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Data de atualização: 2020/07/20
Surgimento e mudança da Ribeira Lin Kai de San Kio
Macau e a Rota da Seda: “Macau nos Mapas Antigos” Série de Conhecimentos (I)
Escravo Negro de Macau que Podia Viver no Fundo da Água
Que tipo de país é a China ? O que disseram os primeiros portugueses aqui chegados sobre a China, 1515
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Vasco Calvo era um típico fidalgo-mercador português, talvez de origem genovesa e talvez com ligações à ilha da Madeira, que em 1519 partiu de Lisboa com destino à China, a bordo de uma nau pertencente ao almotacé-mór D. Nuno Manuel, comandada por seu irmão Diogo Calvo. Viviam-se então momentos entusiásticos nas relações luso-chinesas, pois os portugueses tinham constatado, depois de 1513, as extraordinárias possibilidades mercantis oferecidas pelo Celeste Império a todos aqueles que se aventurassem a viajar até ao litoral de Cantão. Desde esse ano, embarcações portuguesas rumavam regularmente às ilhas do estuário do rio das Pérolas, onde durante alguns meses efectuavam proveitosas trocas mercantis. E em 1517 desembarcara na grande cidade do sul da China a missão diplomática chefiada por Tomé Pires, que aguardava ainda um prometido encontro com o imperador Zheng De 正德 [r.1503- 1521]. O navio de Diogo Calvo atingiu Tamão em meados de 1520, após uma viagem relativamente rápida para os padrões da época. Tal como anteriormente tinham feito outros compatriotas, os irmãos Calvo subiram o rio até Cantão. Em meados de 1521, após a conclusão dos habituais negócios, o navio de Diogo Calvo preparava-se para largar de Tamão com destino a Malaca, juntamente com outras embarcações portuguesas que na altura se encontravam no mesmo ancoradouro. Mas precisamente nessa altura chegou a Cantão a notícia do recente falecimento do imperador chinês. Cumprindo uma tradição relacionada com o luto imperial, um édito oriundo de Pequim impunha a partida imediata de todos os estrangeiros que então se encontrassem em território chinês. Aparentemente, alguns dos portugueses que se encontravam nas ilhas do litoral recusaram-se a cumprir a ordem emitida pelos mandarins chineses, circunstância que deu início a um período de violentos confrontos entre a armada chinesa de protecção marítima e os navios portugueses ancorados em Tamão, que, como era então habitual, estavam armados de poderosa artilharia. Enquanto se davam estes confrontos, alguns dos homens do navio de Diogo Calvo, e entre eles Vasco Calvo, que se encontravam na cidade de Cantão, foram aprisionados pelas autoridades chinesas. De acordo com documentos posteriores, apenas escaparam a uma imediata execução por terem declarado que faziam parte da comitiva do embaixador Tomé Pires, que entretanto seguira para Pequim. O enorme respeito dos mandarins chineses pelas missões tributárias estrangeiras dá algum crédito a esta versão das fontes portuguesas coetâneas. Enquanto a nau de Diogo Calvo conseguia escapar à armada chinesa, vários outros navios portugueses foram capturados, sendo as respectivas tripulações quase integralmente chacinadas. Na sequência destes trágicos acontecimentos, os portugueses seriam formalmente proibidos de visitar as ilhas da Baía de Cantão durante mais de uma década. Encerrava-se assim o primeiro momento do relacionamento luso-chinês, que se iniciara de forma muito auspiciosa em 1513, mas que fora violentamente interrompido em virtude do desrespeito demonstrado pelos portugueses perante imposições das autoridades cantonenses. Entretanto, em finais de Setembro de 1521 chegava a Cantão, depois de uma infrutífera viagem a Pequim, a embaixada de Tomé Pires, que foi algo de uma recepção pouco amistosa por parte das autoridades chinesas. Mas os seus membros apenas seriam aprisionados um ano mais tarde, na sequência de demorados e rigorosos inquéritos às acções e intenções portuguesas levados a cabo pela corte pequinense. Os prisioneiros portugueses de Cantão viriam a desaparecer nos anos seguintes, a pouco e pouco, vítimas