Representação do Outro civilizacional e da sua singularidade. Como o próprio prefixo do termo indica, o exotismo, enquanto discurso sobre a alteridade, implica um movimento do olhar e dos demais sentidos para fora dos
selves culturais oriental e ocidental, no caso da cidade de Macau, habitada por chineses, portugueses, japoneses, indianos, e por outras etnias, desde o século XVI, que o visitante inglês Peter Mundy descreve no seu diário em 1637. Ao longo do diálogo intercivilizacional que tem lugar em Macau ou em qualquer outro ‘espaço fronteira’, a visão do
alter mundus leva o Eu a consciencializar-se de que é também Outro no seio de um processo de “leitura” interactiva, sendo os exemplos apresentados neste verbete apenas uma amostra representativa. O exotismo, metáfora representativa do encontro dediversas esferas civilizacionais, apresenta-se como uma questão de identidade, de pertença sócio-cultural, ontológica e também gnoseológica, um jogo de espelhos transversal a todas as manifestações artísticas, filtrado quer pela sensibilidade de quem o elabora quer pelo contexto histórico-cultural da sua produção e recepção. A surpresa e o espanto encontram-se registados emtextos, quer chineses quer ocidentais, de viajantes que de longe visitam a Cidade do Santo Nome de Deus desde a centúria de Quinhentos, então ainda relativamente incógnita na Europa, tal como o resto da China, cuja realidade e
modus vivendi começam a ser alvo da observação europeia. Por outro lado, a dimensão lusa do território é também objecto de curiosidade para os chineses que a ele chegam e cuja experiência pessoal fica registada em obras que hoje nos permitem reconstruir a paisagem antropológica de
Ou-Mun (
Aomen澳門) ao longo dos séculos. Se os portugueses são o primeiro povo europeu a estabelecer-se na China, produzindo, desde logo e
in loco, imagens do Império do Meio, os espanhóis, tendo-se estabelecido nas Filipinas, contribuirão para a disseminação de representações da China na Europa. Os portugueses foram os primeiros marinheiros europeus com que os chineses tiveram um primeiro contacto sistemático, e as primeiras imagens que os chineses constroem dos primeiros, envolvidos no comércio com o Japão, são superficiais e ainda pouco claras, como seria de esperar de qual quer encontro intercivilizacional, representando-os como gnomos, de natureza brutal, quase animal, disformes e com roupas estranhas, funcionando a barba, a tez e a cor do cabelo como marcador cultural ou étnico. Os “bárbaros” são ainda acusados de crimes brutais, como o rapto de mulheres e a ingestão de crianças chinesas, que concorrem para a formação da sua imagem algo negativa em obras como
Yueshan congtan 月山叢談;
Shuyu zhouzilu 殊域周資錄 (prefácio de 1574);
Tianxia junguo libing shu 天下郡國利病書 (prefácio de 1632) e
Guangzhou fuzhi 廣州府誌;
Ming shilu 明實錄 e
Riben yijian 日本一鑑. O desconhecimento e a desconfiança para com os recém-chegados filtram, assim, a imagem em formação. De acordo com Rui Loureiro, os vectores de interesse que orientam esta grelha de questões é complexa, nomeadamente o comércio, as potencialidades bélicas, o aspecto físico, a organização política, as crenças religiosas, os costumes e os limites geográficos, um vasto programa de pesquisa antropológica a partir de um grau zero de informação sobr e as coisas da China. Não nos ocupamos da conjuntura e dos episódios (bélicos) que levam à construção destas imagens, mas sim do jogo de espelhos que vai tomando forma ao longo do século XVI e que perdurará, inclusive até ao século XX, devido às diferenças culturais que distinguem portugueses e chineses em Macau, presentes, atravésde comparações por (dis)semelhança, por exemplo na imagem positiva das obras de Galiote Pereira, o
