A I Guerra do Ópio (1839-1842), que opôs a Grã-Bretanha à China, terminou como o Tratado de Nanjing (Nanjing Tiaoyue 南京條約), assinado pelas duas potências no dia 29 de Agosto de 1842. No início do ano de 1839, Lin Zexu 林則徐 foi nomeado Alto-Comissário Imperial em Cantão, com a missão de pôr um ponto final ao tráfico do ópio praticado por comerciantes ocidentais, particularmente ingleses. As medidas repressivas tomadas por Lin Zexu 林則徐 em Cantão vão acabar por despoletar o primeiro conflito, que opôs o Celeste Império à Grã-Bretanha. Os treze artigos do tratado assinado por Sir Henry Pottinger e pelo Comissário Imperial Qi Ying 耆英 estabeleciam o pagamento de uma indemnização à Grã-Bretanha, que ascendia a 21 milhões de dólares, a abolição do sistema monopolista de comércio, a abertura de cinco portos ao comércio internacional (Cantão [Guangzhou 廣州], Xiamen 廈門, Fuzhou 福州, Ningbo 寧波 e Xangai (Shanghai 上海), a cedência da ilha de Hong Kong, a troca de correspondência em pé de igualdade e o estabelecimento de tarifas fixas alfandegárias. Imposto pela força das armas, este tratado inaugurou um período novo na História da China, e podemos considerar que iniciou também o período da História contemporânea de Macau. É considerado, unanimemente, o primeiro passo que obrigou o Celeste Império a colocar-se na esfera de influência do mundo ocidental, integrando-o nas relações do comércio internacional. Comércio internacional esse que, na época, se encontrava dominado pelo poder económico e marítimo da Grã-Bretanha. Foi, sem dúvida, a vitória do Império Britânico, que vê finalmente estendida a sua influência ao Extremo Oriente. Depois, seguiu-se a corrida de outras potências ocidentais, como a França e os Estados Unidos da América, para o novo mercado que se abria na China. Macau, mantendo-se à margem do conflito através do escudo da política de neutralidade, começou então a ensaiar os primeiros passos para tentar acompanhar as mudanças que se registavam no Celeste Império e em todo o Extremo Oriente. Depois de assistir à derrota militar do Império da China, avolumavam-se as preocupações das autoridades político-administrativas do Estabelecimento, quanto às consequências que daí poderiam advir. Apercebendo-se finalmente que todo o contexto político e económico da China se ia alterar profundamente e assistindo à chegada das esquadras francesa e americana àquele ponto da Ásia, Macau tinha de agir política e diplomaticamente com rapidez. Das insistências do governador Adrião Acácio da Silveira Pinto (1837-1843) junto do governo de Lisboa para que fosse indicado um plenipotenciário que entrasse em negociações directas com o poder imperial de Pequim, nasceu a sua própria nomeação para o cargo. Assim, em Outubro de 1843, José Gregório Pegado (1843-1846) tomou conta do governo de Macau, enquanto que o ex-governador Silveira Pinto era nomeado para discutir com os plenipotenciários chineses o futuro do Estabelecimento. Estes contactos iniciaram-se em fins de 1843 e prolongaram-se pelo ano seguinte. Na sua base esteve um documento elaborado pelo Leal Senado, onde constavam as nove reivindicações (artigos) que o Estabelecimento de Macau desejava ver satisfeitas. Foi o primeiro diálogo luso-chinês após a I Guerra do Ópio e depois da assinatura do Tratado sino-britânico de 1842. [A.G.D.]
Bibliografia: DIAS, Alfredo Gomes,
Macau e a I Guerra do Ópio, (Macau, 1993); DIAS, Alfredo Gomes,
Sob o Signo da Transição, (Macau, 1998); SALDANHA, António Vasconcelos, Estudos Sobre as Relações Luso-Chinesas, (Lisboa, 1996); WU Zhiliang, Segredos da Sobrevivência. História Política de Macau, (Macau, 1999).
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