O meu nome é Ho Choi Dai. As pessoas chamam-me Kam In. Tenho 55 anos. Já fazemos pastelaria portuguesa há 3 gerações. Nas duas gerações anteriores eram feitas em casa. Até à minha geração, abri esta loja em 2011. É Alua e Comidas Portuguesa “Kam In”. A 1ª geração foi a tia Celeste. Ela era macaense. Era muito boa a fazer pastelaria. E a minha tia trabalhava na China nos anos 30 ou 40. Como não tinha emprego, veio trabalhar para a tia Celeste. Então ela aprendeu a fazer pastelaria portuguesa. Depois ensinou ao meu sogro, ao meu marido e a mim. A minha tia dizia que era só para os homens ricos ou para o governador. Ou alguém como o Stanley Ho, alguns amigos macaenses é que podiam ter estes pastéis. Porque fazíamos isto apenas por encomenda. E estes bolos macaenses só eram encomendados no Natal. O meu marido faz bolos Alua desde os 13 anos de idade. Depois de me casar, entrei para esta família. O meu marido e eu ajudávamos a minha tia. Na verdade, inicialmente, não queria ser a herdeira. Sugeri-lhe que vendesse a receita. Porque este negócio era apenas sazonal, e não podia ganhar a vida com isto. Fazer o Alua é muito difícil e trabalhoso. Mas ela simplesmente não desistia. Eu disse-lhe que ela podia passá-lo a outras pessoas. Mas ela não queria fazê-lo. Ela disse que só podia ser eu. Se eu não assumisse o negócio, então ela simplesmente desistiria. E o negócio acabaria na sua geração. Ela continuava a pedir-me para o fazer, mas eu continuava a dizer que não. Até que quando ela tinha 70 anos, quase desmaiou enquanto estava a cozinhar. Por isso, tomei uma decisão. Estes bolos e o bolo Alua, se ninguém os fizer, então desaparecerão. E é uma pena. Por isso, decidi ir assumir o negócio. Mas se fosse eu a pegar nele, não iria apenas gerir o negócio a partir de casa. Não queria que isto fosse apenas para homens ricos ou macaenses. A comida é deliciosa e popular. Deveriamos promovê-lo e permitir que mais pessoas de Macau o conheçam. Então falei com ela e decidi pegar e abrir uma loja. Este livro foi escrito pela tia Celeste. Tem todos os pratos e pastelaria macaenses. É realmente espantoso. Ela usou caneta e palavras para o marcar. E embora ela tenha morrido, é história. Não tenho medo disso. Durante 8 ou 10 anos, a minha tia pediu-me que o fizesse. E pensei nisso durante uns 3 anos antes de tomar uma decisão. Se um dia o fizer mesmo bem... Porque por agora não é um trabalho fácil. Mas está a melhorar. Eventualmente, alguém irá pensar que vale a pena fazê-lo. Alguém irá estar disposto a pegar nisto um dia.

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Data de atualização: 2025/02/10