Tratado da China (c. 1557), Garcia de Orta, em os
Colóquios dos Simples e Drogas da Índia (1563), Fernão Mendes Pinto na
Peregrinação (1614), Fernão Lopes de Castanheda na sua
História dos Descobrimentos e Conquista da Índia pelos Portugueses, Gaspar Correia, em Lendas da Índia (c. 1563), Brás de Albuquerque, em
Comentários de Afonso de Albuquerque (1557),e , entre outros, Frei Gaspar da Cruz, no seu
Tratado das Cousas da China (1569-1570), este último fonte da História de las cosas mas notables, ritos y costumbres delgran reino dela China (1585), de Juan Gonzalez de Mendoza. As missivas dos prisioneiros em Cantão (Cristóvão Vieira e Vasco Calvo) constituem a primeira descrição presencial da China pela mão dos portugueses, contendo informação variada referente à geografia, à administração e às actividades económicas do quotidiano sínico. Por parte dos chineses, são adoptadas sucessivamente medidas burocráticas para controlar os viajantes-guerreiros no sul da China, que acabam por se estabelecer em Macau, em meados da centúria de quinhentos (sobre a imagem da China no Portugal quinhentista, desde a abertura da rota do Cabo até à fundação de Macau, vd. Loureiro, 2000). O exotismo e a alteridade são assim fenómenos intimamente relacionados com a atitude do
Self para com o Outro, como o provam os estereótipos e
topoi que surgem da descrição da ‘realidade’ que se apresenta mutante aos olhos do observador-externo. Também transversal a todos os géneros, correntes e movimentos literários, o exotismo, enquanto fenómeno literário e social, evoca o longínquo e o estranho de forma diferente ao longo dos tempos (cf. Lodge, 1992). Da literatura greco-latina à literatura pós-colonial, cada país teve e tem formas diferentes de se ‘outrar’, que, inúmeras vezes, se confundem com etnocentrismo e até colonialismo. Dependendo da proveniência geográfico-cultural do observador-descritor, o
modus vivendi exótico poderá ser o cidental ou não, e Macau, enquanto enclave multicultural apresenta-se como um local único para o estudo dessa mesma partilha de formas de ser e de viver. A focalização exótica e a visão do Outro relacionam-se com o ponto de vista de quem descreve e opina, sendo o ponto de partida, as expectativas e os interesses de quem descreve ou mitifica outros povos de terminantes para a construção dessas imagens, que são tão diversas como os destinos e interesses dos europeus e dos orientais. A imagem da China, desde 1513, mas sobretudo após a fixação portuguesa em Macau por volta de 1557, e do Japão, países que não foram ‘encontrados’ e descritos da mesma forma que a África ou a América do Sul, é bem diferente das representações de outros territórios colonizados por europeus, daí que Edward Said defenda, na sua polémica obra
Orientalism (1978), a teoria de que o Oriente é uma invenção, até certo pontoliterária, do Ocidente. A descoberta da alteridade dá assim lugar à construção de alternativas, reais ou imaginárias, de que a
Utopia de Thomas More é um exemplo, pois é a distância que dá origem à sensação do exótico, quando da descrição de locais, seres, costumes e hábitos raros, pouco conhecidos do leitor. Este jogo dialéctico dará inevitavelmente lugar quer a julgamentos axiológicos e, consequentemente, à analogia e à comparação quer também à sátira do Eu, supostamente civilizado, através do Outro inocente e/ou bárbaro. O exotismo, neste caso arma didáctica, abre lugar à criação de contra-exemplos do microcosmos sócio-político do Eu. Relativamente à poesia chinesa das dinastias Ming 明 e Qing 清 , Macau é descrito em diversos poemas estudados por Zhang Wenqin 章文欽(1996). O poeta Chen Yanyu 陳衍虞, de visita a Macau em meados do século XVII, bem como Jishan 蹟刪, em 1692, afirmam que os residentes estrangeiros falam “línguas de pássaros”, inferiores ao chinês, descrevendo outros poetas, como Li Xialing 李遐齡, em 1788, as barreiras linguísticas e culturais que dificultam a comunicação entre chineses e os residentes portugueses de