de abusos, de privações e de maus tratos nos cárceres da cidade. Vasco Calvo ainda vivia em 1536, altura em que subscreveu uma longa carta que conseguiu fazer chegar às mãos de portugueses que entretanto tinham de novo regressado ao litoral chinês. Nesse documento, o autor registava detalhadas informações sobre as realidades chinesas que tivera oportunidade de observar em primeira mão, traçando um quadro extremamente elogioso das grandezas políticas, económicas e sociais da China. Complementarmente, fornecia minuciosos planos para uma possível conquista portuguesa do sul da China; segundo afirmava, “no mundo não se achará terra de riqueza e para submeter debaixo de poder como esta”. A desvalorização que fazia do poderio militar chinês poderia ter ficado a dever-se às deficientes condições em que efectuou as suas observações. Fazia ainda referência a um curioso tratado de geografia chinês que teria conseguido obter, e que era capaz de ler, uma vez que durante o seu cativeiro tinha tido ocasião de aprender rudimentos da língua chinesa falada e escrita. Assim, talvez lhe caiba o mérito de ter sido o primeiro sinólogo português. A carta de Vasco Calvo e o livro chinês que obtivera foram enviados para Portugal, onde chegaram às mãos do cronista João de Barros, que lhes deu o devido uso na elaboração da sua Década 3, que então preparava para os prelos (Lisboa, 1563). Vasco Calvo desapareceu em altura incerta nas prisões de Cantão, em data que não deveria ter sido muito posterior a 1536. Bibliografia: LOUREIRO, Rui Manuel, Cartas dos Cativos de Cantão: Cristóvão Vieira e Diogo Calvo, (Macau, 1992).
CALVO, VASCO (?-?)
Faleceu João Lourenço de Almeida em Macau a 4 de Setembro de 1864 (sepultado no Cemitério de S. Miguel). Da terceira geração da família macaense 'Almeida', nasceu em S. Lourenço a 29 de Maio de 1788. Foi Capitão de navios, aprovado por carta de Agosto de 1811, comandante do brigue «Elisa» (1823), do navio «Gratidão» (1825) e da escuna «Genoveva», que em 1837 viajava para Bombaim e Singapura. Irmão da Santa Casa da Misericórdia de Macau, eleito a 1 de Novembro de 1833 e almotacé da Câmara em 1834.
Faleceu João Lourenço de Almeida em Macau
ARAÚJO, ALBINO JOSÉ GONÇALVES DE (1797-1832). Nascido no Rio de Janeiro em 1797, Albino José Gonçalves de Araújo pertence a esse muito pouco estudado grupo de funcionários, militares e comerciantes brasileiros que viria a deixar o Brasil após a sua declaração de independência, em 1822, dispersando-se por vários outros horizontes coloniais portugueses. Araújo decidiria fixar-se em Macau ainda na década de 1820 para encetar próspera actividade mercantil. Beneficiando do seu conhecimento das produções das terras brasileiras, conseguiu tornar-se proprietário de um navio em Macau, o Conde de Rio Pardo, imediatamente especializado em tratos com o novo país independente, sobretudo na importação lucrativa de tabaco em pó, depois vendido com grandes vantagens económicas nos mercados chineses e asiáticos. A sua promoção económica sustentou, como era normativo na sociedade macaense epocal, o seu acesso aos dois principais pilares do “regime” da cidade: o Leal Senado e a Santa Casa da Misericórdia. Assim, em 1824, encontrámos já Albino de Araújo a desempenhar o cargo de almotacé do Senado para, a seguir, em 1829, ser consensualmente eleito irmão da Santa Casa, uma consideração absolutamente indispensável para integrar a sua actividade económica e situação social na comunidade da burguesia comercial católica que continuava a dominar os tratos animados por Macau. Falecido no enclave em 1832, o rico comerciante deixava ao seu único filho uma importante fortuna, em capitais mobiliários e imobiliários, avaliada em fartos quatrocentos contos que o seu singular descendente se encarregou de dissipar ao longo da sua europeia vida. Chamava-se Albino Francisco de Araújo este dissoluto varão que, nascido em S. Lourenço, em 1832, rumou para as atractivas boémias parisienses, percorreu as outras grandes capitais da Europa, instalou-se com excessiva generosidade