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Data de atualização: 2023/05/17
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No dia 20 de Julho de 1882, há nas Ilhas escolas particulares para crianças de famílias abastadas, mas as outras estão entregues ao ócio e a um futuro incerto. O Administrador Correia de Lemos pede e justifica a criação de instituições de ensino. No dia 21 de Julho do corrente ano, o Secretário Geral José Alberto Corte Real, na ausência e em nome do Governador Joaquim José da Graça, responde ao Administrador das Ilhas (Cfr. assento anterior) a 22 de Julho, no dia seguinte, portanto, deferindo a proposta, e dizendo que se iria apoiar no Cofre Municipal. São assim autorizadas – e louvada a iniciativa – duas escolas, uma na Taipa e outra em Coloane, para ensino do chinês às crianças do sexo masculino das “famílias pobres que não possam pagar a mestres”. A maior ambição, ainda não possível na altura, por falta de livros elementares de história portuguesa em chinês, entre outras circunstâncias, é proporcionar às crianças chinesas o ensino da língua e cultura portugueses. No dia 4 de Agosto, é aberta da Escola de Coloane, para 26 crianças chinesas do sexo masculino. A Escola da Taipa está também organizada, mas ainda não foi encontrado edifício apropriado. É uma das raras iniciativas das Ilhas que toma corpo em Coloane antes da Taipa, sede concelhia. No dia 21 de Agosto, é inaugurada e aberta a 25 estudantes a Escola da Taipa para crianças chinesas do sexo masculino. A referida Escola não conseguiu donativos dos habitantes como a de Coloane, pelo que o cofre municipal, além do ordenado de $75 patacas anuais para o mestre, teve que comprar utensílios e mobílias.
Escolas para crianças de famílias pobres
No dia 1 de Setembro de 1882, foi inaugurada em Macau a Escola Municipal de Instrução Primária, na casa n.º 17 da Rua de S. Domingos.
Inaugurada em Macau a Escola Municipal de Instrução Primária
No dia 17 de Setembro de 1871, foi fundada a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), destinada à educação dos filhos da terra. Em 1878 cria a “Escola Comercial”, procurando conciliar esta com o Seminário. Em 1872 foi acordado o apoio monetário da APIM ao ensino técnico no Seminário (Aritmética, Arte de Guarda-livros, Operações Bancárias e Língua Chinesa, Cantonense e Mandarim, falada e escrita, conforme se lê no Boletim da Província de 31 de Agosto de 1872). Mais tarde a Escola Comercial pretende entender-se com o Liceu para estabelecimento de um “Instituto Comercial, de forma a dar corpo à segunda secção do curso comercial”. No dia 29 de Setembro do mesmo ano, a Portaria Provincial n.º 51 publica os estatutos da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, renovados pela P.P. n.º 68 de 4 de Setembro de 1885.
Fundada a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM)
No dia 20 de Março de 1847, o Senado dirige-se ao Pe. Leite, porque não dispõe de local apropriado para albergar em Macau um Estudo Público, solicitando-lhe que disponibilize no Colégio de S. José “alguns lugares acomodados” para esse efeito, onde se ensinam primeiras letras, contas, doutrina cristã, gramática portuguesa, aritmética, álgebra e geometria, geografia, história geral, e particular de Portugal. Mas o Pe. Leite escusa-se, porque o Seminário se destina a fins que exigem retiro e ainda por ter falta de espaço disponível. Tendo-lhe sido feito convite para Inspector da dita escola, quando existisse, aceitou, em termos pessoais.
Senado dirige-se ao Pe. Leite falando do Colégio de S. José
No dia 15 de Outubro de 1866, realizou-se um baile, no teatro D. Pedro V, dedicado pelos habitantes de Macau ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral, tendo o Governador de Hong Kong, Sir Richard Graves Macdonell e esposa vindo assistir, em agradecimento pelos actos de Coelho do Amaral para com a Colónia Inglesa.
Realizou-se um baile no teatro D. Pedro V
António Feliciano Marques Pereira faleceu em Bombaim, Índia, a 11 de Setembro de 1881. Nasceu em Lisboa a 1 de Junho de 1839, matriculou-se em 1856 na Faculdade de Direito de Coimbra, mas por motivos particulares desistiu de estudar. Regressou a Lisboa e dedicou-se ao jornalismo, entrando em 1858 para o corpo redactorial do periódico Lei e Ordem de José Bernardo da Silva Cabral, mais tarde Conde de Tomar. Nesse jornal publicou alguns romances em folhetim, ao mesmo tempo, que colaborava no Archivo Pitoresco, Revista dos Espectáculos, Revista de Lisboa, Arquivo Familiar, Illustração Luso-Brasileira, etc. Em 1859 decidiu ir para Macau, onde veio a exercer as funções de superintendente da emigração chinesa e procurador dos negócios sínicos. Em 1862 foi nomeado secretário da Missão Diplomática à Corte de Pequim. Foi o redactor do Boletim do Governo de Macau desde 20.3.1860 até Abril de 1862 e fundou o seminário Ta-ssi-yang-kuo, que se publicou de 8.10.1863 a 22.4.1866. Em 1869 demitiu-se do cargo de procurador dos negócios sínicos para poder defender-se de graves acusações que lhe fazia o jornal O Echo do Povo, que se publicava em Hong Kong. Passado pouco tempo regressou a Lisboa, com seus filhos para os educar em Portugal. Foi então nomeado cônsul de Portugal no Sião e nos Estabelecimentos do Estreito (Singapura e Malaca), sendo mais tarde transferido para as mesmas funções em Bombaim, onde faleceu. Publicou em Macau as seguintes obras: Relatório da emigração chines em Macau, 1864; Relatório das atribuições da procuratura dos negócios sínicos da cidade de Macau, 1867; As Ephemerides comemorativas da história de Macau, 1868; As alfândegas chinesas de Macau, 1870; O Padroado Português na China, 1873.
António Feliciano Marques Pereira faleceu em Bombaim
No dia 20 de Novembro de 1897, apareceu o primeiro número do periódico O Porvir que segue até 1898, semanalmente.
Primeiro número do periódico O Porvir
Em 1898, a Biblioteca Nacional de Macau está aberta das 9 horas da manhã às 4 da tarde. O bibliotecário, Matheus António de Lima, apresenta com cuidado, apesar de reduzido, o número de utilizadores, em Boletim Oficial. Respigam-se, como amostra mensal, em Fevereiro, 34 leitores e 36 volumes consultados; em Maio, 24 leitores e obras consultadas. Não se indica se são consultas locais, ou domiciliárias.
Biblioteca Nacional de Macau
| Colaborador: | César Guillén-Nuñez |
| Fonte: | Dicionário Temático de Macau, Volume IV, Universidade de Macau, 2011, p. 1179-1181. ISBN: 978-99965-1-028-1 |
| Idioma: | Português |
| Identificador: | t0019746 |
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