Ou-Mun (
Aomen澳門), e a facilidade com que as crianças europeias aprendem a falar cantonense (Jishan蹟刪,em 1697, e Cai Xianyuan 蔡顯原, em 1827), recorrendo os portugueses e sínicos a intérpretes–descodificadores ou agentes do exotismo linguístico–, para se fazerem entender mutuamente. Exóticos para os chineses são os relógios, os canóculos, os mecanismos mecânicos, a sonante música sacra (ouvida, por exemplo, na igreja de São Paulo) e profana, entre outros objectos, práticas sociais, princípios religiosos e ciências que os europeus introduzem gradualmente na China e que povoam o imaginário literário chinês, enquanto os primeiros importam, para o Ocidente, artefactos (
chinoiserie) e um maior conhecimento da realidade chinesa. A alterida de exótica, espelhada quer nas fontes documentais quer nas obras de carácter ficcional em que Macau é espaço de acção ou de emoção, é também objecto de estudo da Antropologia, cujos textos têm por (suposto) objectivo a descrição ou representação, o mais fiel à realidade possível, do mundo-Outro. Para além do interesse do antropólogo perante o exotismo, podemos referir ainda o do turista e o do “exota”que, tal como afirma Victor Segalen (1999), procurao “prazer de sentiro diverso”, apelando a “estética do diverso”a um imaginário policromático e atraente para escritores. O exotismo, enquanto objecto de estudo, exige assim uma abordagem interdisciplinar, que capte toda a sua complexidade. Das narrativas de viajantes greco-latinos às dos povos ibéricos, as ilhas longínquas e “afortunadas” marcam uma presença constante, envoltas de elementos fantásticos que espelham medos, ânsias e expectativas de quem descobre, apreende, até certo ponto, e descreve, nem que de forma alegórica, o Outro. O exotismo funde-se também com o maravilhoso, sendo estes termos, por vezes, sinónimos e marcas da tentativa de desbravar e ‘domesticar’ o desconhecido, não admirando que
O Livro de Marco Polo (1298) receba também o título de
Livro das Maravilhas. A partir do século XVII, acumulam-se relatos de autores ocidentais que visitam Macau durante viagens com os mais diversos objectivos (expedições militares, científicas, viagens à volta do mundo, embaixadas, entre outras), apresentando ao leitor diversas imagens da cidade, nomeadamente das etnias que aí (con)vivem, das casas portuguesas e chinesas, do clima, da arquitectura, dos terraços, dos monumentos, como os templos chineses e as igrejas portuguesas e de todo um património, extenso demais para listar, que ainda hoje faz do território um local único no mundo, como o prova o facto de Macau ter sido recentemente considerado património da Humanidade pela UNESCO (2005). Os usos e costumes das duas principais comunidades (a chinesa e a portuguesa), bem como das demais comunidades estrangeiras, a inglesa e a norte- americana, sãod escritos em muitos textos de viajantes que permitem reconstituir a vivência multicultural e cosmopolita do enclave, nomeadamente no que diz respeito aos vendilhões chineses e seus pregões, os passeios a pé ou a cavalo de portugueses e ingleses, aos desportos, à vida cultural e recreativa dos residentes, bem como cemitérios ocidentais e chineses e aos costumes e rituais sínicos como o culto dos antepassados, o Ano Novo chinês e outras festividades. Também os visitantes chineses, ao longo dos séculos, irão tentar descodificar a realidade exótica que testemunham na Macau de índole portuguesa, nomeadamente as práticas religiosas, a arquitectura, a vivência social do género (