nas noites portuenses e lisboetas, acabando por se suicidar em Paris, em 1872. Uma “história” que vários outros grandes comerciantes macaenses da primeira metade de Oitocentos foram dramaticamente partilhando: quando não era a concorrência económica a destruir-lhes firmas e negócios existia sempre essa transmissão de uma fortuna a filhos que preferia dirigir-se para o mundo europeu, entre educação e fascínio cultural, muitos acabando rapidamente por dissolver os fartos cabedais paternos. Uma sorte de legado e transformação sócio-simbólica, convidando os capitais da burguesia comercial macaense de outrora a investir na educação quase aristocrática dos filhos nos meios mais elitários europeus. Muito poucos conseguiram acumular e utilizar esta educação, muitos outros destruíram celeremente as operosas fortunas paternas destes grandes comerciantes oitocentistas de Macau. Bibliografia: FORJAZ, Jorge, Famílias Macaenses, vol. I, (Macau, 1996), 261-263; MOURA, Carlos Francisco, “Relações entre Macau e o Brasil no Século XIX”, in Revista de Cultura, n.° 22 (Macau, 1995), pp. 31-49.
ARAÚJO, ALBINO JOSÉ GONÇALVES DE (1797-1832)
Mateus da Costa foi um luso-descendente que governou as ilhas de Solor entre 1671 e 1673, sob a tutela portuguesa. Pai de outra figura notável, Domingos da Costa, pertencia a um grupo de gente local conhecido como larantuqueiros, profundamente conhecedores das realidades locais. Conseguiam relacionar-se bem com os nativos das ilhas, assim como com os mercadores que visitavam a região à procura de produtos, nomeadamente o sândalo branco, madeira muito apreciada na China e da qual podiam extrair uma infindável variedade de substâncias. A família Costa e uma outra da sociedade dos larantuqueiros, os Hornay, desenvolveram desde a primeira metade do século uma acesa rivalidade, motivada pelo desejo de poder sobre as ilhas. Em 1673, António Hornay usurpou o poder a Mateus da Costa, governando as ilhas até ao seu falecimento em 1693. A reconciliação das duas famílias só teve lugar quando um filho de Hornay, Francisco Hornay, se casou com a neta de Mateus da Costa, filha de Domingos da Costa. Bibliografia: LOUREIRO, Rui Manuel, Onde Nasce o Sândalo – Os Portugueses em Timor nos Séculos XVI e XVII, (Lisboa, 1995); TEIXEIRA, Padre Manuel, Macau no Século XVII, (Macau, 1982).
COSTA, MATEUS DA
Nascido em Inglaterra e falecido num dramático naufrágio quando dirigia o seu navio comercial, o Henrich, em viagem mercantil entre a China e a Índia, William Allanson pertence a esse importante grupo de comerciantes britânicos que, ao longo do período oitocentista, conseguiu desenvolver prósperos negócios entre Macau, Cantão e Xangai. Em 1854, Allanson inaugurou no território macaense com o seu sócio Frederick John Angier – personagem com fortes ligações à família local dos Nolasco da Silva – uma firma comercial denominada “Angier & Allanson”. Descobre-se uma dessas típicas companhias do século XIX organizadas em torno da exportação de produções chinesas, sobretudo chá, porcelanas e sedas, circulando lucrativamente entre Macau e a Inglaterra que, nesta altura, alargava o consumo económico e social dos chás orientais. A firma não resistiria à morte infeliz de William Allanson, mas a família gerada com o seu casamento com Mary Allanson, depois de obtida licença para a consumação de um matrimónio em disparidade de culto, viria a criar uma descendência católica com alguma importância nas actividades religiosas em Macau e Hong Kong. Assim, uma das filhas deste casamento entre este abonado comerciante protestante e uma mulher católica, recebendo o nome completo de Maria Joana Allanson, mas mais popularmente conhecida por “Mariquinhas”, nascida e baptizada já em S. Lourenço, concretizaria missão significativa na abertura e desenvolvimento do trabalho das Canossianas em Hong Kong, seguindo o exemplo caritativo e o empenho educacional que esta ordem feminina havia já difundido em Macau e, ainda mais longe, em Timor. Bibliografia: FORJAZ, Jorge, Famílias Macaenses, (Macau, 1996), pp. 75-76.
