nolasco, da secção masculina do Ensino Primário Oficial, dos Serviços de Educação e dos jornais O Desporto (1940-1941) e Notícias de Macau. Em 1957, o professor começa a leccionar no Liceu de Macau, onde trabalha até se reformar (1975), e, em Julho de 1991, é condecorado, a título póstumo, com a Medalha de Mérito de Macau. O seu nome encontra-se ligado ao desporto macaense, ao ser campeão, enquanto estudante do Liceu, dos 100 e 200 metros, sendo também futebolista e pugilista. Quando regressa a Macau, António Conceição concorre para o desenvolvimento do desporto no território, fundando e dirigindo o clube de bridge. De acordo com Jorge Forjaz (Famílias Macaenses, vol. I, 1996, p. 776), António Conceição foi o introdutor do riquexó, [em chinês Sam Lon Tché (Sanlunche 三輪車), ou seja, veículo de três rodas)] em Macau, trazidos de Swatow, em 1935. Bibliografia: GUTERRES, Patrício, “Nome que Merece Ser Perpetuado”, Gazeta Macaense, (Macau, 14 de Março de 1986); FORJAZ, Jorge, Famílias Macaenses, vol. 1, (Macau, 1996), p. 776.
CONCEIÇÃO, ANTÓNIO MARIA (1910-1985)
| Personagem: | Baptista e Lima, José dos Santos |
| Tempo: | Dinastia Qing entre 1760 e 1844 |
| 23/04/1775 | |
| 04/09/1775 | |
| Palavra-chave: | Português |
| Docente | |
| Língua portuguesa | |
| Remuneração de professores |
| Fonte: | Silva, Beatriz Basto da. Cronologia da História de Macau. Macau, vol. I, Livros do Oriente, 3.ª ed., 2015, p. 297. ISBN 978-99937-866-8-9. |
| Idioma: | Português |
| Identificador: | t0001840 |
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