gender), amoral e os costumes, entre outros aspectos cantados nos poemas da
Miscelânea Poética sobre Macau de Wu Li 吳歷e na
Monografia Abreviada de Macau (
Aomen Jilüe澳門紀略), da autoria de Yin Guangren 印光任 e Zhang Rulin 張汝霖(1709-1769), entre muitas outras obras. Com origem na observação e na tentativa de descodificação de culturas e modos de vida heterogéneos, o exotismo encontra-se presente nos relatos de viagens e descobertas do século XV, e até mesmo anteriores, e nos actuais guias turísticos e refeições étnicas, para além de em inúmeras artes narrativas e figurativas, como é o caso da pintura de George Chinnery (1774-1852), por exemplo, enquanto George Smirnoff (1903-1947) representa sobretudo a Macau ocidental. As diversas temáticas e metáforas do exotismo funcionam como ‘significantes flutuantes’, que veiculam sentimentos, bem como sensações, tornando-se adereços do exotismo enquanto espectáculo, no qual se fundem diversos marcadores simbólicos e metáforas do desejo de uma apreensão total por parte do Eu-espectador. Como traços e signos da estética da alteridade poderemos listar alguns dos elementos que marcam presença nas descrições portuguesas e chinesas de Macau: a panóplia de nomes próprios, os topónimos, os epítetos, as expressões e imitação de sons da língua autóctone e do
patois, bem como outros indicadores qualitativos que transportam o leitor para um universo semântico diferente do seu, onde imperam vestes, traços faciais, gestos, objectos característicos, vícios e clichés como os prostíbulos da simbólica Rua da Felicidade. Relacionados com o exótico, existem ainda temas como o racismo, o esclavagismo, a (des)colonização, o nacionalismo, o relativismo (cultural) e a (in)tolerância, condicionados pela visão do Outro como ser mais simples e ‘primitivo’ ou mais sofisticado e sábio que o
self. O Outro é então des-coberto através da ordenação de um mundo semi-encontrado, que exige recursos estilísticos e uma linguagem própria para o espelhar, e da cartografia medieval à actual ficção científica, o exotismo apresenta-se como uma temática recorrente, sendo a imagem do Outro (des)construída de acordo com cosmovisões, interesses político-religiosos de assimilação e ideologias que a crítica das fontes-enunciados poderá desvendar. O
homo viator, ao descrever novas realidades, presta atenção a determinados pormenores em detrimento de outros, pelo que será também necessário descodificar quer sistemas mentais quer a retórica do silêncio e dos filtros do próprio exotismo. O discurso exótico é uma ferramenta conceptual, auxiliar da interpretação de novos ‘mundos’, que geram dúvidas, medos e ameaças perante os dogmas estabelecidos na Europa. Apesar das rupturas e continuidades, a imagética exótica medieval, da qual o famoso
Livro de Marco Polo é um repositório, continua a influenciar, até certo ponto, as narrativas de viagem e a
Imago Mundi renascentistas, conforme se pode ver, por exemplo, no Diário das
Viagens de Cristóvão Colombo. A partir do século XV, inicia-se no extremo ocidental da Eurásia o processo de expansão europeia em direcção a novos e exóticos mundos, cujos símbolos, crenças e línguas era necessário descodificar. A literatura de viagens, a cartografia e os tratados filosóficos apresentam-se como palco da emergência do exotismo antropológico-literário, sobretudo pelas mãos dos ibéricos, que descrevem de forma diferente povos dos quatro cantos do globo. Não sendo possível abordar títulos de todos os séculos, refiram-se, já no século XX, a obra de Maria Ondina Braga que publica, entre outra sobras,
A China Mora ao Lado (1968), intensificando-se gradualmente a lista de autores portugueses e macaenses cuja obra contribui para a representação ficcional do exotismo testemunhado em Macau: Ferreira de Castro (