ALLANSON, WILLIAM (1818-?)
AZEVEDO, MANUEL JOAQUIM BARRADAS DE (1746-1819). Nascido em Macau e baptizado na Sé, em 1746, Manuel Joaquim Barradas de Azevedo era neto de um “reinol” que, de seu nome Gaspar Barradas de Azevedo, conseguiu prosperar no início do século XVIII investindo nos tratos mercantis da cidade e, como sempre acontecia, chegando à vereação camarária e à mesa da Santa Casa da Misericórdia. A fortuna deste primeiro Barradas de Azevedo passaria para o seu filho varão Sebastião, mas seria consolidada e ampliada pelo seu activo neto Manuel Joaquim. À imagem do avô, cerzindo estreitamente poder económico e representação política, encontrámos Manuel de Azevedo a ocupar sucessivamente os cargos de almotacé camarário, em 1778, depois de alferes-mor, em 1792, chegando no ano seguinte à prestigiada posição de juiz ordinário do, nesta altura, ainda poderoso, Leal Senado. Em 1777, um estratégico casamento com Francisca Antónia Correia de Liger permite concretizar uma aliança fundamental com uma das mais poderosas dinastias políticas e comerciais da parte cristã do enclave. Ao lado do todo poderoso António Correia de Liger, muitas vezes vereador, procurador do Senado e provedor da Santa Casa, e do seu filho Filipe Correia de Liger, Manuel Barradas de Azevedo investe regularmente vários milhares de taéis de prata, sobretudo a partir de 1779, nos barcos e principais destinos comerciais animados por Macau: da Cochinchina a Surate, de Timor a Batávia. Acabaria por falecer na Sé, em 1819, mas deixando descendência que continuou a sua lucrativa actividade mercantil, mas já conveniente e estrategicamente baptizada com o poderoso apelido de Correia de Liger. Bibliografia: SOUSA, Ivo Carneiro de, A Outra Metade do Céu de Macau. Escravatura e Orfandade Femininas, Mercado Matrimonial e Elites Mercantis (Séculos XVI-XVIII), (Macau, 2006).
AZEVEDO, MANUEL JOAQUIM BARRADAS DE (1746-1819)
Faleceu Francisco João Marques em S. Lourenço a 16 de Fevereiro de 1869. Primeiro filho de Domingos Pio Marques de Noronha e Castelo Branco, da 4ª geração da família macaense 'Marques', nasceu em S. Lourenço a 25 de Junho de 1807. Capitão de navios. Em 1837 comandava a barca «Tranquilidade», que viajava para Bombaim e Singapura. Mais tarde fixou residência em Ning-Pó, no norte da China, onde foi cônsul de Portugal. Aí recebeu em 1854 a visita da corveta «D. João I» que fora enviada pelo governo de Macau para combater o pirata Apak.
