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Data de atualização: 2019/08/06
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Data de atualização: 2019/08/06
Nos séculos XVI e XVII, o vinho chinês das províncias do sul era obtido, normalmente, pela fermentação do arroz, noutras regiões era feito a partir da cevada ou de frutos. O jesuíta Álvaro Semedo refere: “Não fazem com elas [as uvas] vinho, senão com a cevada e arroz, nas regiões do norte, onde fazem- no ainda com maçãs, e com arroz só nas do sul, se bem que este arroz não seja o comum, mas de uma certa espécie, que somente serve para fabricar o licor, preparado de diversas formas […]. O vinho comum do povo, se bem que embriaga, é de pouco vigor e duração. Fazem-no todo o ano, mas o melhor só no Inverno. É agradabilíssimo à vista, por sua cor; para o olfacto pelo seu cheiro; para o paladar, pelo seu gosto”. Semedo refere o facto de a sociedade chinesa ser mais tolerante para os ébrios, ao dizer que o vinho era tomado em todas as “ocasiões de grande entusiasmo, nas quais não faltam ébrios, mas sem o duro tributo da vergonha, porque não o puseram em tal consideração. No Verão e no Inverno bebem-no sempre quente”. Para Gaspar da Cruz o vinho da China “é melhor que em todas as partes da Índia”. Quanto ao vinho feito a partir das uvas, como na Europa, ele começou a ser produzido em algumas residências jesuítas na China, como na de Shanxi, sendo considerado de boa qualidade e inclusive distribuído “se prepara não somente o bastante para as missas como enviam-no ainda o suficiente para as residências [jesuítas] mais vizinhas”, como escreve Semedo. O alcoól foi um dos monopólios estatais (juntamente com o sal e o chá), possuindo uma rede de funcionários próprios responsáveis pela cobrança dos respectivos direitos. No catálogo dos produtos chineses apresentados na Exposição internacional de Paris, de 1878, encontram-se referenciadas as bebidas “aguardentes de sorgo, de arroz, de laranja, de assucar; vinhos de sorgo (com gosto de rosa, de limão ou de artemisia), amarelo de milho, de arroz (colorido ou não com ervilhas verdes ou pretas) principalmente da oryza glutinosa, e com ou sem melaço; cerveja de milho entre outras”, segundo referência colhida na revista Ta-Ssi-Yang-Kuo (Daxiyangguo 大西 洋國). Mas nem só de bebidas chinesas a cidade de Macau se abastece. De Portugal, via Goa, como escrevia Pedro de Baeza, são importadas “150 a 200 pipas de vinho, e cerca de outras 6 pipas de azeite, azeitonas e alcaparras. É espantoso ver como isto se vende tão barato em Macau, vendo que é trazido de Espanha para Goa, e dai para a China, uma distância de mais de mil léguas. O que mais me surpreendeu foi ver que um quarto de vinho vale um real, que é mais ou menos o que vale em Lisboa. Uma botija de azeite a 8 ou 10 reais, ou 12 no máximo, é o que vale em Macau, quando vem de Espanha a 5, 6 ou 8 pesos a talha, contando 8 reais por cada peso, e um quartilho de vinho por 4 reais é baratíssimo. Os portugueses dizem que só querem garantir o capital para investir na China, que o seu lucro provém deste investimento. […] Uma pipa de vinho em Goa vale geralmente cerca de 40 ou 50 cruzados, e os vinhos finos de muita boa qualidade cerca de 95, mas estes últimos não vão para a China. Os do primeiro preço indicado vendem-se em Macau por 80 ou 90 cruzados a pipa”. O vinagre, na China, era preparado a partir dos cereais como o arroz, a cevada ou o milho, ou de frutas: “Fazem vinagre da mesma forma que o vinho e, nas províncias ocidentais, com o milho, sendo picante e de bom sabor”, como escreve Semedo. O chá é a bebida tradicional chinesa de acompanhamento das refeições e de recepção dos convidados em qualquer casa, e que se obtém a partir das folhas da planta Camellia sinensis. O chá é conhecido, no Ocidente, sob dois nomes diferentes, de sonoridade semelhante, por um lado o Chá, e por outro o Té. Os países de língua oficial portuguesa e os próprios Árabes utilizam o vocábulo Chá (ou um seu similar), em virtude de terem sido os Portugueses, na Época Moderna, os primeiros europeus a entrarem em contacto e a divulgarem o uso desta bebida chinesa. E como os Portugueses se estabeleceram em Macau, na província de Guangdong 廣東, o nome que ouviram chamar a esta bebida foi em Cantonense, que utiliza o nome de “Tchá (Cha 茶)”. O vocábulo “Té (Cha 茶)” (ou de sonoridade similar) foi difundido pelos Holandeses e Ingleses, que o apreenderam nos seus contactos mercantis com a província do Fujian 福建, onde o dialecto Minnanhua 閩南話, pronuncia aquela bebida com uma sonoridade similar a “Té”. Em 1569, Gaspar da Cruz refere que “Qualquer pessoa ou pessoas que chegam a qualquer casa de homem limpo tem por costume oferecerem lhe em uma bandeja galante huma porcelana ou tantas quantas sam as pessoas, com huma agoa morna a que chamam cha”. Por ser muito distinta das bebidas dos europeus