A Volta ao Mundo, 1941-1944); Jaime Correia do Inso (
O Caminho do Oriente, 1931;
Visões da China, 1932;
China, 1935;
Cenas da Vida de Macau, 1941); Luís Gonzaga Gomes (
Contos Chineses,1950;
Chinesices,1952); Deolinda da Conceição (
Cheong-Sam : A Cabaia, 1956); Henrique Senna Fernandes (
NamVan, 1978;
Amor e Dedinhos de Pé, 1986); Miguel Torga (
Diário XV, 1987); Agustina Bessa-Luís, (
A Pedra Pintada, 1990;
A Quinta Essência, 1999); João de Aguiar(
O Comedor de Pérolas,1992); Eugénio de Andrade (
Pequeno Caderno do Oriente,1994) e Natália Correia (
Versos de Brisa Portuguesa Escritosnuma Flor de Lótus,1994); entretantos outros. O
jamais vu torna-se progressivamente
dejá vu, podendo dar origem a um exótico saudosismo e a um processo de familiarização com o até então exótico desconhecido, como podemos verificar no relato oitocentista da estada em Macau do almirante francês Jurien de la Gravière,
Voyage en Chine et dans les mers et archipels de cet empire pendant les annés 1847-1848-1849-1850, 1854, que, acompanhando o movimento do olhar do narrador, descreve os altaneiros cemitérios chineses, as aldeias chinesas e a actividade agrícola dos seus habitantes,os passeios a pé pelos montes fortificados da cidade, a vista do mar, as ilhas, os parses que o comércio fixou em Macau, os jardins e as emaranhadas vielas, a silenciosa Gruta de Camões, os sons chineses que alegram a taciturna cidade portuguesa, as mulheres, reclusas e envoltas por uma “mortalha” branca, que apenas saem para se dirigir à igreja, o lucrativo tráfico do ópio, a fisionomia dos cules e dos vendedores ambulantes que povoam o espaço português do enclave, os pés enfaixados, o culto chinês dos antepassados, os sons, rituais e cores da cerimónia do casamento chinês, concluindo: “Macau foi para nós a primeira amostra do Império Celeste”. As obras que aqui referimos, bem como muitas outras, reflectem a (con)vivência multicultural que caracteriza a história de Macau desde a chegada dos portugueses, tornando o território um “
Janus cultural”, que olha em várias direcções, quer para Oriente, quer para Ocidente, com um pendor intercultural e tolerante que muitos viajantes estrangeiros testemunham no enclave que serviu de porta de entrada para a China às nações ocidentais. [R.M.P.]
Bibliografia: BUESCU, Maria Leonor Carvalhão,
O Estudo das Línguas Exóticas no Século XVI, (Lisboa, 1983); BUESCU, Maria Leonor Carvalhão,
Babel ou a Ruptura do Signo: A Gramática e os Gramáticos Portugueses do Século XVI, (Lisboa, 1984); COELHO, Rogério Beltrão, “Exotismo em Macau em Exposições Coloniais”, in
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° 26, (Macau, 1994), pp. 41-52; FOK, K. C., “The Ming Debate on How to Accomodate the Portuguese and the Emergence of the Macao Formula”, in Revista de Cultura, n°s. 13-14, (Macau, 1991), pp. 328-344; LODGE, David, The Art of Fiction (Harmondsorth, 1992); LOUREIRO, Rui Manuel, “Imagem da China na Cultura dos Descobrimentos Portugueses”, in Revista de Cultura, n.° 23, (Macau, 1995); LOUREIRO, Rui Manuel, Fidalgos, Missionários e Mandarins: Portugal e a China no Século XVI, (Lisboa, 2000); OLLÉ, Manuel, La Invención de China: Percepciones y Estratégias Filipinas Respecto a China durante el Siglo XVI, (Wiesbaden, 2000); SEGALEN, Victor, Essai sur l’Exotisme, (Paris, 1999); TODOROV, Tzevtan, La Conquête de l’ Amérique, (Paris, 1982); TODOROV, Tzevtan: Nous et les Autres, (Paris, 1989); WENQUIN, Zhang, “Intercâmbio Cultural Sino-Ocidental Reflectido nas Poesias das Dinastias Ming e Qing Sobre Macau”, in Revista de Cultura, n.° 29, (Macau, 1996), pp. 55-62.
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