Faleceu Francisco João Marques
Em José d’ Almeida Carvalho e Silva, mais conhecido e documentado apenas pelos seus dois primeiros nomes, visita-se uma espantosa história de vida debruçada sobre Macau e a fundação de Singapura. Nascido em Portugal, em 1784, formado em medicina, José d’Almeida chegou ao enclave macaense no princípio do século XIX, tendo conseguido algum destaque social na cidade: em 1810, era admitido como irmão da Misericórdia, em 1814, era eleito para uma das duas almotaçarias do Leal Senado – cargo não pago, mas prestigiante – sendo também um dos fundadores da nova Casa de Seguros de Macau, rendendo-lhe a sua acção singular, entre as 86 que fundaram a companhia, lucros importantes. Parou em Singapura em 1824 quando se dirigia para Macau, decidindo fixar-se na nova colónia britânica, correctamente convencido de que a sua posição estratégica poderia escorar bem sucedidos investimentos comerciais. Neste ano, José d’Almeida é premiado como um dos primeiros proprietários fundiários de Singapura, conseguindo arrematar o último lote de terrenos postos à venda na Beach Road. No final de 1824, a sua casa privada estava já construída, oferecendo mesmo a primeira missa católica celebrada em Singapura por um padre católico oriundo de Macau. A seguir, José d’Almeida abriu uma clínica pública na Raffles Place, mas acabaria por se tornar demoradamente comerciante quase por acaso. Na verdade, ainda neste ano, um cargueiro português e uma embarcação espanhola vinda de Manila foram obrigados pelas monções de nordeste a estacionar em Singapura, procurando os seus capitães vender localmente as suas cargas comerciais. Solicitaram a intermediação de José d’Almeida que, funcionando agora como agente comercial, conseguiu vender lucrativamente os produtos transportados pelos dois navios. Mobilizado por este sucesso, o nosso médico decide, logo em 1825, abrir a firma comercial José d’Almeida & Sons que se transformou imediatamente numa das mais importantes companhias de Singapura, intervindo activamente nos tratos da Índia e do Sudeste Asiático, mas mantendo também fortes ligações mercantis a Macau. A prosperidade económica permitiu a José d’Almeida especializar a sua casa como um dos principais espaços culturais frequentados pela nova burguesia capitalista local, sendo famosos e concorridos os saraus musicais em que o nosso médico e família tocavam e cantavam. Em 1836, Almeida aparece como um dos primeiros fundadores da “Singapore Agricultural and Horticultural Society”, dedicando-se a várias experiências de colonização agrícola pouco sucedidas. O nosso médico-comerciante tentou introduzir na colónia britânica algodão, açúcar, café e mesmo baunilha mas sem conseguir alcançar resultados económicos positivos. Em 1842, José d’Almeida visitou Portugal e, entre condecorações e comendas, acabaria nomeado no ano seguinte primeiro cônsul de Portugal nos “Estreitos”. Decisão que se mostraria fatal nas gerações seguintes para a sorte comercial da sua Companhia. Com efeito, herdada firma e consulado pelo seu filho Joaquim José de Almeida, a estreita associação entre as duas funções manteve-se como no tempo do patriarca familiar, entretanto falecido em Singapura, em 1850. O consulado funcionava nos escritórios da companhia e, pior ainda, mobilizava constantemente os seus capitais para apoiar a circulação oficial de portugueses que se dirigiam para Macau e Timor. Com muita frequência, a José d’Almeida & Sons – ou seria o consulado português? – financiava capitães, soldados e oficiais portugueses, sustentava fretes marítimos, pagava as correspondências e mobilizava mesmo capitais para aventuras perigosas como essas de investir na exploração de cobre e de ouro nas partes mais orientais de Timor Leste. Nesta altura, o cônsul dos “Estreitos” correspondia-se já em inglês com o governo de Lisboa, repetindo incessantemente apelos não escutados para que fossem resgatadas as dívidas muitas de um consulado que se ia ameaçando encerrar. O consulado ainda passaria para o neto de José d’Almeida, William Barrington d’ Almeida que, face às muitas dívidas e completo desinteresse das autoridades portuguesas, acabaria por afastar-se quase definitivamente da representação diplomática de Portugal em Singapura. A partir daqui, esta dinastia singaporense de Almeidas vai preferindo optar pela cidadania britânica, abraçando também o anglicanismo, tornando mais esparsos os contactos com Portugal, mas continuando a manter comunicações económicas e sociais interessadas com Macau, que William Barrington renovaria, em visita comercial realizada em 1862. Bibliografia: BLAKE, M.; EBERT-OEHLERS, A., Singapore Eurasians: Memories and Hopes, (Singapore, 1992); MULLINER, K., Historical Dictionary of Singapore, (Metuchen, NJ, 1991); TEIXEIRA, Padre Manuel, “A Missão Portuguesa – Legação de Portugal em Singapura”, in sep. do Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau.