e portugueses, foi descrita com surpresa por viajantes portugueses, como Álvaro Semedo, que nos descreve a sua preparação: “Secam-na sob o fogo em tachos de ferro, onde se encorpa. Há muitos modos de a preparar, para a variar, sendo as folhas que ficam em cima superiores em finura às outras. […] Assim seca, lança-se na água quente, tomando cor, aroma e sabor, desagradável à primeira vez, mas com o uso, torna-se agradável, sendo frequente na China e no Japão, onde não somente serve de bebida vulgar, em lugar da água, como de regalo para os hóspedes, nas visitas, tal como o vinho nas bandas do norte”. O padre Semedo sugere, inclusive, efeitos benéficos do chá como o de evitar o surgimento da pedra nos rins: “Na realidade é saudável não sendo conhecido na China e Japão o mal da pedra nem tão pouco o conhecem de nome, donde se pode inferir ser preservativo para tal mal o uso desta bebida”. Por outro lado, não deixa de referir o seu efeito estimulante: “É igualmente certo que liberta, eficazmente, a opressão do sono a quem deseje velar, ou por necessidade ou por gosto, pois que abatendo os vapores, aligeira a cabeça sem moléstia alguma”. Os portugueses, mais uma vez, foram responsáveis por dar a conhecer e difundir o chá na Europa. O chá só foi introduzido na Holanda cerca de 1610, e como uma bebida muito dispendiosa, que os ricos mercadores gostavam de beber como tónico medicinal (estomáquico) e, mais tarde, na segunda metade do século XVII, como forma de ostentação do estatuto social de riqueza. Ainda em 1650, foi receitado por Théodore Zwinger e Johann Waldschmidt aos governantes como forma de preservar a sua saúde. Os Ingleses passaram a consumir o chá como moda imitando a corte, onde a filha do rei de Portugal, Catarina de Bragança, havia difundido esse hábito, em 1661, após o seu casamento com o rei de Inglaterra. As primeiras importações in glesas de chá, directamente da Ásia, só ocorreram em 1669-70, tendo-o comprado aos Portugueses. Em 1779, D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho informa- nos das seguintes variedades de chás, que os navios portugueses deveriam trazer da China: “santo, sechin, tonhag, bohe, canfu, hyson, pico cholan, gobin, souchong e hoching e o chá chamado verde”. O chá, pela sua importância, foi um dos produtoschave para as relações com os povos mongóis nas fronteiras do norte. A China trocava o chá (sal e têxteis) pelos ansiados cavalos das estepes, que iam guarnecer o seu exército. O papel essencial do chá é revelado pelo facto de os locais determinados onde se realizavam essas trocas passarem a ser conhecidos por “mercados de chá e cavalos”. Em vários períodos históricos, o chá foi um monopólio estatal, contudo, no início do século XVI, cerca de 60 % do comércio naqueles mercados era conduzido por mercadores privados. O imposto sobre o chá estava regulado oficialmente pelo Ministério do Rendimento (Hupu [Hubu 戶部]), tendo rendido ao estado, no final do século XVIII, aproximadamente 70 mil taéis. Cerca de 1775, sabemos que o chá em caixa a bullis pagava 12% de direitos na alfândega de Macau, e em fardo a 18%. A plantação do cházeiro, durante o século XVIII, sofreu uma rápida expansão, pela bacia do rio Yangzi 揚子 e pelas províncias meridionais e litorais da China, como no Fujian e no Zhejiang 浙江, de forma a dar resposta à crescente procura europeia. A exportação de chá, por via marítima, passa de 2, 6 milhões de libras inglesas, em 1762, para 23, 3 milhões no final desse século. O chá vai ser um dos principais produtos a corporizar a revolução mercantil dos séculos XVIII-XIX, na qual a East India Compagny inglesa assume um papel dominante. De bebida exótica, o chá transforma-se, no século XIX, na bebida nacional inglesa, de forma que o consumo por cabeça foi aumentando, de 5 pounds em 1860, 6 pounds em 1880, chegando a quase 11 pounds per capita cerca de 1920. Até ao primeiro quartel do século XIX, a quase totalidade do chá consumido pelos Ingleses era importado da China. Em território português, o chá teria sido introduzido nos Açores, de onde, em 1801, o governador conde de Almada terá enviado da cidade de Angra para Lisboa “dois caixotes com estas plantas ao príncipe Regente D. João VI a seu Pedido”. No Brasil, a plantação do chá teria sido desenvolvida em 1814, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com a ajuda de uma equipe de plantadores chineses, e sob iniciativa régia de D. João VI. O chá teve uma difusão em vários estados do Brasil, e a sua qualidade foi reconhecida pela Exposição Internacional de Viena de 1878, como o de segunda qualidade a nível mundial, logo após o da China, e conseguindo ficar qualificado antes do de origem japonesa.
Bebidas
| Palavra-chave: | Casa de Chá Kio Kei |
| Abastecimento de chá |
| Idioma: | Chinês |
| Tipo: | Imagem |
| Identificador: | p0015923 |
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