ALMEIDA, JOSÉ D’ (1784-1850)
AZEVEDO, JORGE PEREIRA DE (?-?). Soldado, capitão e comerciante português que viveu no século XVII. Pouco se sabe dele. No entanto, deixou um manuscrito sobre o relato das suas viagens pelo Oriente, encontrando-se uma das cópias na Biblioteca da Ajuda, com o título Advertência de muita Importância há Magestosa Coroa del Rey N. Sor D. João V e Apresentadas ao Conselho de Estado da Índia na Mão do V Rey D. Filipe por Jorge Pereira(?) de Azevedo, Morador na China em 1646 (cód. 54-XI-21-9). No referido documento fornece uma visão geral do império português do Oriente, por onde passou, realizando em simultâneo uma análise crítica sobre a decadência do mesmo, sugerindo diversas maneiras de ultrapassar a crise utilizando os recursos existentes. Refere que o Estado da Índia se encontrava completamente miserável e era pouco evangelizado, indicando que a Coroa portuguesa corria sérios riscos de o perder. Na sua opinião, havia uma má gestão do mesmo. Começa o texto destacando que teve uma experiência de vinte e quatro anos na Índia, servindo como militar, mas ao mesmo tempo como comerciante, referindo ser prática na época. Fundamenta as advertências que faz ao rei D. João V através da experiência adquirida nas zonas em análise, como militar, mas essencialmente como comerciante. O relato das suas viagens começa em Moçambique, onde afirma ter conhecido a zona dos rios Cuama, e as cidades de Mombaça e Melinde. Ao longo do texto vai indicando nomes de capitães, como o de Nuno Álvares Botelho, capitão do navio onde viajou, atravessando o estreito de Mascate e aportando a Diu. Percorreu também a área de Samatra, dizendo que foi através dos holandeses que visitou Jacarta. No entanto, diz concretamente que até à data da redacção do documento não tinha estado no Bornéu, Macassar, Solor e Timor. Indica que a época mais próspera para a gente lusa no Oriente foi quando se deslocavam por ano nove naus com cerca de quinhentos a mil homens. Relativamente a Macau, a que dedicou uma parte do manuscrito, visitou-a por volta de 1643, referindo haver um número muito elevado de mulheres cristianizadas. Considera que a viagem do trato ao Japão já não era suficiente, devido ao crescimento excessivo da cidade. No texto vai tomando em consideração várias hipóteses de como Macau se recuperar devido à perda do comércio com o Japão e a tomada de Malaca pelos holandeses, sugestões baseadas em rotas comerciais alternativas dentro da zona. Todo o texto está escrito de forma fluente e, aparentemente, com conhecimento directo dos lugares indicados. Bibliografia: MATOS, Artur Teodoro de (ed.), “‘Advertências’ e ‘Queixumes’ de Jorge Pinto de Azevedo a D. João IV, em 1646”, in Povos e Culturas, n.° 5, (Lisboa, 1996), pp.431-545.
AZEVEDO, JORGE PEREIRA DE (?-?)
| Tempo: | Dinastia Ming desde 1494 até 1644 |
| 06/12/1639 |
| Fonte: | Beatriz Basto da Silva, Cronologia da História de Macau, Macau, Livros do Oriente, vol. I, 3.ª ed., 2015, p. 157. ISBN 978-99937-866-8-9. |
| Dimensão: | 中文 |
| Idioma: | Português |
| Identificador: | t0010589 |
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